
O Irã voltou a impor restrições à navegação no Estreito de Ormuz neste sábado (18), revertendo a recente flexibilização e reforçando o controle sobre uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. A decisão não foi bem recebida pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que afirmou que o Irã não pode “chantagear” os EUA ao tentar fechar a hidrovia.
- Confira: Irã fecha novamente Estreito de Ormuz devido ao bloqueio dos EUA
Segundo as autoridades iranianas a medida foi adotada em resposta a supostas violações de confiança por parte dos Estados Unidos em relação ao cessar-fogo. O governo de Teerã também acusa Washington de manter bloqueios a portos iranianos, classificando a ação como uma quebra do acordo.
Na sexta-feira (17), o Irã já havia sinalizado que poderia voltar a fechar o Estreito de Ormuz caso os EUA mantivessem o bloqueio naval na região.
No mesmo dia, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, anunciou que a passagem marítima teria sido reaberta de forma temporária, válida até o dia 22 de abril, período em que está em vigor o cessar-fogo entre Líbano e Israel.
O acordo, mediado pelo Paquistão, previa a liberação controlada do tráfego, mas sofreu interrupções após não ser aceito por grupos envolvidos no conflito no Líbano, como o Hezbollah, além de Israel. Diante do descumprimento do cessar-fogo no Líbano e da não inclusão do país no acordo, o Irã chegou a suspender temporariamente a liberação do tráfego no estreito.
Apesar da decisão de Teerã, Trump indicou que as negociações com Teerã seguem em andamento e que novas informações devem ser divulgadas em breve.
Tensão no estreito
De acordo com a Reuters, relatos de fontes do setor marítimo indicam que embarcações foram alvo de ataques ao tentar cruzar a região. A Índia, inclusive, manifestou preocupação após dois navios com sua bandeira terem sido atingidos, convocando o embaixador iraniano para prestar esclarecimentos.
Além disso, navios mercantes teriam recebido comunicações da marinha iraniana informando a proibição de travessia, sinalizando um endurecimento no controle da área. A medida interrompe a expectativa de normalização do tráfego, que havia sido observada dias antes com a passagem de petroleiros pela região.
Impactos e incertezas
A nova postura de Teerã aumenta a instabilidade em torno do conflito e amplia os riscos de interrupção no fluxo de petróleo e gás pelo estreito, por onde passa uma parcela significativa da energia consumida no mundo.
Apesar de o governo americano afirmar que mantém “boas conversas” com o Irã, há incerteza sobre a continuidade do cessar-fogo definitivo. Autoridades indicam que, sem um acordo mais amplo, os confrontos podem ser retomados.
O controle do Estreito de Ormuz segue como um ponto central na disputa geopolítica, com potencial de afetar mercados globais e a segurança energética internacional.
Relembre o ínicio da escalada no conflito
Os Estados Unidos e Israel bombardearam o Irã em 28 de fevereiro deste ano. O ataque atingiu instalações militares e estruturas consideradas estratégicas pelo regime iraniano. Explosões foram registradas na capital, Teerã, e em outras cidades importantes para o Regime Aiatolá.
O ataque matou o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. A confirmação da morte foi divulgada, horas depois dos primeiros ataques, pela imprensa estatal iraniana. Os ataques e a perda do principal líder político e religioso do Irã provocaram reação imediata do governo. Mojtaba Khamenei, filho de Ali, assumiu o posto.
O Irã respondeu com ataques contra alvos ligados aos Estados Unidos e a Israel no Oriente Médio. Foram disparados mísseis e drones contra bases militares e infraestruturas estratégicas em diferentes países do Oriente Médio.
A Guarda Revolucionária iraniana anunciou, nos dias seguintes, o fechamento do Estreito de Ormuz. A passagem marítima conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é uma das principais rotas usadas para a exportação de petróleo no mundo.
No estreito passam cerca de 20% do petróleo transportado por navios no planeta, o que impacta diretamente diversos setores da economia global.
