Zema afirma que equilíbrio de poderes depende de Supremo ‘sem rabo preso’


O ex-governador Romeu Zema (Novo), em visita à Agrishow, em Ribeirão Preto (SP).
Érico Andrade/g1
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo-MG) voltou a questionar a independência do trabalho dos ministros quando avaliam pedidos de investigação em meio a críticas ao Supremo Tribunal Federal e a uma troca de farpas com Gilmar Mendes.
“Eu acho que nós precisamos é de ter também um Supremo sem o rabo preso. Hoje, eles estão lá tentando fazer o quê? Evitar investigações”, disse o pré-candidato à Presidência da República, em visita à Agrishow, feira de tecnologia agrícola em Ribeirão Preto (SP).
Zema falou sobre o assunto ao ser questionado sobre como seria possível existir uma harmonia entre os três poderes em um cenário em que ele, crítico da atual estrutura do STF, assumisse o Executivo. O ex-governador também ressaltou que as críticas dele não são direcionadas a nenhum ministro.
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Após ser ironizado por Zema com um fantoche em um dos vídeos da série “Intocáveis”, Mendes pediu a inclusão de Zema no inquérito das “fake news” ao relator Alexandre de Moraes e, ao comentar o pedido, utilizou um exemplo de algo que ele avalia que Zema não aceitaria ser relacionado.
PGR arquiva pedido de investigação contra Gilmar Mendes por homofobia em críticas a Zema
“Imagine que comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo?”, falou o ministro durante a entrevista. Mais tarde, nas redes sociais, Mendes se desculpou.
Diante disso, Zema entrou com um pedido de investigação contra o decano por homofobia, mas a Procuradoria-Geral da República (PGR) arquivou a solicitação.
“Em 2018 eu estava com um por cento das intenções de voto, eu não tenho intenção de atacar ninguém, eu tenho intenção é de mostrar propostas para o Brasil, nós precisamos de uma reforma profunda no judiciário. E se eles se sentiram ofendidos é porque não estão querendo, querem que o Supremo continue sendo o Supremo Tribunal de Negócios como ele tem se transformado.”
Ironia ao sotaque mineiro
No interior de São Paulo, o ex-governador também reagiu a falas de Gilmar Mendes ironizando o sotaque mineiro do pré-candidato à Presidência da República ao reagir a vídeos com críticas ao trabalho do Supremo.
“Eu falo português, o mineirês, que inclusive sou do Triângulo Mineiro, muito próximo aqui a Ribeirão Preto, e tenho até orgulho do meu sotaque, que tem uma semelhança muito grande aqui com essa região de São Paulo. Acho que o ministro é que está utilizando um português muito esnobe”, disse.
Desde que se colocou como um possível nome para disputar o Executivo, Zema tem feito críticas a decisões e gastos do Supremo Tribunal Federal, sugerido mudanças no judiciário e publicado vídeos pela série “Intocáveis”, em que tem ironizado ministros.
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Em uma de suas últimas publicações, depois de ser incluído no inquérito das “fake news” pelo decano, ele mostra uma representação fictícia do ministro solicitando a Alexandre de Moraes a inclusão de Zema na investigação.
Em resposta, durante uma entrevista para uma emissora de TV, Gilmar Mendes ironizou o sotaque do ex-governador mineiro ao dizer que ele utilizava um dialeto próximo do português e que não conseguia compreender o que ele dizia.
Zema critica Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes
Reprodução/Redes Sociais
“Até por estar isolado da sociedade brasileira, ele deveria comparecer a um evento igual esse aqui, que aí ele iria perceber que eu converso a mesma língua do produtor rural. Eu que sempre percorri o interior de Minas, converso um linguajar que é de quem trabalha o dia todo, quem tá no sol quente”, disse Zema, em resposta.
Segundo o pré-candidato a presidente, as falas do decano mostram um isolamento do Supremo com relação à sociedade.
“O excesso de ar-condicionado, de bajuladores, tem feito mal a alguns brasileiros que na minha opinião estão até se isolando da sociedade. E está claríssimo, até porque o Supremo hoje é o ente, um instituto público que tem menos credibilidade no Brasil. Precisamos mudar essa visão desses intocáveis que fica muito claro esse distanciamento deles, esse discriminação.”
Ministro Gilmar Mendes e Romeu Zema
Rosinei Coutinho/SCO/STF e Reprodução/TV Globo
Palco político no interior de SP
Zema é um dos políticos que, desde o início desta semana, têm marcado presença na Agrishow, considerada a maior feira de tecnologia agrícola do país. Pela representatividade no agro, o evento se tornou uma parada quase obrigatória para aqueles que buscam uma maior proximidade com o setor na corrida eleitoral de 2026.
Antes dele, também passaram pelo evento o vice-presidente da República Geraldo Alckmin (PSB). Acompanhado por autoridades, e diante de críticas do segmento com relação a problemas como altas taxas de juros e endividamento, ele anunciou uma linha de crédito de R$ 10 bilhões para a compra de equipamentos agrícolas.
Na segunda-feira (27), foi a vez de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Flávio Bolsonaro (PL) visitarem a feira, em um primeiro ato pré-eleitoral conjunto entre o governador, que acena com a tentativa de buscar a reeleição, e do senador, que anunciou sua pré-candidatura à presidência da República. Durante o evento, eles fizeram críticas ao governo federal, principalmente às políticas voltadas para o setor agropecuário.
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