Maílson da Nóbrega critica redução da jornada de trabalho e alerta para risco fiscal

MAILSON DA NÓBREGA

O ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, criticou em entrevista ao BM&C Talks, propostas em discussão no país que envolvem a mudança da jornada de trabalho e a ampliação da gratuidade em serviços públicos. Para ele, medidas desse tipo têm forte apelo político, mas carecem de base econômica e podem agravar problemas de produtividade e de equilíbrio fiscal.

Ao comentar a proposta que altera a escala de trabalho, Maílson disse que a redução da jornada não pode ser tratada como simples ato de vontade política, sem análise prévia de produtividade e custos.

“Ninguém pode ser contra a redução da jornada de trabalho”, afirmou.

Em seguida, ponderou que esse processo, quando ocorre de forma sustentável, costuma vir acompanhado de ganho de eficiência na economia.

Segundo o economista, o ponto central é que a redução do tempo de trabalho precisa ser compatível com aumento de produtividade. Caso contrário, o resultado pode ser elevação de custos para empresas, serviços e consumidores.

Numa época em que o Brasil precisa aumentar a produtividade, essa medida geraria queda de produtividade”, disse.

O que Maílson da Nóbrega vê como risco nessas propostas

  • aumento de custos para empresas e condomínios;
  • perda de produtividade;
  • mais pressão sobre pequenas e médias empresas;
  • ampliação de gastos públicos sem fonte clara de financiamento.

Ao tratar da gratuidade no transporte público e de outras propostas semelhantes, o ex-ministro foi ainda mais enfático.

Aí é pura demagogia e irresponsabilidade”, afirmou.

Na entrevista, Maílson argumentou que políticas desse tipo exigem capacidade fiscal que o Brasil, segundo ele, não possui. Ele citou o fato de muitos municípios enfrentarem restrições orçamentárias e questionou como esse tipo de subsídio seria sustentado no longo prazo.

Você tem as prefeituras quebrando no país inteiro, como é que elas vão subsidiar o transporte gratuito?”, questionou.

Para o ex-ministro, o problema dessas propostas está no descolamento entre o benefício prometido e a realidade das contas públicas. Em vez de enfrentar os gargalos da produtividade e do crescimento, elas tenderiam a ampliar distorções e gerar mais rigidez para a economia.

Ao longo da entrevista, Maílson sustentou que a melhora das condições de trabalho é um objetivo legítimo, mas que não pode ser dissociado do ambiente econômico. Na visão dele, o debate deveria partir de dados, produtividade e negociação entre empresas e trabalhadores, e não de imposições com forte apelo eleitoral.

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