
O delegado Marcelo Ivo de Carvalho, convidado a se retirar dos Estados Unidos por “contornar pedidos de extradição”, atuava como oficial de ligação da Polícia Federal em Miami desde 2023. A medida tomada pelo governo americano aconteceu depois do estrangeiro se envolver na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.
Em uma publicação na rede social X, o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos informou nesta segunda-feira (20), que nenhum estrangeiro pode manipular o sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos.
Atuação do delegado
A função de Marcelo era voltada à cooperação internacional na área de segurança, atuando em frentes de imigração e combate ao terrorismo dentro do Departamento de Segurança Interna americano.
A permanência do oficial em Miami inicialmente era de 2 anos, mas em 2025, a missão foi prorrogada por mais um ano, até agosto de 2026.
No Brasil, o delegado da Polícia Federal atuava na posição há mais de 20 anos. Em sua carreira, foi superintendente da Polícia Federal na Paraíba, delegado regional da Investigação e Combate ao Crime Organizado em São Paulo e chefe da Delegacia do Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Envolvimento na prisão de Ramagem
O ex-deputado e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, está nos Estados Unidos e foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão na ação sobre tentativa de golpe, pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa.

Ramagem foi preso pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), que é a polícia de imigração norte-americana, mas foi solto dois dias depois.
Entenda o caso: EUA divulgam foto de Ramagem preso pelo ICE
A PF alega que a prisão ocorreu dentro de uma cooperação internacional entre autoridades brasileiras e americanas, mas os EUA discordam.
No comunicado, o Departamento de Estado acusou Marcelo de tentar manipular o sistema migratório, contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território americano. Por este motivo, o país interrompeu a missão do delegado antes do previsto e o expulsou dos EUA.
Até o momento, a Polícia Federal e o Itamaraty não divulgaram posicionamento oficial detalhado sobre o pedido feito pelo governo americano.
