
Um funcionário do governo dos Estados Unidos deixou o Brasil nesta semana após o Itamaraty determinar a interrupção de atividades dele no país. O agente perdeu acesso à Polícia Federal (PF) e precisou encerrar a atuação no território brasileiro.
A saída ocorre depois que o governo brasileiro reagiu à retirada imediata de um policial federal em Miami. A cooperação operacional entre os dois países sofre interrupção pontual, com afastamento de agentes que atuavam na troca de informações.
O norte-americano trabalhava desde 2024 em parceria com a PF, dentro de um acordo bilateral. Ele deixou o país na quarta-feira (23), após ter as credenciais suspensas.
Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, houve duas medidas. Um agente teve o acesso cortado. Outro, alvo da decisão do Itamaraty, teve o visto cancelado e foi obrigado a retornar aos Estados Unidos.
A saída ocorreu antes de qualquer notificação formal de expulsão. O servidor optou por deixar o país após perder a função.
O Itamaraty afirma que a decisão americana foi comunicada de forma verbal, sem pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo, o que contraria o memorando bilateral que regula esse tipo de cooperação.
Retirada de agente brasileiro em Miami provocou reação
O policial federal brasileiro atuava junto ao Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE), com base em acordo formal entre os dois países. Ele foi informado de que deveria interromper imediatamente as funções em território americano.
O governo brasileiro convocou uma representante da embaixada dos Estados Unidos para prestar esclarecimentos. No encontro, o Itamaraty comunicou que adotaria o princípio da reciprocidade.
O ministério afirma que a decisão dos EUA desrespeitou regra prevista no acordo bilateral, que exige diálogo prévio em casos de interrupção de funções. Também cita quebra de prática diplomática entre países com mais de 200 anos de relação.
Apesar do episódio, a Polícia Federal mantém a cooperação com os Estados Unidos. Internamente, a avaliação é de que o caso pode ser tratado como pontual.
O iG pediu esclarecimentos à Polícia Federal e aguarda retorno.
Nota do Itamaraty na íntegra
“Diante da confirmação da informação de que oficial de ligação da Polícia Federal brasileira junto ao Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), em Miami, foi comunicado verbalmente pelo governo dos Estados Unidos sobre a interrupção imediata do exercício de suas funções oficiais em território norte-americano, representante da embaixada daquele país foi convocada ao Ministério das Relações Exteriores no final da tarde de ontem (21).
O agente brasileiro atuava com base em memorando de entendimento firmado entre os dois governos sobre a facilitação do intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança.
A representante da embaixada norte-americana foi informada, também verbalmente, que o governo brasileiro aplicará o princípio da reciprocidade diante da decisão sumária contra o agente da Polícia Federal, que não foi precedida de qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo sobre o caso, como prevê o parágrafo 7.3 do memorando de entendimento bilateral que regula essa modalidade de cooperação policial.
A medida tampouco observa a boa prática diplomática de diálogo entre nações amigas, como o Brasil e os Estados Unidos, ao longo de mais de 200 anos de relação. Os termos da aplicação da reciprocidade foram também transmitidos verbalmente à representante da embaixada, e envolvem a interrupção imediata do exercício de funções oficiais de representante norte-americano de área homóloga em território brasileiro.”
