Golpe com ‘falso vômito’ em ônibus de SP leva a furtos de celulares; vítimas relatam ação rápida e em grupo


Passageiros enfrentam ônibus lotado em São Paulo.
Fernando Frazão/Agência Brasil
Ao menos dois relatos publicados nas redes sociais apontam para um novo tipo de golpe dentro de ônibus na cidade de São Paulo. Em denúncias semelhantes, vítimas dizem ter sido furtadas após criminosos simularem uma situação de vômito, utilizando algum tipo de substância pastosa para distraí-las e facilitar o crime.
Um dos casos foi relatado pelo criador de conteúdo Guilherme Giaretta, de 23 anos. Ele conta que voltava do trabalho, sentado no ônibus, quando foi alertado por um homem de que suas costas estavam sujas.
“Ele aponta para as minhas costas e estava cheio de alguma coisa igual vômito, escorrendo no banco que eu estava sentado e estava sujando toda a minha camiseta. Fiquei desesperado, porque não tinha aquilo quando eu sentei lá. Eu não vi acontecer nada, ninguém vomitando ali”, contou.
“Estava tão em choque, que minhas costas estavam cheias de vômito, que eu nem consegui pensar razoavelmente. Ele dizia que uma criança tinha vomitado, no colo de uma mãe, e descido do ônibus. Tinha um outro homem junto, eles começaram a me cercar e a tentar limpar minha camiseta com lenços.”
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Segundo Giaretta, os suspeitos falavam em espanhol e agiram rapidamente. Enquanto ele se preocupava em limpar a roupa, teve o celular e documentos furtados. O crime só foi percebido após os homens descerem no ponto seguinte. Ele teve o celular e documentos levados pelos criminosos.
“Não tinha cheiro de vômito. Depois que tudo passou, percebi que aquilo era para me distrair”, afirmou.
O jovem relembrou ao g1 que estava a caminho da Avenida Paulista, dentro do ônibus Ana Rosa e que notou que havia sido furtado quando estava próximo ao Metrô Clínicas, da Linha 2-Verde. Segundo ele, o celular estava no bolso e os documentos dentro da mochila.
Outro caso semelhante foi registrado pela influenciadora digital Miriam Almeida, de 31 anos. Ela conta que estava em um ônibus que passa pela Avenida Sapopemba, na Zona Leste, quando foi abordada por um homem que também falava espanhol.
“É uma das linhas de São Mateus que passa pela Avenida Sapopemba. E não tinha gente do meu lado, só que o pessoal foi saindo, foi chegando nos pontos e chegou um momento, chegando ali perto da Estação São Lucas, antes da Estação São Lucas [da Linha 15-Prata], um cara que falava espanhol disse que minha roupa estava suja”, afirmou.
“Quando eu olhei, parecia uma gosma, tipo vômito, meio amarelo. Eu me desesperei e comecei a limpar. Eu estava com o celular na mão.”
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Miriam afirma que o homem ofereceu um guardanapo e, em poucos segundos, anunciou que desceria do ônibus. Logo depois, ela percebeu que o celular havia sido furtado.
“Ele prontamente tirou o guardanapo da bolsa dele para me dar. Foi coisa de segundos. Eles agem muito rápido. Parecia que tinha mais gente envolvida”, relatou.
Miriam diz ainda que o ônibus não estava cheio no momento do furto. Ela relata que os passageiros foram descendo ao longo do trajeto e que, quando o golpe aconteceu, havia poucas pessoas por perto.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que foram localizadas duas ocorrências de furto de celular em transporte público, registradas nos dias 22 e 25 de abril, com características semelhantes às mencionadas pela reportagem.
Os casos são investigados pelo 78º Distrito Policial (Jardins) e pelo 28º Distrito Policial (Freguesia do Ó). Segundo a pasta, equipes das unidades analisam os elementos apresentados e realizam diligências para identificar e prender os envolvidos.
Como funciona o golpe
Nos casos relatados, o passo a passo é semelhante:
Um suspeito alerta sobre uma suposta sujeira na roupa;
A vítima se desespera e se distrai tentando limpar;
Comparsas se aproximam ou cercam a pessoa, simulando ajuda;
Durante a confusão, objetos pessoais — principalmente celulares — são furtados;
O grupo desce rapidamente do ônibus no ponto seguinte.
Em nota, a SSP também orientou que, ao desconfiar de uma atitude suspeita, as vítimas acionem imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190, informando o máximo de detalhes possível, para que a viatura mais próxima possa se deslocar ao local e realizar a averiguação.
“É fundamental que as vítimas também formalizem o registro do boletim de ocorrência para que o caso seja devidamente investigado e os autores responsabilizados. Vale destacar ainda que as forças policiais atuam no combate a todas as modalidades criminosas, o que já resultou na prisão e apreensão de 7.711 infratores no primeiro bimestre deste ano.”
Vídeos em alta no g1
Um roubo a cada 10 minutos
Flagrantes feitos pela TV Globo mostram a ação de grupos que usam bicicletas para roubar celulares entre a Estação da Luz e a Pinacoteca, na região central. Ao longo dos últimos 10 sábados, foram registrados vários furtos e tentativas de furtos na região.
Na cidade de São Paulo, um roubo de celular é registrado a cada dez minutos. O governo de São Paulo informou, no entanto, que o estado teve uma queda inédita de todos os tipos de roubos no primeiro bimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior, e que o roubo de celulares também caiu na capital (leia nota completa abaixo).
As gangues de bicicletas escolhem lugares com aglomeração para agir, como pontos turísticos. Visitantes da Pinacoteca, por exemplo, são alvos frequentes. Mas os roubos acontecem em toda a cidade.
Dados da SSP
Dados da Secretaria da Segurança Pública mostram que os roubos de celulares caíram 20% nos dois primeiros meses de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, de 10.587 para 8.430 ocorrências. Mesmo assim, foram registrados 8.430 roubos em janeiro e fevereiro, uma média de 142,9 por dia.
O coordenador do programa SP Mobile, Rodolfo Latif Sebba, afirma que a redução é resultado de várias ações, entre elas o envio de mensagens para celulares com registro de roubo.
“A pessoa pode receber uma mensagem para comparecer em uma delegacia, para entregar esse telefone. Isso é uma parte do nosso programa. Caso ela não compareça, uma unidade policial vai fazer diligência até a residência dela para tentar recuperar esse telefone também”, disse.
Segundo Sebba, é preciso “que a população entenda que o telefone que ela esteja comprando, talvez um telefone barato, ele pode sair caro, porque a gente está monitorando isso”.
Em média, 143 celulares ainda são roubados por dia. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que vai reforçar o policiamento no Centro Histórico e orientou as vítimas a registrarem boletim de ocorrência, tanto para a Polícia Civil investigar os crimes quanto para a Polícia Militar direcionar equipes para áreas com mais incidência.
Na porta de um restaurante no Centro, um ladrão de bicicleta foi flagrado levando o celular em uma fração de segundos.
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