Irã considera retomar negociações com EUA no Paquistão

Irã e EUAUnsplash/ Montagem iG

O Irã está considerando participar das novas negociações de paz com os Estados Unidos no Paquistão, de acordo com informações da Reuters. A sinalização ocorre após Islamabad adotar medidas para tentar suspender o bloqueio americano a portos iranianos, um dos principais obstáculos para a retomada do diálogo.

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Com o cessar-fogo de duas semanas próximo do fim, Teerã afirmou estar avaliando de forma positiva a participação, indicando uma mudança de postura em relação a declarações anteriores, quando rejeitava as conversas e ameaçava retaliação. 

Incerteza e tensão

Nos últimos dias, o clima de instabilidade se intensificou. No domingo (19), autoridades americanas afirmaram ter apreendido um navio iraniano que tentava furar o bloqueio, o que levou Teerã a prometer uma resposta.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, declarou que Washington demonstra “não estar levando a sério” o processo diplomático e reforçou que o país não pretende ceder em suas exigências, classificadas como “insistência em posições irracionais e irrealistas” por parte dos EUA.

Apesar das dúvidas, o Paquistão avançou nos preparativos para sediar a nova rodada de negociações. Cerca de 20 mil agentes de segurança foram mobilizados em Islamabad, segundo autoridades locais.

Aliados europeus, por sua vez, demonstram preocupação com a condução das tratativas, avaliando que pode haver pressão por um acordo rápido e superficial, o que exigiria negociações técnicas mais longas e complexas posteriormente.

Escalada e instabilidade no Oriente Médio

O conflito no Irã tem provocado milhares de mortes desde o início dos ataques coordenados entre Estados Unidos e Israel, iniciada em 28 de fevereiro.

Em resposta, Teerã anunciou o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás comercializados no mundo, o que equivale a  ampliando os impactos globais.

Com o avanço das negociações diplomáticas, um cessar-fogo temporário permitiu a reabertura parcial da rota. No entanto, menos de 24 horas após o anúncio, o Irã voltou a indicar que poderia restabelecer as restrições caso o bloqueio naval americano fosse mantido.

No mesmo dia, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que a liberação do tráfego seria provisória, válida até 22 de abril, período em que vigoraria o cessar-fogo entre Líbano e Israel.

O acordo, mediado pelo Paquistão, previa circulação controlada de embarcações, mas enfrentou resistência de atores envolvidos no conflito libanês, como o Hezbollah, além de Israel.

Diante de violações do cessar-fogo e da exclusão do Líbano de pontos centrais do entendimento, o Irã chegou a suspender novamente a liberação do tráfego. Com novas acusações de descumprimento e o prazo do acordo se aproximando do fim, as tensões voltaram a se intensificar na região.

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