A Grande Pirâmide de Gizé tem mais de 4 mil anos, 146 metros de altura e 2,3 milhões de blocos de pedra. E ainda ninguém sabe ao certo como foi construída. Uma nova hipótese, desenvolvida com modelagem computacional e publicada em periódico científico do grupo Nature, propõe a explicação mais detalhada já simulada para esse enigma, e os números que ela produz surpreendem até os céticos.
O que é a Rampa de Borda Integrada e como ela funcionaria?
O modelo denominado Rampa de Borda Integrada (Integrated Edge Ramp — IER), proposto pelo pesquisador independente Vicente Luis Rosell Roig, defende que os egípcios utilizaram rampas embutidas nas próprias bordas da estrutura, em vez de uma única rampa externa maciça ou de um túnel em espiral isolado. Esse sistema permitia que diferentes equipes movimentassem blocos em paralelo pelas quatro faces da pirâmide ao mesmo tempo.
À medida que a estrutura crescia em altura, as rampas se tornavam mais compactas, adaptando-se à geometria decrescente das camadas superiores sem comprometer a estabilidade estrutural do conjunto.

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Quanto tempo levaria para erguer 2,3 milhões de blocos com esse sistema?
O estudo utilizou modelagem tridimensional para simular a colocação de cada um dos 2,3 milhões de blocos que compõem a pirâmide, assentados sobre uma base de cerca de 230 metros. Os resultados apontam um tempo de construção entre 13,8 e 20,6 anos, intervalo que se enquadra na janela de 20 a 27 anos amplamente aceita por historiadores e arqueólogos.
Esse dado refuta diretamente a ideia de que um ritmo de assentamento tão acelerado seria logisticamente impossível sem maquinário moderno.

O que as varreduras internas da pirâmide revelam sobre a teoria?
A pesquisa dialoga com o projeto ScanPyramids, iniciativa internacional que utiliza detecção de múons para mapear o interior das pirâmides sem causar danos à estrutura. O projeto já revelou cavidades desconhecidas, incluindo o chamado Big Void, identificado em 2017, que pode corresponder a passagens internas compatíveis com o trajeto das rampas propostas pelo modelo IER.
Áreas de desgaste visíveis na superfície da pirâmide também são interpretadas pelos pesquisadores como indicadores de pontos de intensa circulação de blocos, alinhando-se às previsões do modelo.
Quais outras teorias tentam explicar a construção da Grande Pirâmide?
O modelo IER não surge no vácuo. As principais hipóteses em debate até hoje se dividem em três abordagens distintas:
- Trenó e areia molhada: o físico Daniel Bonn sugere que a água reduzia o atrito entre o trenó e a areia, facilitando o transporte dos blocos com apoio de rampas externas.
- Rampa interna em espiral: o arquiteto francês Jean-Pierre Houdin defende, desde 2007, o uso de uma rampa externa para o primeiro terço da construção e uma rampa interna para as camadas superiores, simulada em software 3D da Dassault Systèmes.
- Pedras flutuantes: proposta por Peter James, sugere o uso de canais de água derivados do rio Nilo e sistemas de comportas para elevar os blocos até o topo.
Para entender as teorias mais aceitas sobre a construção da Grande Pirâmide de Gizé, a arquiteta Carol Quinzani, do canal qiarquitetura, com mais de 5,97 mil inscritos, explorou os principais modelos explicativos e o contexto histórico por trás de cada um:
Por que a egiptologia ainda não tem uma resposta definitiva?
A egiptologia institucional permanece cautelosa em relação a todas as hipóteses, em parte pela ausência de evidências diretas que permitam descartar definitivamente as demais teorias. O modelo paramétrico desenvolvido por Roig, publicado na revista npj Heritage Science do grupo Nature, tem a vantagem adicional de poder ser aplicado a outras pirâmides egípcias, abrindo caminho para comparações sistemáticas entre monumentos.
Com 4 mil anos de existência e tecnologia de varredura que mal começou a revelar seus segredos internos, a Grande Pirâmide de Gizé continua sendo o maior canteiro de obras jamais abandonado sem manual de instruções.
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