Santa Catarina fornece navio de alta tecnologia à Marinha

Topo do navio tem espaço para pouso de aeronaves de médio porteCadu Barbosa / iG

A Marinha do Brasil incorporou, na sexta-feira (24), a primeira fragata “Tamandaré” (F200), navio de guerra de uma nova geração de embarcações militares construídas em Itajaí (SC). O navio partiu do Estaleiro Brasil Sul, da empresa TKMS, com cerca de 130 militares e civis a bordo e realizou uma série de testes até chegar ao Rio de Janeiro.

Foi a primeira de outras três embarcações estão sendo construídas simultaneamente no estaleiro catarinense, um feito inédito na história militar naval brasileira, segundo a Marinha.

Os navios fazem parte do primeiro lote do Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), que, por sua vez, integra um Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal para modernizar a frota marítima do país.

Durante a cerimônia de incorporação da primeira fragata, foi assinado um Memorando de Entendimento para a construção de um segundo lote com mais quatro fragatas da mesma classe, dobrando o número de embarcações previstas.

143 tripulantes embarcando na nova fragata da Marinha do BrasilCadu Barbosa / iG

Com a F200 entregue, o cronograma das próximas embarcações se estende até 2029. A “Jerônimo de Albuquerque” (F201) tem mostra de armamento (última etapa do projeto) prevista para 2027, a “Cunha Moreira” (F202) para fevereiro de 2028, e a “Mariz e Barros” (F203) fechará o primeiro lote em 2029. Confira os detalhes das próximas etapas abaixo:

O programa tem como foco a transferência de tecnologia e o fortalecimento da indústria nacional.

A F200 foi construída no Brasil com conhecimento técnico repassado por empresas alemãs, dentro de um modelo que prevê aumento progressivo do conteúdo nacional embutido nos projetos e maior autonomia do País na produção de sistemas navais.

As fragatas da classe Tamandaré são navios de guerra de grande porte, com mais de 100 metros de comprimento, capacidade de atingir cerca de 47km/h (25 nós) e carregar 130 militares. Equipadas com mísseis, torpedos e radares modernos, podem atuar contra ameaças no mar, no ar e abaixo da superfície.

Os novos navios contribuirão para a proteção de mais de 5,7 milhões de km² da “Amazônia Azul”, área marítima sob jurisdição brasileira que abrange águas territoriais, zona econômica exclusiva e plataforma continental.

Navio conta com diversos botes que podem ser acionados para operações na superfícieCadu Barbosa / iG

Além das missões de Defesa, as Fragatas executarão operações de busca e salvamento, combate à poluição marinha, fiscalização de pesca ilegal, repressão à pirataria e atendimento a compromissos internacionais de diplomacia naval e missões humanitária.

Segundo o órgão de defesa, essas embarcações são meios essenciais para a projeção de poder naval brasileiro no Atlântico Sul e para a proteção dos recursos naturais estratégicos da Amazônia Azul.

Programa é um dos maiores investimentos recentes na Base Industrial de Defesa

O Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT) é classificado pela Marinha do Brasil como um dos principais investimentos recentes na indústria de defesa do País, com impacto direto na geração de empregos e no desenvolvimento tecnológico. A estimativa é de cerca de 23 mil postos de trabalho, sendo 2 mil diretos, 6 mil indiretos e 15 mil induzidos.

Ainda conforme o órgão, o projeto também mobiliza mais de mil fornecedores em todo o Brasil, formando uma cadeia produtiva que vai da metalurgia e sistemas eletrônicos até a logística e a infraestrutura naval. Em Santa Catarina, 31 empresas já participam do fornecimento de equipamentos e insumos, posicionando o estado como um dos polos do setor.

O programa prevê mais de R$ 500 milhões em arrecadação de impostos e cerca de R$ 4,8 bilhões em conteúdo nacional, com participação de mais de mil fornecedores em todo o País.

A embarcação faz parte de programa de modernização e transferência tecnológica para proteger Amazônia AzulFoto: Marinha do Brasil

Além do impacto econômico, a Marinha destaca a transferência de tecnologia envolvida nos projetos. O modelo prevê aumento gradual do conteúdo nacional, começando com 30% no primeiro navio para 40% nas próximas unidades, e inclui o aprendizado de técnicas industriais e de engenharia.

Com isso, a cidade de Itajaí (SC) fortalece papel de parceria industrial com o órgão, reunindo fornecedores, mão de obra especializada e infraestrutura voltada para os projetos com tecnologia modernizada.

A quarta fragata começou a ser construída em janeiro deste ano e a previsão de lançamento é 2027.

Marinha anunciou outro navio nesta segunda (27)

Além do avanço no programa de fragatas, a Marinha do Brasil lançou, nesta segunda-feira (27), o navio-patrulha “Mangaratiba” (P73), no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. 

A embarcação é a quarta da classe “Macaé” e será empregada em ações de patrulhamento, proteção de plataformas de petróleo e gás, além de missões de busca e salvamento e combate a ilícitos no mar.

Com mais de 50 metros de comprimento e autonomia superior a 4 mil quilômetros, o navio amplia a capacidade de monitoramento das águas sob jurisdição brasileira. Após o lançamento, a embarcação ainda passará por testes antes de ser incorporada ao setor operativo.

O “Mangaratiba” integra outro Programa de Obtenção de Navios-Patrulha (PRONAPA), que prevê a construção de 11 embarcações e a ampliação da presença da Marinha no mar. A iniciativa também faz parte do Novo PAC e busca fortalecer a indústria naval e a capacidade de defesa do País, com geração de empregos e aumento do conteúdo nacional.

O movimento ocorre em paralelo ao Programa Fragatas Classe Tamandaré e reforça a estratégia de modernização da frota e de proteção da Amazônia Azul, área de mais de 5,7 milhões de km² considerada estratégica para o Brasil.

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