Internacionalização de empresas brasileiras avança e muda estratégia de expansão, aponta estudo

INTERNACIONALIZAÇÃO DE EMPRESAS BRASILEIRAS

A internacionalização de empresas brasileiras deixou de ser uma estratégia restrita à exportação de produtos e passou a envolver a construção de marca e presença local nos mercados de destino. Segundo levantamento da Endeavor, 71% dos empreendedores brasileiros já iniciaram ou estão se preparando para expandir seus negócios para fora do país, indicando uma mudança relevante no posicionamento das empresas nacionais no cenário global.

Na avaliação de Guilherme França, sócio da Intrust Associates, o movimento exige uma mudança de mentalidade. Ele afirma que vender a partir do Brasil, por meio de distribuidores, limita o controle sobre a forma como a marca é percebida no exterior.

“O desenvolvimento do mercado local permite construir demanda e posicionar o produto de forma mais consistente, evitando que ele se torne apenas mais uma opção nas prateleiras”, avalia.

A estratégia de presença internacional também tem impacto direto no acesso a capital. França destaca que investidores estrangeiros tendem a priorizar empresas que já demonstram atuação local e conhecimento das dinâmicas regulatórias e de consumo. Esse posicionamento reduz a percepção de risco e facilita a aproximação com fundos e parceiros estratégicos.

No caso das pequenas e médias empresas (PMEs), a internacionalização tem seguido um modelo mais gradual. O avanço das ferramentas digitais e do marketing permite testar mercados antes de investimentos mais robustos. Entre as estratégias adotadas estão o uso de influenciadores, parcerias com formadores de opinião e operações digitais direcionadas, além de iniciativas pontuais como lojas temporárias para validação de demanda.

Apesar do avanço, o principal desafio não está na entrada formal nos mercados internacionais, mas na execução local. A abertura de empresas, logística e processos regulatórios são considerados etapas conhecidas, enquanto a adaptação da comunicação e a construção de marca exigem maior conhecimento do consumidor local.

O desafio envolve definir quem será responsável por posicionar a marca e como adaptar a linguagem sem perder identidade, avalia.

Entre os erros mais recorrentes, França aponta a manutenção da mentalidade focada apenas na exportação, a dependência excessiva de distribuidores para a construção de marca e a subestimação das diferenças culturais.

Segundo ele, empresas que não ajustam sua comunicação tendem a ter menor aderência nos mercados europeus, onde a percepção de valor está diretamente ligada à forma como a marca se apresenta.

O avanço da internacionalização de empresas brasileiras ocorre em um momento de maior integração dos mercados e ampliação das oportunidades para negócios que conseguem adaptar sua proposta de valor.

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