Quem era Gerardo Renault, o pai de Ana Paula Renault do BBB

Gerardo Renault em um momento oficial da Camara de deputados de Minas Gerais na Década de 1970Reprodução

Gerardo Henrique Machado Renault morreu ontem, 19 de abril de 2026, aos 96 anos  em Belo Horizonte. Atualmente se tornou muito conhecido nacionalmente por ser pai da jornalista e personagem da mídia Ana Paula Renault. 

Mas Gerardo teve uma longa carreira como advogado, e por muitas décadas ocupou diversos cargos da vida pública mineira, foi vereador, deputado estadual e deputado federal, porém já estava afastado da carreira política há quase quatro décadas seguindo na vida pública em funções administrativas, incluindo a presidência de um órgão previdenciário do Legislativo mineiro, cargo que exerceu durante seus últimos 35 anos de vida.

Nascido em 1929, em Belo Horizonte, Gerardo era filho de René Renault, um securitário e comerciante, e de Maria Aparecida Machado Renault. Sua família era uma clássica família de classe média urbana da época, que tinha ligações com o comércio local e ao mesmo tempo alguma relação com o aparato estatal. No núcleo familiar ampliado de Gerardo, havia nomes com inserção política e intelectual relevantes na época: o primo Abgar de Castro Araújo Renault foi ministro da Educação e Cultura no governo Nereu Ramos e posteriormente ministro do Tribunal de Contas da União; outro parente, Áureo Renault, ocupou o cargo de secretário de Viação e Obras Públicas de Minas Gerais durante o governo Juscelino Kubitschek.

Já Gerardo iniciou sua trajetória política ainda muito jovem. Durante sua formação, foi militante do movimento estudantil e participou da fundação da União Colegial de Minas Gerais. Já no curso de Direito na Universidade Federal de Minas Gerais, integrou a União Estadual dos Estudantes e a UNE. Formado em 1951, no mesmo ano ingressou na carreira política institucional e partidária, com apenas 22 anos foi eleito pela primeira vez como vereador pela UDN, partido de orientação conservadora e liberal e que era oposição ao governo federal da época, então presidido pelo trabalhista Getúlio Vargas.

Reeleito nos pleitos de 1954, 1958 e 1962, participou de diversas comissões permanentes e especiais na Câmara Municipal, além de chefiar a delegação brasileira nos Jogos Mundiais Universitários, na Alemanha (1952), e tomar parte no Comitê Mundial Universitário (1952-1954). Já filiado ao Partido Social Progressista (PSP), representou o Brasil nos congressos internacionais de municípios realizados em Porto Rico e no Panamá, e integrou o conselho diretor da Associação Mineira de Municípios e a diretoria da Associação Brasileira de Municípios.

Durante o período de vigencia da ditadura Civil-militar no Brasil, quando os partidos políticos foram extintos e o sistema passou a funcionar sob o bipartidarismo, Gerardo Henrique Machado Renault integrou a Aliança Renovadora Nacional (ARENA), partido criado para dar sustentação política ao regime civil-militar.

Foi nesse contexto, que a partir de 1967 que ele exerceu o mandato de deputado estadual em Minas Gerais. As eleições, nesse período conturbado, eram marcadas por fortes limitações democráticas, com votação controlada em diversos níveis e ausência de disputa multipartidária real.

Na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, ocupou funções de liderança como vice-líder do governo e do partido entre 1971 e 1973, além de exercer a segunda vice-presidência da Casa entre 1973 e 1974. Também foi relator da Constituição de Minas Gerais e atuou em comissões estratégicas nas áreas de transportes, comunicações, obras públicas e assuntos municipais. No Congresso Nacional, exerceu mandato de deputado federal a partir de 1979, após ter sido eleito em 1978, permanecendo no cargo até 1987. Durante esse período, integrou a Comissão de Agricultura e Política Rural e chegou a se licenciar para assumir a Secretaria de Agricultura de Minas Gerais entre 1979 e 1982.

 Um dos episódios mais controversos de sua trajetória ocorreu em 1982, quando defendeu a presença de policiamento em torno de áreas indígenas Maxacalis para controle de circulação e contenção de conflitos. A proposta refletia a lógica tutelar vigente na política indigenista anterior à Constituição de 1988, que trata povos indígenas sob uma perspectiva de administração estatal e integração gradual.

Durante a transição para a redemocratização, manteve seu alinhamento com setores do antigo regime, porém em 1984, foi favorável ao fim da ditadura votando a favor da emenda Dante de Oliveira, que previa eleições diretas para presidente da República. Infelizmente a proposta foi rejeitada, ficando a 22 votos de seguir para apreciação do Senado, mas no ano seguinte, no Colégio Eleitoral, apoiou a chapa perdedora de Paulo Maluf contra Tancredo Neves.

Sem concorrer à reeleição em novembro de 1986, deixou a Câmara dos Deputados ao término da legislatura, em janeiro de 1987. Em 1986, foi candidato a vice-governador de Minas Gerais, compondo a chapa encabeçada por Murilo Paulino Badaró. Esta seria a última eleição que ele concorreria para um cargo do Legislativo.

 A partir daí passou a exercer somente sua profissão como Advogado com escritório em Belo Horizonte, e em 1991 voltou a vida pública quando elegeu-se presidente do Instituto de Previdência do Legislativo do Estado de Minas Gerais, sendo desde então reconduzido ao cargo em sucessivos pleitos, ele ocupou esse cadeira até o seu falecimento neste domingo. 

No ambito de sua vida pessoal, ele era bem reservado, Renault foi casado com Vera Cardoso Renault, com quem teve três filhos: Gisele, Rene e Cibele. Casou-se depois com Maria da Conceição Machado Renault, com quem teve duas filhas: Maria Aparecida e a jornalista Ana Paula Renault, ex-participante do Big Brother Brasil 16 e atual participante do Big Brother Brasil 26. Gerardo viveu um momento extramente marcante e traumático quando sua esposa, Maria da Conceição faleceu num acidente de carro em 1998.

Durante a segunda participação de sua filha Ana Paula no Big Brother Brasil na edição de 2026, o estado de saúde de Gerardo Renault veio a público.

Gerardo estava internado no Hospital Felício Rocho desde 3 de abril de 2026, após apresentar um quadro de confusão mental associado à desidratação e infecção urinária. Ele faleceu em 19 de março de 2026, três dias antes da final do programa. A causa oficial da morte não foi divulgada.

No dia da última eliminação, quando Ana Paula ainda estava no confinamento, a família optou por não informá-la imediatamente, atendendo a um desejo prévio de Gerardo e também à intenção de não interferir no andamento da competição. A notícia acabou sendo comunicada pela produção no domingo, pouco antes da final, e Ana Paula decidiu permanecer no programa.

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