
Emirados Árabes Unidos anunciam saída da OPEP
A terça-feira (28) registrou outro momento histórico: os Emirados Árabes Unidos anunciaram que vão deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo. A decisão expõe uma disputa com a Arábia Saudita pelo controle do mercado mundial de energia.
Um redesenho de forças. Seria o começo do fim da Opep? A pergunta ecoou depois do anúncio surpreendente dos Emirados Árabes Unidos, depois de quase 60 anos na Organização dos Países Exportadores de Petróleo. O grupo nasceu no início da década de 1960 e coordena estratégias de produção capazes de influenciar o preço do petróleo no mundo inteiro.
O líder do cartel, a Arábia Saudita, exporta cerca de três vezes mais que os Emirados. Os sauditas seguem uma política de limitar as exportações para manter o preço do barril em alta. Os Emirados estão insatisfeitos com a sua cota, querem aumentar a produção, mesmo que isso signifique preços mais baixos. O assunto já provocou discussões entre os dois países dentro da Opep.
O presidente Donald Trump já tinha acusado a organização de explorar o resto do mundo, inflacionando o preço do petróleo. O anúncio da saída também veio no dia seguinte a uma crítica aberta dos Emirados à falta de uma resposta militar coordenada de países da região aos ataques do Irã.
Especialistas consideram o anúncio uma derrota para a Arábia Saudita e uma vitória para os Estados Unidos. O analista Jorge Leon, de uma consultoria norueguesa, disse que o rompimento é visível, já que o ministro dos Emirados deixou claro que não consultou o governo saudita. Jorge Leon fala em realinhamento geopolítico, com os Emirados mais próximos de Israel e dos Estados Unidos. Mas ele explicou também que não acredita em um impacto imediato nos preços, por causa do bloqueio no Estreito de Ormuz.
Donald Trump postou que o Irã teria informado que está em “estado de colapso” e que quer a abertura do Estreito o mais rapidamente possível. As negociações estão emperradas.
Emirados Árabes Unidos anunciaram que vão deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo.
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Israel x Hezbollah
Na outra frente da guerra, o Exército israelense ordenou a retirada imediata de moradores de 16 cidades e vilarejos no sul do Líbano. Israel e o grupo extremista libanês Hezbollah, financiado pelo Irã, trocam acusações pela quebra do cessar-fogo.
Em Genebra, o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários destacou que a situação no Líbano permanece frágil e instável. Apesar da trégua, 115 mil pessoas ainda não puderam voltar para casa.
Um bombardeio israelense no sul do Líbano matou 14 pessoas no domingo (26). Brasileiros estavam entre as vítimas. Manal Jaafar, brasileira naturalizada, morreu ao lado do filho Áli, de 11 anos, do marido, o libanês Ghassan Nader, e de uma uma funcionária que era da Etiópia. Em uma foto, o menino aparece perto da casa que foi destruída. Em Foz do Iguaçu, no Paraná, Mohamad Nader, sobrinho de Ghassan, contou como a família recebeu a notícia:
“Devastador, uma coisa muito ruim, porque você está muito longe e não tem nada que você possa fazer”.
A família chegou a viver quase 20 anos em Foz, antes de voltar ao país de origem em 2010. O irmão de Manal, Mohammed, disse que eles tinha fugido da região do conflito semanas antes, por causa dos bombardeios, mas voltou durante o cessar-fogo para buscar objetos pessoais, quando houve o ataque.
“Eles iam e voltavam, iam e voltavam. Na segunda vez, foram lá e, normal, como família, fazendo um almoço. O único filho deles que se salvou estava fora”, diz Mohamad Ali Kassem Jaafar, irmão de Manal Jaafar.
JN conversa com família de brasileiros mortos em bombardeio no Líbano
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O documentarista Gabriel Chaim conversou, no Líbano, com parentes do casal. O filho mais velho de Ghassan, de 22 anos, foi levado para o hospital e já teve alta. Ele nasceu em Foz do Iguaçu.
“Ele estava fora de casa, bem na frente da casa, junto com o irmão dele de 11 anos. E quando o míssil atingiu a casa, o irmão dele morreu por conta dos estilhaços, dos destroços. E o pai do Ghassan e a mãe, junto com a doméstica que trabalhava naquela casa, perderam a vida. OS corpos não foram encontrados ainda”, conta documentarista Gabriel Chaim.
“Ele lembra que, nesse momento, dessa bomba grande, só alguém chamando: ‘Tem alguém aqui vivo?’ E ele falou: ‘Eu estou aqui’. Aí eles pegaram ele e levaram para o hospital. E ele falando: ‘Meu pai, minha mãe, meu irmão estão dentro de casa'”, diz Mahmoud, médico e tio de Qassem.
Uma outra família brasileira, em uma cidade próxima, escapou por pouco quando um míssil caiu sem explodir. A família está abrigada em uma escola.
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