
Paralisação dos ônibus esvaziou Terminal Urbano de Rio Branco
Lucas Thadeu/Rede Amazônica Acre
Em meio à paralisação de motoristas paralisaram e interrupção da circulação de ônibus na em Rio Branco nesta quarta-feira (22), a prefeitura da capital decretou situação de emergência no transporte público. A decisão foi publicada em edição extra do Diário Oficial do Estado (DOE), no início da noite de quarta.
Com o decreto, que tem vigência de 60 dias, a prefeitura poderá intervir no sistema, através da Superintendência Municipal de Trânsito (RBTrans) e abrir espaço para que novas companhias assumam operações. A emergência poderá ser prorrogada por mais dois meses ao fim do prazo.
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No documento, o município argumenta que a concessionária do sistema público Ricco Transportes não cumpriu com as obrigações de “executar as atividades com zelo, diligência e economia, utilizando a melhor técnica e obedecendo normas e padrões”.
Com a paralisação, justificada pelos trabalhadores como uma reivindicação a salários e encargos atrasados, a prefeitura afirma que a interrupção afeta o direito de ir e vir dos passageiros.
O g1 tenta contato com a Prefeitura de Rio Branco para saber se o funcionamento dos ônibus já tem previsão de retomada e aguarda retorno.
Com Terminal Urbano vazio, frota de ônibus é totalmente paralisada em Rio Branco
“A situação fática de que, na data da declaração, 100% das linhas do Sistema de Transporte Público Coletivo Urbano de Passageiros do Município de Rio Branco encontram-se paralisadas”, cita o decreto entre as justificativas.
A suspensão do serviço escancarou um cenário que já vinha se agravando há meses e que, segundo a Empresa Ricco Transportes e Turismo, responsável pela operação emergencial do sistema, envolve prejuízos financeiros e falta de repasses públicos.
O impacto atinge diretamente os usuários: somente entre os dias 1º e 17 de abril, mais de 490 mil passageiros utilizaram o transporte coletivo na capital. Com a paralisação, o Terminal Urbano amanheceu vazio e muitos usuários precisaram recorrer a alternativas particulares para se deslocar.
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Em documento obtido pelo g1, a Ricco afirma que opera no limite financeiro e atribui a situação a uma combinação de fatores, como a defasagem da tarifa, sem reajuste desde 2022, aumento nos custos operacionais e ausência de repasses integrais por parte da prefeitura, especialmente relacionados a gratuidades e meia-passagem estudantil. (Veja detalhes mais abaixo)
Ricco alega crise financeira
Segundo a empresa, entre os dias 1º e 20 de abril, foram arrecadados cerca de R$ 2,8 milhões, somando receitas de bilhetagem, subsídios e outros repasses. No entanto, as despesas no mesmo período chegaram a R$ 2,9 milhões, gerando um déficit de, aproximadamente, R$ 64 mil.
Os principais custos apontados incluem combustível (R$ 1,15 milhão), peças e manutenção (R$ 481 mil), além de encargos trabalhistas e impostos. Ainda conforme o documento, o saldo negativo teria impedido o pagamento de despesas consideradas essenciais.
A situação se agrava com valores em aberto que ultrapassam R$ 1,5 milhão, incluindo salários (R$ 574 mil), vale-alimentação (R$ 348 mil), além de rescisões e outros custos operacionais.
Motoristas da Ricco paralisam totalmente o transporte coletivo em Rio Branco nesta quarta-feira (22)
Richard Lauriano/Rede Amazônica
A Ricco sustenta que a legislação prevê a compensação desses benefícios pelo poder público. No entanto, a empresa alega que os valores repassados estariam abaixo do necessário para cobrir os custos da operação.
Ainda de acordo com o documento, a prefeitura teria repassado cerca de R$ 1,8 milhão em subsídios no período analisado, quando o valor considerado devido pela empresa seria de R$ 4,4 milhões, com base na chamada tarifa técnica.
Confira os detalhes das alegações da Ricco nesta matéria.
Documento da Ricco alega que fecharam ‘no vermelho’ em meio a despesas com transporte público em Rio Branco
Reprodução
Crise se estende
Desde 2022, o transporte coletivo da capital é mantido por meio de contratos emergenciais sucessivos, após a saída da antiga operadora. Nesse período, o sistema tem enfrentado instabilidades, com redução de linhas e queixas recorrentes de usuários.
A paralisação desta quarta foi organizada pelos próprios motoristas e não pelo sindicato da categoria. Após o movimento, a prefeitura informou que se reuniu com representantes dos trabalhadores e da empresa, e que foi acordado um prazo de 48 horas para buscar soluções que permitam a retomada do serviço.
O prefeito Alysson Bestene (PP) afirmou ainda que a gestão trabalha em medidas para normalizar o transporte e garantir o atendimento à população.
VÍDEOS: g1
