
Égua ‘super doadora’ vendida por R$ 22 milhões em leilão
Divulgação/Rancho JBF
A criação de cavalos tem movimentado milhões todos os anos no mercado de animais de elite em Goiás. A raça Quarto de Milha, originária dos Estados Unidos, impulsiona negócios no Brasil e no exterior. Em um leilão realizado em Nazário, no oeste do estado, o faturamento chegou a quase R$ 130 milhões em três dias, em 2025. Apenas uma fêmea, considerada ‘super doadora’, foi vendida por R$ 22 milhões, segundo o organizador.
No mesmo evento, também foram comercializados R$ 22 milhões em sêmen de um garanhão chamado Maverick, de acordo com o criador Fabrício Batista, proprietário do rancho JBJ. Ele se prepara para o próximo leilão, previsto para ocorrer entre os dias 15 e 17 de maio, e estima receber visitantes do Brasil e do exterior.
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Ao g1, o empresário explicou que o principal atrativo do mercado é o retorno financeiro, seja por meio de competições ou da reprodução.
“É um mercado muito grande. São animais que estão no Brasil e vários animais que estão nos Estados Unidos”, afirmou.
Segundo ele, a compra de um cavalo de elite não é apenas por status, mas sim um investimento.
“As pessoas não compram um animal caro desse só para ter no haras. O objetivo é o retorno financeiro, que vem com o tempo, seja por premiações ou pela venda de descendentes”, disse.
‘Garanhão’ Maverick teve R$ 22 milhões de sêmen comercializado.
Divulgação/Rancho JBF
Competições movimentam premiações milionárias
De acordo com Fabrício, as competições se concentram na modalidade de rédeas, uma das 26 categorias da raça Quarto de Milha, com prêmios que podem variar de R$ 500 mil a R$ 1 milhão.
“Os animais com genética apurada são preparados para as pistas, onde os prêmios podem chegar a R$ 1 milhão. O investidor busca retorno financeiro por meio dessas vitórias”, explicou.
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Reprodução impulsiona mercado
Outra frente importante é a reprodução. Investidores adquirem matrizes e garanhões de alto padrão para gerar descendentes que serão vendidos em leilões ou negociações privadas.
“Embora exista paixão pela criação, nesse nível o foco é o retorno econômico”, destacou Fabrício
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Segundo o criador, o setor vai além da venda de animais e sustenta uma cadeia produtiva ampla, que inclui transporte, clínicas veterinárias, exames, nutrição animal e treinamento. No Brasil, o mercado do cavalo Quarto de Milha é estimado em R$ 30 bilhões, podendo chegar a R$ 170 bilhões nos Estados Unidos.
“A movimentação envolve desde logística até turismo de negócios, com investidores de vários estados e até de fora do país”, explicou
Conexão internacional fortalece setor
Um dos diferenciais da criação está na conexão com os Estados Unidos. O JBJ Ranch mantém uma estrutura no Texas, de onde exporta cerca de 30 cavalos por ano para o Brasil. O transporte é feito por via aérea até Campinas (SP) e, depois, para Nazário (GO).
“O leilão reúne a produção brasileira e americana, com linhagens consagradas e vencedoras”, afirmou. Segundo ele, o melhoramento genético no Brasil tem atraído investidores estrangeiros, invertendo o fluxo de negócios.
Paixão que vai além do investimento
Apesar do foco financeiro, há quem crie cavalos por paixão. É o caso do empresário Marcos Juliano, de 53 anos, que mantém um rancho em Goiânia com oito animais.
“Minha paixão começou na infância, pela conexão com esses animais e pela sensação de liberdade que eles proporcionam”, contou.
Ao g1, ele disse que compartilha esse interesse com a esposa, Juscileide Pinto, com quem está há 25 anos. Segundo ele, a criação também virou parte da rotina do casal.
“Já tem mais de cinco anos que, no aniversário dela, o presente é um cavalo”, disse.
Marcos e Juscileide estão casados há 25 anos e compartilham da paixão por cavalos
Arquivo Pessoal/Marcos Juliano
Tradição e estilo de vida
Marcos destacou que a principal motivação é a convivência com pessoas ligadas ao meio rural e à cultura tradicional. Ele também participa de grandes eventos e já dividiu palco com o cantor Gusttavo Lima, em apresentações culturais.
“Essa paixão pelos cavalos já me levou até Dubai, onde conheci a cultura local e trouxe lembranças ligadas ao universo equino”, relatou.
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