A última reunião do Federal Reserve sob a presidência de Jerome Powell começou nesta terça-feira (28) e deve reforçar um cenário já consolidado pelos mercados: a manutenção da taxa de juros nos Estados Unidos. O encontro do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) ocorre em meio ao avanço das tensões no Oriente Médio e à persistência da inflação acima da meta.
Atualmente, os juros americanos estão na faixa entre 3,50% e 3,75%, nível que deve ser mantido ao fim da reunião. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de manutenção é de 100%, refletindo o consenso entre investidores e analistas.
Inflação e guerra no radar do Fed marcam última reunião de Powell
O pano de fundo da decisão segue praticamente inalterado desde o último encontro. De um lado, a inflação continua acima da meta de 2%, com o núcleo do índice de preços para gastos com consumo pessoal (PCE) em 3,1%. De outro, o cenário geopolítico adiciona pressão adicional sobre os preços.
A guerra envolvendo o Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz têm elevado os preços de energia no mercado global, fator que tende a impactar diretamente a inflação e dificultar o processo de convergência para a meta do banco central americano.
Esse ambiente reforça a necessidade de cautela por parte do Fed, que busca equilibrar o controle inflacionário sem comprometer o ritmo de crescimento da economia.
Na avaliação de Andressa Durão, o Federal Reserve deve manter a taxa de juros inalterada e reforçar a leitura de que os riscos inflacionários permanecem elevados, especialmente diante do prolongamento do conflito envolvendo o Irã e seus efeitos sobre os preços de energia.
“Os dados mais recentes indicam que a inflação de serviços continua pressionada, enquanto atividade e mercado de trabalho seguem resilientes, o que sustenta um cenário em que o banco central tende a adotar cautela e adiar eventuais cortes de juros”, avalia.
Crescimento sólido, mas com inflação persistente
Na última reunião, realizada em março, o Fed já havia optado por manter os juros inalterados pela segunda vez consecutiva no ano, destacando que a economia dos Estados Unidos segue resiliente.
O crescimento permanece sólido, mas acompanhado de uma inflação ainda persistente, o que limita o espaço para cortes de juros no curto prazo. Esse cenário tem sustentado a estratégia de pausa na política monetária adotada pela autoridade monetária.
Mercado atento ao tom do comunicado
Embora a decisão de manter os juros seja amplamente esperada, o foco do mercado estará na comunicação do Fed. Investidores buscam sinais sobre os próximos passos da política monetária, especialmente diante da combinação entre inflação elevada e riscos geopolíticos.
A leitura do comunicado e da coletiva de imprensa pode indicar se o banco central considera a inflação sob controle ou se avalia a necessidade de manter os juros elevados por mais tempo.
Fim de um ciclo no Federal Reserve
Mais do que a decisão em si, a reunião carrega um peso simbólico ao marcar o encerramento de um ciclo sob a liderança de Powell. Durante sua gestão, o Fed enfrentou desafios relevantes, incluindo a pandemia, a disparada inflacionária global e mudanças no ambiente econômico internacional.
O encontro desta semana, portanto, não apenas define o atual momento da política monetária americana, mas também encerra uma fase importante na condução do banco central dos Estados Unidos.
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