
O fenômeno climático El Niño deve se instalar no Oceano Pacífico mais cedo do que o habitual, com previsão de formação já em maio, durante o outono. Especialistas indicam que o sistema pode atingir forte intensidade ao longo do inverno, quando normalmente seu desenvolvimento ainda está em fase inicial.
Em geral, o El Niño se estabelece entre o inverno e a primavera, mas desta vez o aquecimento das águas do Pacífico pode antecipar seus impactos. No Brasil, o fenômeno tende a provocar aumento do volume de chuvas na região Sul, com destaque para o Rio Grande do Sul, onde há maior risco de eventos extremos.
Nas demais regiões, os impactos devem ser diferentes. No Norte e no Nordeste, o El Niño costuma reduzir a precipitação, aumentando o risco de períodos de seca. Já no Centro-Oeste e no Sudeste, o principal efeito é a irregularidade das chuvas, além do aumento das temperaturas e de ondas de calor.
Entre os efeitos esperados estão ainda:
aumento da frequência de ondas de calor no segundo semestre de 2026; maior ocorrência de baixa umidade do ar na primavera; risco de atraso no início do período chuvoso no Centro-Sul; aumento do risco de incêndios florestais; maior consumo de energia elétrica devido ao calor intenso; impacto na saúde, especialmente em crianças e idosos.
Fenômeno já em formação
Segundo especialistas, o outono deste ano já apresenta influência de um El Niño costeiro, caracterizado por aquecimento localizado no litoral de países como Peru e Equador. Diferente do fenômeno clássico, esse tipo de aquecimento tem menor abrangência global.
No entanto, meteorologistas alertam que os efeitos mais significativos do El Niño no clima global devem ocorrer apenas ao longo do segundo semestre de 2026.
Riscos no Sul do Brasil
Com o avanço do fenômeno, os episódios de chuva tendem a se tornar mais frequentes e intensos no Sul do país. Estados como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul podem enfrentar maior incidência de temporais.
Segundo especialistas, a combinação entre o ar quente e úmido vindo do Norte e a passagem de frentes frias mais intensas no outono e inverno favorece a formação de áreas de instabilidade.
Apesar do aumento do risco de chuvas fortes, meteorologistas destacam que ainda é cedo para comparar o cenário com as enchentes registradas em 2024 no Rio Grande do Sul.
