Governo Trump envia avião do FBI para repatriar criança em Cuba

Avião pousandoReprodução/FBI

O governo do presidente Donald Trump enviou um avião do FBI para repatriar uma criança de 10 anos que teria sido levada para Cuba por um casal do estado de Utah, nos Estados Unidos.

Segundo o Departamento de Justiça americano, Rose Inessa-Ethington, de 42 anos, e sua companheira, Blue Inessa-Ethington, de 32, foram presas acusadas de sequestro parental internacional. Rose é uma mulher trans e teve a criança em um relacionamento anterior.

As duas mulheres foram deportadas de Cuba na segunda-feira (20) com ajuda do FBI e passaram por audiência inicial na Justiça Federal em Richmond, no estado da Virgínia. Depois, serão levadas para Utah, onde o processo continuará no tribunal federal Orrin G. Hatch, em Salt Lake City.

As autoridades dizem que elas fingiram que fariam uma viagem de acampamento ao Canadá, mas seguiram para o México e depois para Havana, capital de Cuba.

A polícia investiga a suspeita de que a criança seria levada para passar por uma cirurgia de mudança de sexo. O menino já foi devolvido e está com a mãe biológica, identificada nos documentos do processo apenas como “LB”.

Membros do FBI são vistos observando o pátio da sede do órgão em Washington, D.C.Reprodução/FBI

Como aconteceu o desaparecimento

No dia 28 de março, Rose, Blue, a criança de 10 anos e o filho de três anos de Blue saíram de carro para um suposto acampamento de cinco dias em Calgary, no Canadá. 

Segundo a investigação, eles nunca chegaram ao hotel nem ao local informado.

O último contato com a mãe biológica aconteceu nesse mesmo dia, quando a criança telefonou dizendo que havia chegado ao Canadá. 

No dia seguinte, 29 de março, o grupo atravessou a fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá e pegou um voo de Vancouver para a Cidade do México. Em 01 de abril, seguiram em outro voo de Mérida, no México, para Havana, em Cuba. Autoridades de imigração mexicanas confirmaram as entradas e saídas do grupo usando passaportes americanos.

Pelo acordo de guarda definido pela justiça, o menino deveria ter sido devolvido à mãe em 03 de abril, o que não aconteceu.

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Investigação apontou suspeita de cirurgia

Nos documentos do processo, a criança é descrita como “um menino que se identifica como menina”. O FBI informou que familiares relataram preocupação com o bem-estar do menor e disseram acreditar que a criança estaria sendo influenciada por Rose a se identificar como menina. A suspeita é de que ela tenha sido levada a Cuba para fazer uma cirurgia de mudança de sexo antes da puberdade.

As autoridades do estado de Utah começaram a investigar o caso como descumprimento de guarda compartilhada. Depois, passaram a apurar a suspeita da cirurgia. 

Durante buscas na casa do casal, os investigadores encontraram várias listas de tarefas. Entre os itens estavam “aprender espanhol”, informações sobre voos para Canadá, México e Cuba, “colocar itens no depósito”, planos para conseguir vistos de turista e um lembrete para “esvaziar banco da USU”.

Também foram encontradas anotações com orientações de uma terapeuta de Washington, D.C. sobre “tratamentos médicos para afirmação de gênero em crianças” e um lembrete para enviar US$ 10 mil (cerca de R$ 50 mil, na cotação atual) para a profissional. Segundo a polícia, Blue sacou esse valor da conta antes da viagem.

Resgate e prisão do casal

Em 13 de abril, um tribunal estadual de Utah determinou que a criança fosse devolvida imediatamente à mãe biológica e deu a ela a guarda unilateral. Três dias depois, um juiz federal expediu mandados de prisão contra o casal.

No mesmo dia, a polícia cubana encontrou o grupo na ilha. Em nota, o Departamento de Justiça informou que a criança foi recuperada “em segurança”. O jornal The New York Times informou que o menino já estava com a mãe biológica na terça-feira (14).

Uso de avião do governo chama atenção

O uso de um avião do Departamento de Justiça nessa operação acontece em meio às medidas do governo Trump para dificultar o acesso de menores a tratamentos de afirmação de gênero e pressionar planos de saúde sobre o tema.

O caso está sendo investigado pelo escritório do FBI em Salt Lake City. Também participaram da operação o Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado dos EUA, agentes do ICE em Havana e o escritório do FBI na Cidade do México. 

As autoridades não informaram o que aconteceu com o filho de três anos de Blue, que também estava com o grupo durante a viagem.

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