
Piracicaba registra 57 mil atendimentos perdidos por pacientes da rede pública
Em Piracicaba (SP), 57.332 consultas e exames deixaram de ser realizados entre janeiro e março de 2026 porque os pacientes não compareceram. O número representa 23% dos 248.143 atendimentos agendados no período, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.
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De acordo com a pasta, o impacto é direto nas filas. Com base nos números de 2025 — quando foram registradas 310.365 faltas — seria possível zerar a fila atual. Entre as áreas mais afetadas no levantamento do ano passado, estão radiologia e terapia ocupacional.
Na atenção básica, o índice de ausências é 26,7%: foram 34.365 faltas em 128.845 consultas agendadas no primeiro trimestre de 2026.
Já na atenção secundária, a taxa é 20,4% nas consultas especializadas e 17,3% nos exames.
Vaga perdida
Quando o paciente falta sem aviso, a vaga é perdida e não pode ser reaproveitada. Além disso, o usuário precisa retornar ao fim da fila para um novo agendamento, o que prolonga ainda mais o tempo de espera.
A Secretaria Municipal de Saúde orienta que, caso o paciente não consiga comparecer na data marcada, o cancelamento seja feito de forma antecipada. A medida, segundo a pasta, ajuda a evitar o desperdício de vagas e contribui para reduzir o tempo de espera de quem precisa do atendimento.
Um ano na fila
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Reprodução/EPTV
Oswaldo precisa se consultar com um neurologista e está há quase um ano na fila. “Não tem fundamento. O povo sofre tanto. Eu acho que um mês, um mês e pouco seria um tempo bom, mas quase um ano é muita coisa”, disse
Shirley conta que já precisou de exame ginecológico e demorou até três meses para conseguir. Mas, quando precisou de mamografia, teve de esperar um ano.
“Por exemplo, você tem um médico para ir ou um exame para fazer e você não vai, avisa antes, porque eles podem ligar para uma pessoa que já está esperando há anos, há meses, e essa pessoa pode ter essa oportunidade de fazer esse exame mais rápido”, disse.
Três meses aguardando uma consulta
A cuidadora Ana Lúcia Santana sente dores constantes nos dois braços e está desde fevereiro esperando consulta com um ortopedista.
“Eu comecei com dores no ombro que descia para minhas mãos, e minhas mãos inchavam. Agora eu estou sentindo o cotovelo e nos dois braços. Falaram que a fila de espera está desde outubro do ano passado, e eles estão atendendo o pessoal de outubro. Não tenho previsão de nada. Estou esperando”, disse.
A angústia do pedreiro Josiel Barbosa também já dura 90 dias. Esse é o tempo que ele aguarda para se consultar com o neurologista. “Ah, é difícil, né? Porque a gente quer resolver. A gente tem um problema, quer resolver e fica na ansiedade”, afirmou.
Desistência
A espera da auxiliar de produção Lucilene Oliveira dos Santos levou à desistência após mais de um ano no aguardo de um oftalmologista.
“Desisti porque demorou muito tempo. Eu sentia muita dor no olho e eu tive de pagar a consulta. Foi mais de um ano, e eu peguei e paguei particular”, disse.
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Reprodução/EPTV
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