Antes de Salvador, Brasília, Santos, Natal, Rio de Janeiro, São Paulo, Vitória, São Luís, Porto Alegre, Goiânia, Manaus, Maceió, Fortaleza, Belém, Recife, Curitiba, Campo Grande, Florianópolis e de qualquer outra cidade do país: essa cidade nordestina entrou na lista mundial e ganhou o segundo titulo brasileiro da historia

Antes de Salvador, Brasília, Santos, Natal, Rio de Janeiro, São Paulo, Vitória, São Luís, Porto Alegre, Goiânia, Manaus, , Maceió, Fortaleza, Belém, Recife, Curitiba, Campo Grande, Florianópolis e de qualquer outra cidade do país: essa cidade nordestina entrou na lista mundial e ganhou o segundo titulo brasileiro da historia

Antes de Salvador, antes do Rio Antigo, antes de Brasília e de qualquer outra cidade do país, só Ouro Preto tinha o selo de Patrimônio da Humanidade da UNESCO. Em 14 de dezembro de 1982, Olinda entrou na lista mundial e ganhou o segundo título brasileiro da história. São 1,2 km² de centro histórico, cerca de 1.500 imóveis tombados e 20 igrejas barrocas espalhadas por ladeiras de quase cinco séculos.

Como uma cidade de 1535 virou a segunda Patrimônio Mundial do Brasil?

O título saiu em 14 de dezembro de 1982, quatro anos depois de a Prefeitura iniciar a candidatura, segundo a Prefeitura de Olinda. O artista plástico pernambucano Aloisio Magalhães liderou a articulação política que levou o sítio histórico ao comitê da UNESCO, conforme registra a Fundação Joaquim Nabuco.

A história começou bem antes. Olinda foi fundada em 1535 por Duarte Coelho, primeiro donatário da Capitania de Pernambuco, e foi capital pernambucana até 1827. No século XVI e início do XVII, era a urbe mais rica do Brasil Colônia, chamada de pequena Lisboa por cronistas da época por causa da opulência do ciclo da cana-de-açúcar.

Cidade nordestina encanta visitantes com paisagens deslumbrantes
Olinda, Pernambuco // Créditos: depositphotos.com / [email protected]

Vale a pena viver em uma cidade tombada do telhado ao calçamento?

Vale para quem aceita morar dentro de um sítio histórico em que quase um terço do território é tombado. Olinda integra a região metropolitana do Recife, com cerca de 350 mil habitantes, e mantém uma vitalidade cultural própria, com agremiações carnavalescas, festas religiosas e ateliês ativos o ano todo, segundo a Prefeitura de Olinda.

O contraste é claro: a cidade tem ladeiras de pedra portuguesa, casarões coloridos com fachadas de azulejo e quintais com mangueiras centenárias, mas também tem orla litorânea, comércio popular, hospitais e shopping. A própria UNESCO reconhece, na descrição oficial do sítio, que o equilíbrio entre construções e jardins é o que dá o charme particular do município.

Cidade nordestina encanta visitantes com paisagens deslumbrantes
Olinda, Pernambuco // Créditos: depositphotos.com / [email protected]

Reconhecimento internacional: 3 selos que poucas cidades do mundo somam

Olinda reúne uma sobreposição rara de proteções patrimoniais que a colocam em uma categoria pequena dentro do Brasil. As três camadas oficiais são:

  • Tombamento federal pelo IPHAN (1968): o conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico foi inscrito nos três livros do tombo, segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
  • Monumento Nacional (1980): título concedido pelo Congresso Nacional, segundo a Prefeitura.
  • Patrimônio Cultural da Humanidade (1982): dossiê 189 da UNESCO, com área de 190,9 hectares e zona de amortecimento de 624 hectares, conforme a UNESCO.

O Bloco Homem da Meia-Noite, símbolo do carnaval olindense, foi reconhecido como Patrimônio Vivo de Pernambuco em 2006. Recentemente, a cidade recebeu 84 placas de sinalização turística com QR Codes, em parceria com a Organização das Cidades Brasileiras Patrimônio Mundial (OCBPM) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), segundo a Prefeitura.

O que fazer no centro histórico tombado pela UNESCO?

O passeio começa nas ladeiras do Carmo e sobe até o Alto da Sé, ponto mais alto da cidade. Os principais atrativos do sítio histórico são:

  • Alto da Sé: mirante panorâmico com vista da orla, da Catedral da Sé e do mar até Recife, com tapioqueiras tradicionais e barracas de artesanato.
  • Mosteiro de São Bento: segunda fundação beneditina em terras brasileiras, construído a partir de 1586, com altar-mor folheado a ouro e missas em canto gregoriano.
  • Convento de São Francisco: primeiro convento franciscano do Brasil, com claustro revestido por azulejos portugueses e 18 painéis sobre a vida de São Francisco.
  • Igreja de Nossa Senhora do Carmo: erguida a partir de 1580 em estilo barroco, restaurada e reaberta pelo IPHAN em 2012.
  • Embaixada dos Bonecos Gigantes: acervo com mais de 340 bonecos, incluindo o Homem da Meia-Noite, primeiro gigante de Olinda criado em 1931, e a Mulher do Dia, de 1967.
  • Museu do Mamulengo, Espaço Tiridá: primeiro museu de mamulengos da América Latina, inaugurado em 1994, com coleção de mais de 1.200 bonecos.
  • Quatro Cantos: cruzamento histórico onde se concentram blocos no carnaval, com casarões coloridos do século XVIII.

Na hora de comer, o Alto da Sé é a vitrine da gastronomia local. A tapioca do Alto da Sé virou Patrimônio Imaterial e Cultural da cidade em 2006. Os pratos típicos para experimentar são:

  • Tapioca do Alto da Sé: feita na hora pelas tapioqueiras com goma de mandioca, recheada com queijo coalho, carne de sol, charque ou coco com leite condensado.
  • Caldinho: porção pequena e quente de feijão, camarão, sururu ou peixe, servida em copos e vendida em barracas e bares populares.
  • Carne de sol com macaxeira e queijo coalho: prato pernambucano servido em casas tradicionais como a Casa de Noca, na Cidade Alta.
  • Bolo de rolo: doce típico com camadas finíssimas de massa e goiabada, símbolo gastronômico do estado.
  • Sarapatel: aperitivo feito com vísceras de bode cozidas, encontrado nos mercados públicos do sítio histórico.

Quem planeja uma imersão cultural em Pernambuco, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Tesouros do Brasil, que conta com mais de 86 mil visualizações, onde João Vitor mostra o roteiro definitivo por Olinda, incluindo dicas de onde comer, se hospedar e os encantos do sítio histórico:

Qual a melhor época para visitar Olinda?

O clima é tropical úmido e quente o ano inteiro, com pouca variação de temperatura. A diferença entre as estações está na chuva, mais intensa entre abril e julho.

Veja o panorama por estação:

Verão

24°C a 32°C
A grande alta temporada! A chuva recua e a cidade ferve com o turismo de praia, o agito no Alto da Sé e o imbatível Carnaval.
⭐ Alta Temporada / Carnaval

Outono

23°C a 30°C
As chuvas ganham bastante força no litoral. Fase ideal para focar em roteiros mais abrigados, explorando as belas igrejas, museus e ateliês.
☔ Chuva Alta

Inverno

22°C a 28°C
O ápice da estação chuvosa. É a época a ser evitada para quem busca praia, mas atende muito bem quem foca no centro histórico e na gastronomia.
☔ Muita Chuva / Evite

Primavera

23°C a 30°C
A precipitação diminui drasticamente, abrindo o tempo para os clássicos passeios a pé pelas ladeiras e para as tradicionais festas religiosas.
🌤 Chuva Baixa

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Marim dos Caetés?

Olinda fica colada a Recife, a apenas 6 km do centro da capital pernambucana. O Aeroporto Internacional dos Guararapes é o portão de entrada para quem vem de avião, com cerca de 18 km até o sítio histórico. Quem chega de carro pega a BR-101 norte e segue pela orla até a Praça do Carmo. Linhas regulares de ônibus e aplicativos de transporte conectam Boa Viagem, em Recife, ao centro de Olinda em menos de 30 minutos fora dos horários de pico.

Por que Olinda merece pelo menos uma viagem na vida

Poucas cidades do mundo guardam um sítio inteiro tombado em três camadas e ainda conseguem ser carnavalescas, religiosas e gastronômicas ao mesmo tempo. Olinda é o tipo de lugar que cabe num fim de semana, mas pede a vida toda para ser entendido.

Você precisa subir as ladeiras de Olinda e provar uma tapioca no Alto da Sé enquanto o sol se põe sobre as torres barrocas e o casario colorido.

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