
Delegado de Rorainópolis é preso suspeito de interferir em caso de casal carbonizado
A Justiça de Roraima prorrogou por mais 10 dias a prisão de Rick Silva e Silva, delegado da Polícia Civil em Rorainópolis, no Sul de Roraima. Ele foi preso no dia 14 de abril durante a Operação Conluio, segunda fase da investigação sobre o duplo homicídio do empresário Edgar Silva Pereira, de 60 anos, e da esposa dele, Rossana de Lima e Silva, de 49.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp
O g1 teve acesso ao mandado de prisão temporária do delegado, mas o documento não detalha o envolvimento dele no caso do duplo homicídio. O casal foi encontrado morto e carbonizado no dia 17 de dezembro.
Inicialmente, Rick da Silva e Silva ficaria preso até esta sexta-feira (24). Ao longo do processo, o delegado também teve um pedido de habeas corpus negado pela Justiça. O caso segue em sigilo.
Os advogados do delegado, Adriano Santos e Igor Lyniker, disseram que adotarão “imediatamente” as medidas judiciais cabíveis para resguardar os direitos do delegado, por entederem que a prorrogação da prisão é “desnecessária”, “desproporcional” e “incompatível” com os princípios constitucionais da presunção de inocência, do devido processo legal e da excepcionalidade das prisões cautelares.
Informaram ainda que a defesa não pode dar mais detalhes do conteúdo dos autos, devido ao segredo de Justiça e ressaltaram que confiam na reavaliação do caso com “observância estrita das garantias legais e constitucionais”.
Operação Conluio
Durante a Operação Conluio também foram cumpridos outros oito mandados tanto em Rorainópolis, como em Boa Vista. No cumprimento de um mandado de busca e apreensão na casa do delegado, a polícia apreendeu um celular, um notebook e uma pistola institucionais da Polícia Civil, além de um carregador com 17 munições calibre 9mm intactas.
A prisão de Rick Silva e Silva foi acompanhada pela Corregedoria-Geral de Polícia Civil (Corregepol). O órgão informou que vai abrir um procedimento administrativo para apurar a conduta do delegado. A polícia não divulgou detalhes sobre como ele ou outros suspeitos participaram do crime.
O envolvimento de servidores públicos e de outras pessoas na morte do casal de empresários é o principal alvo da Operação Conluio.
A ação foi deflagrada pela Delegacia Geral de Homicídios (DGH), juntamente com o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público de Roraima, com apoio do Departamento de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública (Sesp) de Roraima.
Ao todo, desde o início das apurações do duplo homicídio, a Justiça já expediu 25 mandados de busca e apreensão sobre o caso.
Delegado Rick Silva e Silva, titular de delegacia de Rorainópolis, no Sul de Roraima, foi preso nesta terça (14).
Reprodução/Redes sociais
Morte de casal
A investigação sobre a morte do casal começou após o desaparecimento, em dezembro de 2025. No dia seguinte, os corpos foram encontrados em uma caminhonete totalmente queimada na vicinal 31.
Na época, familiares informaram à polícia que o casal saiu para resolver um assunto rápido, deixou os filhos em casa e não voltou mais. As primeiras ações foram feitas pela Delegacia de Rorainópolis.
Devido à gravidade e à complexidade do caso, a partir de 24 de dezembro de 2025, a investigação passou a ser conduzida, pela DGH, responsável pela ação desta terça-feira.
Operação anterior
Em janeiro de 2026, a PC informou que fazia diligências para identificar responsáveis e esclarecer as circunstâncias do crime. Em março, uma operação cumpriu 17 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a um advogado e outras seis pessoas por suspeita de envolvimento na morte do casal.
Um trecho da ordem judicial do juíz Raimundo Anastácio Carvalho Dutra Filho, da Vara Criminal de Rorainópolis, que determinou a operação de março, citava que as as vítimas e os alvos da PC possuíam “relações conflituosas”. Segundo a investigação, o casal operava um esquema de agiotagem.
Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.
