Alexandre Ramagem: o patriota que fugiu da própria pátria

Alexandre Ramagem foi condenado pela maioria dos ministros da Primeira Turma do STF, por ter utilizado seu cargo como diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), para auxiliar ataques de Bolsonaro contra as urnas eletrônicas.Reprodução/Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O que acontece quando um patriota foge do próprio país e acaba preso no país que ele defendia?

Essa é a história de Alexandre Ramagem. Ex-delegado da PF, ex-diretor da ABIN, aliado direto do Bolsonaro. Indiciado e respondendo a processo, com acusações de envolvimento em tentativa de golpe e uso de estrutura paralela de espionagem. Acusações que ele nega.

Independente da sua opinião, caro leitor, ele saiu do país enquanto respondia ao processo.

E essa história tem três ironias.

A primeira

Começa com o próprio discurso dele. O homem que pregava “Deus, pátria e família” pegou a família e deu adeus pra pátria. Foi atrás de uma justiça que ele considerou mais justa. Ainda mais vindo de quem dizia que lutar pelo Brasil era obrigação.

A segunda

É onde a história fica mais curiosa. Ramagem é admirador do Trump. Aplaude deportações, endurecimento e imigração zero. Até descobrir que a fila anda pros dois lados. Acabou detido nos Estados Unidos como imigrante irregular. O homem que aplaudia lei dura conheceu a lei dura.

A terceira

É a que nenhum roteirista conseguiria inventar. Ele foi preso no dia 13 de abril, mesmo dia do aniversário do Hino Nacional. O mesmo hino que diz:

“Mas, se ergues da justiça a clava forte,

verás que um filho teu não foge à luta,

nem teme, quem te adora, a própria morte.”

Patriotismo não é o que você grita. É o que você aguenta.

No discurso: defesa da pátria. Na prática: aeroporto. Com passaporte diplomático.

Quem dizia lutar pela pátria terminou lutando pra não voltar pra ela.

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