
A Polícia Federal deflagra, na manhã desta quinta-feira (23), uma operação para investigar a suspeita de aplicação irregular de R$ 13 milhões da previdência dos servidores da cidade de Santo Antônio de Posse, no interior de São Paulo, em investimentos do Banco Master.
Estão sendo cumpridos mandados de busca e apreensão nas cidades de Santo Antônio de Posse e Mogi Mirim, também no interior paulista, sendo os principais alvos: o ex-diretor, a supervisora de gestão e três membros do comitê de investimentos do Instituto de Previdência Municipal de Santo Antônio de Posse (IPREM).

Durante a Operação Moral Hazard, a Justiça determinou o afastamento dos investigados de cargos públicos e o bloqueio de bens, expedidas pela 9ª Vara Federal de Campinas.
A investigação mira uma possível má gestão dos recursos após um alerta da Subsecretaria de Regimes Próprios de Previdência Social, que apontou problemas na aplicação do dinheiro do fundo municipal.
Instituto municipal aplicou em Letras Financeiras
A Procuradoria do Ministério Público de Contas de São Paulo (MPC-SP) emitiu um alerta, em abril do ano passado, que pelo menos cinco institutos de previdência de servidores municipais no estado haviam investido centenas de milhões de reais no Banco Master, entre eles, o de Santo Antônio de Posse.
Quando o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master, o IPREM tinha R$ 8,2 milhões aplicados em Letras Financeiras. O valor constava no Portal da Transparência do Instituto.
Entenda o caso Banco Master
A instituição controlada por Daniel Vorcaro teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em 18 de dezembro de 2025. A decisão veio após o agravamento da situação financeira do banco, que já operava sob elevado risco de insolvência, pressionado pelo alto custo de captação de recursos e por uma carteira concentrada em operações consideradas de maior risco.
Nos meses que antecederam a intervenção, o banco tentou alternativas para evitar a liquidação, incluindo negociações para venda do controle. A principal delas envolveu uma proposta do Banco de Brasília (BRB), que acabou não avançando. As tratativas foram interrompidas em meio a questionamentos de órgãos de controle, críticas à falta de transparência, pressões políticas e citações do Banco Master em apurações e investigações em curso, o que aumentou a resistência do mercado a qualquer solução privada.
O alerta entre investidores se intensificou quando a instituição passou a ofertar produtos financeiros com taxas de retorno muito acima da média do mercado, estratégia vista como tentativa de reforçar o caixa em um momento de deterioração financeira. Entre esses produtos, destacavam-se os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), que se tornaram o principal instrumento de captação do banco.
Com a liquidação decretada, o Banco Central assumiu a condução do processo, e os credores passaram a depender das regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — no caso dos produtos cobertos — e da ordem legal de pagamento na liquidação para tentar recuperar os valores investidos.
