Tarcísio se consolida

Tarcisio x HaddadArquivo pessoal

Comenta-se nos bastidores que Tarcísio de Freitas, atual governador de SP, seria orientado politicamente por Gilberto Kassab e este teria dito ao governador de SP que não buscasse a presidência, mas a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes. Tarcísio decidiu seguir a orientação e, tudo indica, fez boa escolha.

O Instituto Gerp colheu a opinião de 1000 eleitores em todo o estado de SP. Num cenário de lembrança espontânea do nome, o governador surge com 31% da preferência ante 9% de Fernando Haddad, candidato do PT. Na pesquisa induzida, com apresentação dos nomes, a diferença é ainda maior em favor do atual governador: 51% x 35%. 

Haddad tem uma parada para lá de indigesta pela frente, mas, a essa altura, já atravessou o Rubicão, ou seja, não tem como recuar. Lula tem fixação por SP e costuma ter boa votação para o seu nome por aqui, especialmente na cidade de São Paulo. O PT, contudo, nunca fez um governador de estado em SP, muito embora já tenha eleito prefeitos por três ocasiões para a capital paulista: Luiza Erundina, Marta Suplicy e o próprio Fernando Haddad. 

Em 2022, Tarcísio era então o candidato ungido por Jair Bolsonaro para governar as terras bandeirantes. E disputou com o mesmo Haddad. Àquela altura, as pesquisas colocavam Haddad na frente de Tarcísio (41% x 31%, 1° turno). Conferidos, porém, os votos ao final, segundo turno, o resultado foi bem diferente: 55,27% para Tarcísio e 44,73% para Haddad. 

O interior do estado de SP é bastante conservador e até mesmo anti-petista. Há prefeituras ganhas pelo PT, como o caso notório de Araraquara, com Edinho Silva (atual presidente do PT), cumprindo dois mandatos consecutivos ali (2017-2024), contudo, no geral, a esquerda, em especial o PT, sempre teve grandes dificuldades ali. E sem os votos do interior, nenhum candidato se elege governador dos paulistas. 

Ciente dessa desfavorável condição, Lula designou Simone Tebet e Marina Silva para disputarem as duas vagas do Senado em jogo nesta próxima eleição. A disputa se dará, além das duas candidatas citadas, com Guilherme Derrite (PP); Coronel Mello Araújo (PL); Ricardo Salles (Novo) e; Paulinho da Força (Solidariedade). Dificilmente as duas vagas ficarão com as preferidas de Lula, mas é razoável supor que ao menos uma delas poderá ganhar sim. 

Para Haddad, o quadro é mais nebuloso. Além da rejeição ao governo Lula ser bastante expressiva em SP (aprovação de 42,1% x desaprovação de 54,7% ), há que se considerar dois aspectos adicionais: a. Haddad fez parte desse governo com alta taxa de desaprovação em SP, exercendo função de primeira grandeza, Ministro da Fazenda e; b. Haddad já foi prefeito de São Paulo e saiu com uma desaprovação recorde de 47,7% ante 14% de aprovação. 

O candidato petista teria que se descolar de Lula, ao menos parcialmente, e mostrar que mudou. No entanto, nem uma coisa e nem a outra parecem estar em linha de consideração pelo ex-ministro, um conhecido e reconhecido fiel seguidor das ordens de Lula, o que é comprovado por sua própria candidatura, uma determinação do presidente. Em 2018, Haddad foi para o sacrifício, candidatando-se à presidência e agora faz o mesmo. 

Por outro lado, Tarcísio por certo projeta disputar o Planalto em 2030, com Lula já fora do páreo. Isso é o que Gilberto Kassab lhe disse, para convencê-lo a ficar em SP esse ano. Contudo, a política é dinâmica, até mesmo volúvel, por natureza. De 2027 a 2030 muita coisa pode acontecer e dificilmente o cenário estará exatamente como agora. Se Tarcísio não considerou isso em sua matemática política, pode se frustrar lá na frente.

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