Após 5 meses foragido, motorista condenado por matar Marina Harkot em SP é preso em MG


Empresário acusado de atropelar a ciclista Marina Harkot é condenado a 13 anos de prisão
Após cinco meses foragido, o motorista condenado por atropelar e matar a ciclista e socióloga Marina Harkot em 2020 em São Paulo foi preso pela polícia em Minas Gerais. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (22) ao g1 pela defesa do motorista José José Maria da Costa Júnior.
“Farei a audiência de custódia dele”, disse o advogado José Miguel da Silva Júnior, que defende o empresário de 38 anos. “Eu não tinha ideia onde ele tava, mas parece que [a prisão] foi próxima a Pouso Alegre”.
Fontes da equipe de reportagem disseram que a prisão de José Maria ocorreu em Bueno Brandão, cidade mineira próxima a Pouso Alegre _onde ocorrerá a audiência de custódia online, ainda de acordo com sua defesa.
A audiência de custódia é prevista na lei para que a Justiça ouça uma pessoa presa para saber se ela sofreu algum tipo de abuso policial. Ainda não há detalhes de como José Maria foi preso e nem de quando ele será transferido para a capital paulista, onde ocorreu o crime.
Prisão no dia do aniversário da vítima
Motorista José Maria fugiu após atropelar e matar a ciclista Marina Harkot em São Paulo
Reprodução/Arquivo pessoal
A prisão dele ocorreu coincidentemente no dia em que Marina completaria 34 anos se estivesse viva. Ela nasceu em 22 de abril de 1992. Mas foi morta em 8 de novembro de 2020, quando tinha 28 anos.
“E hoje Marina completa 34 anos”, disse Claudia Kohler, mãe de Marina, ao g1. “Olhe que dia mais simbólico essa prisão acontecer”, falou a advogada Priscila Pâmela Santos, que defende os interesses da família da ciclista.
Em janeiro de 2025, José Maria foi julgado e condenado na Justiça por homicídio doloso por dolo eventual (por assumir o risco de matar), embriaguez ao volante e omissão de socorro. Como naquela ocasião já respondia em liberdade pelos crimes, continuou solto.
Imagens inéditas mostram interrogatório de acusado de matar Marina Harkot
Mas em 6 de novembro do ano passado o poder judiciário determinou que José Maria tem de cumprir preso a pena de 13 anos de prisão que recebeu pela morte de Marina. E como não se apresentou e nem tinha sido detido no dia, passou a ser considerado foragido.
Os advogados do empresário ainda tentam na Justiça a anulação do julgamento que o condenou pela morte de Marina. No entendimento deles, o caso é de homicídio culposo, sem intenção de matar.
O advogado alega que os jurados votaram contra as provas dos autos. Segundo José Miguel, não há laudo que comprove que o motorista bebeu antes de dirigir e atropelar a ciclista.
Como foi o crime
Foto pericial mostra corpo de Marina Harkot coberto por manta e bicicleta dela destruída após atropelamento
Reprodução
O atropelamento de Marina ocorreu em 8 de novembro de 2020 na Avenida Paulo VI, em Pinheiros, Zona Oeste. A bicicleta vermelha da socióloga ficou destruída após ser atingida por trás pelo Hyundai Tucson prata dirigido pelo motorista.
Durante o julgamento, em janeiro, os jurados entenderam que José Maria bebeu, dirigiu seu carro em alta velocidade, atingiu a vítima que pedalava de bicicleta e fugiu após o atropelamento _o que caracteriza o fato de ter assumido o risco de matar.
José Maria negou ter bebido e guiado o carro em alta velocidade. Mas dois amigos dele, que estavam no carro, contaram que ele havia tomado uísque com energético momentos antes de atropelar Marina. Além disso, laudo da perícia da polícia analisou um vídeo que mostra que o carro passou a 93 km/h na via logo após o atropelamento. O limite para o trecho é de 50 km/h.
Como o motorista se apresentou na delegacia dois dias depois do atropelamento, não foi possível submetê-lo a exame para saber se havia bebido quando atingiu Marina e sua bicicleta.
O réu também falou em seu interrogatório que não viu a vítima quando a atingiu com o veículo porque o local estava escuro. Uma policial militar que socorreu Marina também testemunhou e disse que o lugar era iluminado e seria possível vê-la.
De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal (IML), a ciclista morreu devido a politraumatismo (diversas fraturas pelo corpo).
José Maria ainda alegou que, quando ocorreu a colisão, ouviu um barulho, mas não parou porque achou que se tratava de uma tentativa de assalto. Ele disse que só desconfiou que atropelou Marina depois que viu na TV, dias depois, a notícia de que a ciclista morreu na avenida por onde ele passou.
Desde o crime, a carteira de motorista dele está suspensa temporariamente por decisão da Justiça.
Parentes e amigos se concentram em frente ao fórum onde acontece júri do motorista que atropelou e matou Marina Harkot
Kleber Tomaz/g1
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