A Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que a indústria brasileira voltou a enfrentar uma forte pressão de custos no início de 2026. A alta das matérias-primas, impulsionada pelo cenário de guerra no Oriente Médio e pelo encarecimento de commodities como o petróleo, levou o índice de evolução dos preços de insumos a atingir o maior nível desde o período pós-pandemia.
De acordo com a Sondagem Industrial, o indicador subiu 10,8 pontos no primeiro trimestre, passando de 55,3 para 66,1 pontos. Trata-se do patamar mais elevado desde 2022, quando o comércio global ainda lidava com os efeitos das disrupções causadas pela Covid-19.
Pressão de custos ganha relevância no setor, mostra CNI
O aumento dos preços já aparece de forma clara na percepção dos empresários. A falta ou o alto custo de matérias-primas avançou rapidamente no ranking dos principais problemas enfrentados pela indústria, saltando da sexta para a segunda posição no primeiro trimestre de 2026.
O problema passou a ser citado por 30,8% das empresas, praticamente o dobro do observado no trimestre anterior. A carga tributária segue na liderança, enquanto os juros elevados permanecem entre os principais entraves ao desempenho do setor.
Condições financeiras se deterioram
O avanço dos custos ocorre em um ambiente já desafiador do ponto de vista financeiro. A pesquisa mostra queda na avaliação dos empresários sobre a situação financeira das empresas, cujo índice recuou de 50,1 para 47,2 pontos, indicando insatisfação.
O lucro operacional também apresentou deterioração, ao cair para 41,9 pontos, no menor nível desde 2020. Ao mesmo tempo, o acesso ao crédito continua restrito: o indicador recuou para 39 pontos, permanecendo abaixo da linha que indica facilidade de financiamento.
Esse conjunto de fatores aponta para uma compressão de margens e menor capacidade de absorver novos choques de custo.
Produção reage, mas cenário ainda é desigual
Apesar do ambiente mais pressionado, a atividade industrial mostrou recuperação em março. O índice de evolução da produção subiu de 45,4 para 53,7 pontos, indicando crescimento na comparação mensal.
A Utilização da Capacidade Instalada também avançou, passando de 66% para 69%, acima da média histórica para o período. O movimento sinaliza uma retomada pontual da produção, após uma sequência de meses de retração.
Indicadores-chave da indústria
| Indicador | Período anterior | Atual | Direção |
|---|---|---|---|
| Preço das matérias-primas | 55,3 | 66,1 | Alta |
| Situação financeira | 50,1 | 47,2 | Queda |
| Lucro operacional | — | 41,9 | Queda |
| Acesso ao crédito | 40,9 | 39,0 | Queda |
| Produção industrial | 45,4 | 53,7 | Alta |
| Capacidade instalada (%) | 66% | 69% | Alta |
Expectativas melhoram, mas com cautela
A melhora da atividade em março trouxe algum alívio para as expectativas do setor. Os índices de demanda, exportações e compras de matérias-primas avançaram em abril, indicando perspectiva de crescimento nos próximos meses.
Ainda assim, o mercado de trabalho segue como ponto de atenção. O indicador de emprego permanece próximo da estabilidade, sinalizando cautela das empresas diante de um ambiente ainda marcado por incertezas.
Leitura de mercado
A leitura da CNI indica que a indústria enfrenta uma combinação de fatores adversos. De um lado, o choque externo provocado pela guerra eleva o custo de insumos. De outro, juros elevados e crédito restrito limitam a capacidade de reação das empresas.
Na prática, o setor volta a operar sob uma dinâmica semelhante à observada no período pós-pandemia: custos elevados, margens pressionadas e menor espaço para investimento no curto prazo.
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