
É o Bicho: Pesquisa inédita em SP busca preservação da ave
Um grupo de especialistas colocou dois anéis de identificação em uma ave piru-piru (Himantopus palliatus) em 2024, em Ilha Comprida, no litoral de São Paulo. O feito fez com que o animal fosse encontrado dois anos depois, em São Francisco do Sul, em Santa Catarina.
A descoberta faz parte do doutorado da bióloga Karina Ávila, do Projeto Aves Limícolas. “Graças ao anilhamento e à ciência cidadã, estamos conseguindo entender como o piru-piru se comporta no litoral paulista e para onde os jovens vão quando aprendem a voar”, afirmou a especialista, destacando que a ave apareceu a aproximadamente 200 quilômetros ao Sul de onde nasceu.
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Durante o estudo, os profissionais estão anilhando os animais. Eles colocam dois anéis nas patas, sendo um metálico do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave) e um colorido para identificar a cidade — azul para Ilha Comprida e verde para Itanhaém e Peruíbe.
“A descoberta mais incrível, novamente graças à ciência cidadã, veio do observador de aves Maurício Weingartner, que encontrou em março deste ano, em São Francisco do Sul, um piru-piru que havíamos anilhado na Ilha Comprida, em novembro de 2024”, comemorou Karina.
Ave anilhada em 2024, em Ilha Comprida (SP), e encontrada em 2026, em São Francisco do Sul (SC)
Karina Ávila e Mauricio Weingartner
O estudo
A bióloga destacou que o estudo sobre o piru-piru no Estado de São Paulo é inédito. Os filhotes são medidos, anilhados e acompanhados desde que saem do ovo até começarem a voar. Entre os objetivos, estão os seguintes pontos:
➡️Detalhar a espécie;
➡️Analisar a presença de metais pesados nos ovos e penas;
➡️Descobrir se os jovens que vão para o Sul voltam para a Ilha Comprida para se reproduzir.
Ave anilhada em 2024, em Ilha Comprida (SP)
Davi Pasqualetti
Espécie em perigo
De acordo com Karina, a espécie se encontra em perigo no Estado de São Paulo. Do menor para o maior grau de preocupação, as categorias de ameaça são: vulnerável, em perigo e criticamente em perigo.
“Está nessa categoria porque, com exceção da Ilha Comprida, quase não existem dunas e vegetação de jundu, que é onde ele se reproduz. As dunas e a vegetação de praias e dunas foram destruídas na maior parte do litoral paulista”, explicou a bióloga.
A especialista acrescentou que a espécie também sofre com o turismo descontrolado. “Seus ovos e filhotes costumam ser mortos por cães, veículos e pisoteados por banhistas”, destacou Karina.
Anilhamento de um piru-piru adulto
Davi Pasqualetti
A dissertação de doutorado está sendo realizada na Universidade Estadual Paulista (Unesp) no Campus do Litoral Paulista (CLP), com o patrocínio das Organizações Não Governamentais (ONGs) Wader Quest e Manomet, e com o apoio de observadores de aves e das instituições Ambiecco, Biosensu Consultoria Ambiental, APA Ilha Comprida, APA Marinha Litoral Sul, Prefeitura de Ilha Comprida e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
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