
O que acontece quando um patriota foge do próprio país e acaba preso no país que ele defendia?
Essa é a história de Alexandre Ramagem. Ex-delegado da PF, ex-diretor da ABIN, aliado direto do Bolsonaro. Indiciado e respondendo a processo, com acusações de envolvimento em tentativa de golpe e uso de estrutura paralela de espionagem. Acusações que ele nega.
Independente da sua opinião, caro leitor, ele saiu do país enquanto respondia ao processo.
E essa história tem três ironias.
A primeira
Começa com o próprio discurso dele. O homem que pregava “Deus, pátria e família” pegou a família e deu adeus pra pátria. Foi atrás de uma justiça que ele considerou mais justa. Ainda mais vindo de quem dizia que lutar pelo Brasil era obrigação.
A segunda
É onde a história fica mais curiosa. Ramagem é admirador do Trump. Aplaude deportações, endurecimento e imigração zero. Até descobrir que a fila anda pros dois lados. Acabou detido nos Estados Unidos como imigrante irregular. O homem que aplaudia lei dura conheceu a lei dura.
A terceira
É a que nenhum roteirista conseguiria inventar. Ele foi preso no dia 13 de abril, mesmo dia do aniversário do Hino Nacional. O mesmo hino que diz:
“Mas, se ergues da justiça a clava forte,
verás que um filho teu não foge à luta,
nem teme, quem te adora, a própria morte.”
Patriotismo não é o que você grita. É o que você aguenta.
No discurso: defesa da pátria. Na prática: aeroporto. Com passaporte diplomático.
Quem dizia lutar pela pátria terminou lutando pra não voltar pra ela.
