
Nestas duas fotografias capturadas em 1998, vemos Amy Winehouse com 15 anos, no auge de sua adolescência. Ainda uma promessa talentosa, ela não tinha começado a dar os primeiros passos na carreira, uma completa anônima. Seria no ano seguinte, em 1999, que ela encantaria o público com sua voz marcante na sua curta, mas intensa carreira.
Seu background era forte, ela era filha de uma família enraizada no jazz, então foi fácil adentrar nos seus primeiros palcos, os pequenos clubes de Londres, onde sua inigualável voz rouca, suas letras escritas através se suas dores e amores, ela arrebatava os amantes de Jazz da capital inglesa.
O sucesso não tardou. E não foi qualquer sucesso, desses que não passavam das fronteiras da rádio local. Sua potente voz foi forte o suficiente para transpassar as fronteiras da terra da rainha. Ela se tornou um verdadeiro fenômeno global, símbolo de uma geração que encontrava em sua música uma sinceridade brutal e vívida.
Ela circulava na cadência do Soul, Jazz, R&B, misturava e reinventava tudo, transformando cicatrizes pessoais em hinos atemporais que embalaram dores, términos e até amores.
Mas enquanto sua carreira subia como um foguete, sua vida pessoal desabava em pedaços a olhos nus . Tudo era visto e posto em evidência, as manchetes sobre a jovem promessa da música, passaram a não falar apenas de sua genialidade, mas também de excessos, conflitos de família, vícios e dos amores que iam e vinham, homens que a feriram mais do que curaram. A jovem artista, que cantava que o amor é um jogo perdido, escrivia suas letras como quem narra em um diário seu próprio destino de vida; mesmo com a fama, com o dinheiro e com a carreira de sucesso, ela demonstrava nelas que não vivia em um sonho, mais um pesadelo, ela parecia incapaz de escapar das armadilhas que a cercavam todos os dias.
Logo, não foi só sua carreira e vida que começaram a definhar, mas sua saúde, era impossível esconder um corpo que demonstrava, diante dos olhos de todos, as verdadeiras marcas desta rotina cheia de dores e traumas.
Era possível vê-la definhando e se apagando no palco, e sim todos sabiam, sua vóz não era mais a mesma, sua presença no palco também não, e a mídia fazia questão de mostrar, afinal, seu fim era vendável. A ponto de seu talento ser ofuscado pelos seus demônios pessoais.
Enfim, como fechamento dessa tragédia anunciada em manchetes em letras garrafais, em 23 de julho de 2011, Amy Winehouse foi encontrada morta em seu apartamento em Londres. Tinha 27 anos. A causa: intoxicação alcoólica. Ela foi mais uma que pereceu após a dura luta contra seus próprios fantasmas. Entrava, assim, para o trágico “Clube dos 27”, aquele mítico, seleto e melancólico grupo de artistas geniais que partiram cedo demais porque brilharam demais.
Hoje, Amy permanece viva em suas canções, cada nota, cada verso, um lembrete de que algumas estrelas brilham tão forte que acabam se consumindo no próprio fogo, mas jamais desaparecendo, sua obra está aí para quem quiser ouvir e obviamente sentir.
