No fundo do oceano, estruturas gigantescas desafiam a lógica e redefinem a biologia como a conhecemos. O pilar de cristal descoberto na Cidade Perdida não é apenas uma formação rochosa, mas um laboratório vivo que pode ser a chave para encontrarmos vida em outros mundos do nosso sistema solar.
O que é a Cidade Perdida e suas torres de cristal?
Localizado na Cordilheira Mesoatlântica, o campo hidrotermal Lost City abriga torres de carbonato branco que atingem até 60 metros de altura. Diferente de vulcões marinhos comuns, essas estruturas emitem fluidos alcalinos quentes e claros, criando um ambiente fantasmagórico e único.
Essas formações surgem de uma reação química entre a água do mar e rochas do manto terrestre, processo chamado de serpentinização. Ele gera calor e hidrogênio, alimentando uma vida microbiana densa sem qualquer luz solar.
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Como a vida prospera em um ambiente tão extremo?
O canal SciShow, com mais de 8,39 milhões de inscritos, explora como microrganismos sobrevivem em condições letais para a maioria dos seres vivos. O pilar funciona como uma usina química natural, fornecendo energia através de metano e hidrogênio em pH elevadíssimo.
Abaixo da superfície das torres, existe um ecossistema completamente independente da fotossíntese:
- Bactérias e arqueas que processam gases químicos para gerar energia vital
- Pequenos crustáceos e caracóis adaptados para viver nas paredes alcalinas das chaminés
Quais características químicas tornam o local tão especial?
Diferente das “fumaças pretas” ácidas, o fluido do pilar é altamente básico e rico em cálcio, permitindo que as estruturas cresçam por dezenas de milhares de anos com grande estabilidade geológica. Pesquisadores da National Science Foundation identificaram que essa química favorece o surgimento de moléculas complexas essenciais para a vida.
Confira as principais características que tornam a Cidade Perdida única entre os ambientes extremos conhecidos:

Essa estabilidade permite reações químicas delicadas e a formação de hidrocarbonetos, os blocos fundamentais para a construção da vida.
Por que a NASA estuda esse pilar no Atlântico?
Cientistas da NASA acreditam que as condições do pilar são idênticas às que existem sob o gelo da lua Europa, de Júpiter. Se a vida surge no fundo escuro do nosso oceano por reações químicas, ela pode estar ocorrendo agora mesmo em outros planetas.
O local serve como campo de testes perfeito para instrumentos de missões espaciais futuras. Aprender a detectar vida na Cidade Perdida ajuda robôs espaciais a saberem exatamente o que procurar nos oceanos extraterrestres.

Essa descoberta muda nossa busca por vida no universo?
A existência do pilar prova que não precisamos de sol ou oxigênio para que um ecossistema complexo se desenvolva. Isso expande drasticamente a zona habitável do universo, colocando luas geladas no topo da lista da astrobiologia.
Se Júpiter possui atividade geológica similar em suas luas, o fundo de seus oceanos internos pode estar repleto dessas torres brancas. O estudo desse fenômeno terrestre nos dá esperança real de que não estamos sozinhos no cosmos.
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