
Irã exibe mísseis balísticos em desfile militar em Teerã
A guerra entre Estados Unidos e Irã reduziu significativamente os estoques de armamentos considerados essenciais dos dois países, como mísseis avançados, segundo levantamento do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) e informações de autoridades norte-americanas.
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▶️ Contexto: Dados apontam que os dois países ainda têm capacidade de levar o conflito adiante, mas com limitações.
Um levantamento do CSIS aponta que os EUA usaram mais da metade do estoque pré-guerra em alguns tipos de armas de ponta.
A reposição do armamento americano pode levar anos e limita a resposta do país a possíveis novos conflitos, segundo o estudo.
Os EUA poderiam manter a ofensiva contra o Irã, mas usando um armamento alternativo.
Do lado iraniano, informações de inteligência dos EUA indicam que Teerã ainda mantém parte relevante de mísseis e lançadores intactos e escondidos.
Um relatório apontou que o Irã ainda têm capacidade de causar danos, mas dificilmente conseguiria vencer um adversário tecnologicamente superior.
👉 Veja, a seguir, como está a situação dos dois países em detalhes.
A situação dos Estados Unidos
Míssil sendo disparado de sistema de defesa aéreo Patriot
Reprodução/Raytheon Technologies
Na terça-feira (21), o CSIS divulgou um estudo com análise de sete tipos de armas consideradas essenciais e usadas na ofensiva contra o Irã.
Entre elas estão os mísseis Tomahawk, de longo alcance e alta precisão, além de sistemas de defesa antiaérea.
Segundo o levantamento, os EUA podem ter usado mais da metade do estoque pré-guerra em quatro dos sete modelos analisados.
O estudo também aponta que os níveis anteriores ao conflito já eram considerados baixos para um eventual confronto com uma potência militar equivalente, como a China.
Veja abaixo a estimativa do instituto:
Estoque de armas essenciais dos EUA
Segundo o CSIS, os EUA ainda têm mísseis suficientes para sustentar a guerra, mas podem ficar em posição vulnerável em caso de novos conflitos. Aliados como a Ucrânia também podem ser afetados, já que dependem do fornecimento de armamento norte-americano.
O estudo aponta ainda que, mesmo com o esgotamento desses armamentos de ponta, o país poderia seguir operando com outros tipos de armas.
Essas alternativas, porém, têm menor alcance, o que aumentaria o risco das operações, já que exigiriam lançamentos em posições mais próximas do alvo.
Antes mesmo do início da ofensiva, o nível dos estoques já preocupava autoridades de defesa norte-americanos. Poucos dias antes da guerra, o Washington Post revelou que o arsenal dos EUA estava em baixa por causa do apoio aos conflitos na Ucrânia e em Israel.
No início de março, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu a escassez de armamentos de ponta, mas afirmou que o país tem estoques “praticamente ilimitados” de armas de médio e médio-alto alcance.
“Guerras podem ser travadas ‘para sempre’ e com muito sucesso, usando apenas esses suprimentos”, disse.
O governo também fechou acordos recentes com a indústria de defesa para ampliar a produção. Ainda assim, segundo o CSIS, a reposição é lenta. Algumas armas levam meses para ficar prontas, e poucas unidades devem ser entregues no curto prazo.
“Historicamente, esse prazo era de cerca de 24 meses, mas, como os pedidos de munição passaram a superar a capacidade de produção nos últimos anos, os prazos de entrega se estenderam para 36 meses ou mais. A produção de todo o lote leva mais 12 meses. No total, são cerca de 52 meses — mais de quatro anos”, diz.
A situação do Irã
Míssil iraniano cruza o espaço aéreo israelense em meio ao conflito entre os EUA e Israel com o Irã, visto de Ashkelon, Israel, em 7 de abril de 2026
Amir Cohen/Reuters
Uma reportagem da rede americana CBS News publicada na quarta-feira (22) apontou que o Irã pode ter mais capacidade militar do que os Estados Unidos admitem publicamente. As informações foram obtidas com fontes do governo americano com conhecimento no assunto.
Oficialmente, Trump afirma que os EUA “aniquilaram” a Marinha e a Força Aérea do Irã.
O secretário de Guerra, Pete Hegseth, disse no início de abril que os EUA tinham “dizimado” as Forças Armadas iranianas, deixando-as “ineficazes em combate por muitos anos”.
Os EUA afirmaram ter reduzido em 90% a capacidade de mísseis balísticos e drones do Irã, enquanto Israel diz ter atingido mais de 70% dos lançadores iranianos.
Autoridades ouvidas pela CBS News afirmaram, no entanto, que o Irã ainda mantém metade do arsenal de mísseis balísticos e sistemas de lançamento intacta. Não está claro o tamanho do estoque, mas há indícios de que parte das armas esteja escondida em cavernas ou bunkers.
Na terça-feira, por exemplo, o Irã realizou um desfile militar em Teerã e exibiu mísseis balísticos nas ruas. Entre os modelos apresentados estava o Khorramshahr-4, um dos mais avançados do arsenal do país, com alcance estimado em cerca de 2.000 quilômetros.
Ainda assim, as forças iranianas têm demonstrado sinais de enfraquecimento.
Dados obtidos pela emissora NBC News apontam que o número de lançamentos de mísseis e drones iranianos caiu drasticamente em relação aos primeiros dias da guerra.
No fim de março, os EUA sobrevoaram o Irã com bombardeiros B-52, o que indica limitações na defesa aérea do país.
Ainda assim, um relatório feito pelo chefe da Agência de Inteligência de Defesa dos EUA, o tenente-general da Marinha James Adams, aponta que o Irã ainda tem capacidade de causar danos e continua representando um risco. O documento foi entregue a um comitê da Câmara dos EUA.
“O Irã mantém milhares de mísseis e drones de ataque de uso único capazes de ameaçar forças dos Estados Unidos e de parceiros em toda a região, apesar das perdas sofridas tanto por desgaste quanto pelo uso em combate”, diz.
Por outro lado, Adams afirmou que as forças terrestres e aéreas iranianas têm equipamentos ultrapassados e treinamento limitado. Isso, somado aos danos causados pelos ataques dos EUA e de Israel, as torna “quase certamente incapazes de derrotar um adversário tecnologicamente superior”.
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