Moraes manda investigar Adail Filho por mala com R$ 1,2 milhão

Adail Filho (MDB), deputado federal pelo AmazonasKayo Magalhães / Câmara dos Deputados

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (22) a abertura de um inquérito para investigar o deputado federal Adail Filho (MDB) por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro.

A decisão foi tomada após a Polícia Federal (PF) prender três homens no aeroporto de Brasília (DF) com uma mala contendo grande quantidade de dinheiro em espécie, sem comprovação legal da origem. Segundo a Veja, o valor apreendido chega a R$ 1,2 milhão.

As investigações apontam indícios de desvio de verbas públicas, incluindo recursos de emendas parlamentares enviadas por Adail Filho (MDB) ao município de Coari (AM), onde o pai dele, Manoel Adail Pinheiro (Republicanos), é prefeito.

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Empresas e contratos sob apuração

No aeroporto de Brasília, a Polícia Federal prendeu em flagrante Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Vagner Santos Moitinho. Com eles, os agentes encontraram dinheiro em espécie, documentos, celulares e computadores.

Depois que a Justiça autorizou a análise desse material, a investigação apontou que empresas ligadas aos três presos fizeram transferências de dinheiro para Adail Filho (MDB) e Manoel Adail (Republicanos).

A investigação também mostra que essas empresas tinham contratos com a Prefeitura de Coari e podem ter sido usadas para fraudar licitações.

Segundo informações públicas, em 2024 e 2025, Adail Filho (MDB) enviou grandes quantias de dinheiro público para o município por meio de emendas parlamentares, que são recursos indicados por deputados para obras e serviços. Os valores vieram de repasses do governo federal para programas específicos e também de emendas individuais do parlamentar.

PGR pediu investigação no STF

O caso começou na 1ª Vara Criminal de Brasília, mas foi enviado ao STF por envolver um deputado federal, que tem foro privilegiado, ou seja, direito de ser investigado e julgado por tribunais superiores em algumas situações.

A Procuradoria-Geral da República (PGR), órgão responsável por investigar autoridades em certos casos, analisou o processo e pediu que o Supremo assumisse toda a apuração. Segundo o órgão, houve “caracterizada a relação dos fatos com o exercício do mandato parlamentar”.

A PGR também pediu “a autorização para a instauração de inquérito policial destinado a apurar a suposta prática dos delitos de corrupção e lavagem de dinheiro por parte de todos os investigados”.

Moraes aceitou o pedido da PGR e determinou a abertura da investigação no STF, sem dividir o caso. Agora, a Polícia Federal terá 60 dias para fazer novas apurações.

A 1ª Vara Criminal de Brasília foi avisada para enviar ao STF a parte da investigação que envolve suspeitos sem foro privilegiado.

O iG entrou em contato com o deputado Adail Filho (MDB) e com a Prefeitura de Coari (AM) para pedir um posicionamento sobre as suspeitas investigadas. Até a publicação desta matéria, não houve retorno.

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