
Médico passa a noite na cadeia após ser preso suspeito de crimes sexuais contra pacientes
O médico ginecologista suspeito de estuprar pacientes durante consultas e exames em Goiânia e Senador Canedo foi gravado por uma das vítimas, que desconfiou da conduta dele. Marcelo Arantes foi preso preventivamente após a Polícia Civil cumprir um mandado contra ele na quinta-feira (23). Cerca de 20 mulheres já procuram a polícia para denunciar o profissional.
O g1 entrou em contato com a defesa do ginecologista para que pudesse se posicionar sobre a prisão, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) afirmou que o registro do médico foi suspenso por ordem judicial e que o órgão pediu esclarecimentos ao médico responsável pela instituição citada nas denúncias (leia a nota completa ao final do texto).
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A delegada Amanda Menuci contou que a vítima fez a gravação depois que o médico enviou mensagens para ela para comentar um atendimento em que os abusos teriam acontecido. De acordo com a delegada, ele fez comentários pejorativos enquanto tocava as partes íntimas da vítima, que estava grávida.
Amanda conta que a gestante chegou a procurar uma advogada, mas optou por não denunciar a conduta do médico na época, pois estava com uma gravidez de risco e precisava de repouso. A delegada também destacou que, embora o comportamento do médico fosse suspeito, ele ainda tinha um grande conhecimento técnico na área, o que incentivou a vítima a continuar com as consultas.
Mesmo assim, ela juntou provas contra o médico e filmou outras consultas com o profissional.
“Nas outras consultas, quando o marido dela não podia acompanhar, ela falava assim: ‘Ô doutor, eu vou filmar aqui o ultrassom para depois mandar para o meu marido’. Mas ela filmava a consulta do início ao fim”, destacou Amanda.
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Amanda destacou que o médico não chegou a cometer os crimes enquanto estava sendo filmado, mas o material deve ajudar a vítima a provar que ela esteve em consultas com o ginecologista. Segundo a delegada, essa prova é importante, já que, por atender em uma clínica particular, nem sempre os prontuários de atendimento ficam disponíveis ou são de fácil acesso.
A delegada também afirmou que algumas vítimas ainda podem ter receio em denunciar, por pensarem que será a palavra delas contra a do médico, mas explicou que a palavra da vítima tem mais peso em tribunais atualmente em relação a crimes sexuais. Ela também pontuou que a Polícia Civil também tem ouvido testemunhas indiretas do caso.
“Nós ouvimos testemunhas indiretas — o que é isso no direito? Alguém para quem ela contou, ela saiu ali daquele local fragilizada, ligou para uma amiga, ligou para o marido. Então essas pessoas têm que ser ouvidas porque são testemunhas”.
Segundos as investigações, os abusos aconteceram de 2017 a 2026 nas duas cidades.
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Segundo Amanda, o ginecologista costumava agir de formas parecidas com as vítimas, tentando ganhar a confiança delas e depois fazendo comentários inapropriados enquanto tocava as pacientes de formas inadequada.
“É um verdadeiro predador sexual que faz do ambiente clínico um local de vulnerabilização das vítimas, se aproveita dessa autoridade médica que ele tem sobre elas”, afirmou a delegada.
A delegada também destacou que o suspeito chegou a realizar exames de toque sem usar luvas e fazia perguntas de teor sexual às pacientes, inclusive, perguntava se elas estavam sentindo prazer durante a consulta.
A Polícia Civil também entendeu que as vítimas estavam em situação de vulnerabilidade e que as mulheres estavam sob a autoridade do médico. Com isso, Marcelo é investigado por estupro de vulnerável.
Nota do Cremego
“O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informa que o registro do médico foi suspenso por ordem judicial. A informação consta no site do Cremego.
Sobre as acusações contra o profissional, o Cremego ressalta que todas as denúncias relacionadas à conduta ética de médicos, recebidas ou das quais toma conhecimento, são apuradas e tramitam em total sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional Médico. O Cremego também solicita esclarecimentos ao médico responsável técnico pela instituição citada nas denúncias.”
Médico Marcelo Arantes é suspeito de estuprar pacientes em Goiás
Divulgação/Polícia Civil
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