Nenhum outro país da Europa tem um navio como o que Portugal acaba de lançar ao mar. O porta-drones NRP D. João II, lançado no dia 7 de abril nos estaleiros da Damen em Galați, na Romênia, é uma plataforma única no continente e custou 132 milhões de euros para ser construída.
O que é o NRP D. João II, o porta-drones da Marinha Portuguesa?
O conceito foi proposto e desenvolvido pela própria Marinha Portuguesa em parceria com a empresa holandesa Damen Shipyards. O resultado é uma Plataforma Naval Multifuncional (MPV 10720) com 107,6 metros de comprimento, projetada para atuar em um espectro amplo de missões sem necessidade de reconfigurações de grande escala.
A embarcação combina investigação científica, monitoramento ambiental e operações militares em uma única estrutura modular. O corte da primeira chapa ocorreu em outubro de 2024, também nos estaleiros Damen em Galați.

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As missões que o porta-drones português pode cumprir no mar
A arquitetura modular é o que torna o NRP D. João II único. Um mesmo navio pode ser reconfigurado para funções completamente distintas, sem obras ou adaptações de grande escala. As missões previstas incluem:
- Monitorização ambiental e prospeção do fundo marinho
- Investigação oceanográfica e recolha de dados oceânicos
- Busca e salvamento em alto mar
- Evacuação de cidadãos em zonas de conflito
- Vigilância marítima e segurança das fronteiras
- Apoio a operações com sistemas não tripulados aéreos e subaquáticos
A autonomia de 45 dias no mar permite ao navio operar por longos períodos sem necessidade de apoio logístico próximo, característica crítica para missões em zonas remotas do Atlântico.
O sistema de drones embarcados que nenhum navio europeu tem igual
O porta-drones está concebido para operar, integradamente, sistemas não tripulados aéreos, de superfície e subaquáticos. Entre os equipamentos previstos está o ROV Luso, veículo subaquático não tripulado capaz de alcançar profundidades de 6.000 metros.
Essa capacidade de operar drones em três meios distintos simultaneamente é o que diferencia o NRP D. João II de qualquer outra embarcação em serviço na União Europeia. O navio também garante elevada interoperabilidade com entidades civis, científicas e acadêmicas. As especificações técnicas estão reunidas na tabela abaixo:
| Especificação | Dado |
|---|---|
| Comprimento | 107,6 metros |
| Autonomia | 45 dias no mar |
| Guarnição | 48 elementos |
| Cientistas e operadores a bordo | 42 pessoas |
| Capacidade total de alojamento | Cerca de 100 pessoas |
| Profundidade máxima do ROV Luso | 6.000 metros |
Quanto custou o porta-drones e de onde veio o dinheiro?
O custo total do projeto é de 132 milhões de euros. Desse valor, 94,5 milhões provêm de fundos europeus via Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), parte do programa NextGenerationEU. Os restantes 37,5 milhões de euros correspondem a investimento direto do Estado português.
A Marinha Portuguesa receberá o navio no último semestre do processo de incorporação, após a conclusão das fases de teste e comissionamento nos estaleiros Damen na Romênia.
Como foi a cerimônia de lançamento em Galați?
A cerimônia contou com a presença do vice-almirante Fernando Jorge Pires, Superintendente do Material, em representação do Chefe do Estado-Maior da Armada. Também estiveram presentes o embaixador de Portugal na Romênia, Paulo Alves Cunha, e a embaixadora do Reino dos Países Baixos na Romênia, além de diversas entidades civis e militares portuguesas e romenas.
O canal oficial da Marinha Portuguesa, com mais de 21,6 mil inscritos, registrou a cerimônia completa, incluindo o momento em que o casco do NRP D. João II tocou a água pela primeira vez:
Quando o NRP D. João II entra para a frota?
Após o lançamento, o navio segue para a fase de acabamento operacional e testes, ainda nos estaleiros Damen na Romênia. A previsão é que seja incorporado ao efetivo da Marinha Portuguesa durante o primeiro semestre de 2027.
Quando isso acontecer, Portugal passará a contar com o único porta-drones da Europa capaz de combinar ciência, defesa e tecnologia de sistemas não tripulados em missões de longa duração, consolidando a posição do país no domínio das ciências do mar e da segurança marítima.
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