Antes de virar capital imperial dos Habsburgos e referência mundial em qualidade de vida, Viena foi um acampamento militar romano às margens do Danúbio. A cidade aparece pela primeira vez como núcleo urbano em 1137, quando o bispo de Passau fundou a Catedral de Santo Estêvão. Hoje, a capital da Áustria reúne dois sítios da UNESCO e ranqueia entre as cidades mais habitáveis do planeta.
Vindobona: o forte romano onde Marco Aurélio morreu
O nome original veio dos celtas. Segundo o portal histórico da Cidade de Viena, os romanos chamaram o lugar de Vindobona, palavra de origem gaulesa que significa “base branca”. O acampamento militar começou a ser construído por volta de 97 d.C. para abrigar a Legio X Gemina e proteger a fronteira do Império contra as tribos germânicas do outro lado do Danúbio. No auge, Vindobona reuniu cerca de 15 mil habitantes e estendeu-se por 20 hectares no que hoje é o primeiro distrito de Viena.
O imperador filósofo Marco Aurélio morreu em Vindobona em 17 de março de 180 d.C., durante uma campanha militar contra as tribos marcomanas. Foi nas margens do Danúbio que ele escreveu parte de suas Meditações, livro fundamental do estoicismo. As ruínas do acampamento ainda determinam o traçado das ruas Graben, Naglergasse, Tiefer Graben e Salzgries no centro histórico, que seguem o contorno do antigo muro defensivo. A cidade medieval só apareceu nos registros como núcleo urbano em 1137, com a fundação da Catedral de Santo Estêvão.

Por que conhecer a cidade com 2 títulos da UNESCO?
Poucas capitais europeias somam dois reconhecimentos da UNESCO. O Palácio de Schönbrunn e seus jardins entraram na lista em 1996 como exemplo notável de arquitetura barroca e síntese das artes. Já o Centro Histórico de Viena foi inscrito em 13 de dezembro de 2001, com 371 hectares que reúnem três grandes períodos da cultura europeia: a Idade Média, o Barroco e o Gründerzeit do século XIX.
O dossiê da UNESCO destaca que Viena é universalmente reconhecida como a capital musical da Europa desde o século XVI. Mozart, Beethoven, Haydn, Schubert, Brahms, Mahler e Johann Strauss compuseram suas obras na cidade. A Catedral de Santo Estêvão, ícone gótico fundado em 1137, e o Hofburg, residência dos Habsburgos por mais de seis séculos, fazem parte do conjunto. Desde 2017, o Centro Histórico está na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo devido a projetos de arranha-céus que ameaçam a paisagem urbana original.

A capital com a melhor qualidade de vida do mundo
Viena domina os rankings internacionais há quase uma década. Segundo o Vienna Tourist Board, a capital austríaca foi eleita a cidade mais habitável do mundo pelo Global Liveability Index da Economist Intelligence Unit em 2018, 2019, 2022, 2023 e 2024. No ranking de 2025, divulgado em junho, Viena ficou em 2º lugar, atrás apenas de Copenhague entre 173 cidades avaliadas.
A consultoria Mercer também coloca a capital austríaca entre as três melhores do mundo em qualidade de vida, segundo o ranking divulgado em 2024. Os critérios incluem estabilidade política, sistema de saúde, educação, infraestrutura, ambiente cultural e mobilidade urbana. Viena tem cerca de 1,9 milhão de habitantes e mantém o passe mensal de transporte público a um dos preços mais baixos da Europa, fator essencial para a vida cotidiana dos vienenses.
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O que fazer em Viena
O roteiro mistura palácios imperiais, salas de concerto centenárias e o zoológico mais antigo do mundo. Vale separar pelo menos quatro dias para combinar o Centro Histórico com Schönbrunn, Belvedere e os cafés tradicionais:
- Palácio de Schönbrunn: residência de verão dos Habsburgos com 1.441 quartos e 120 hectares de jardins barrocos, onde Mozart se apresentou para a corte em 1762, aos 6 anos.
- Catedral de Santo Estêvão: fundada em 1137 e símbolo do gótico vienense, com torre sul de 136 metros e telhado decorado em padrão xadrez de azulejos coloridos.
- Hofburg: complexo imperial de mais de 600 anos, residência de inverno dos Habsburgos, hoje sede da Presidência austríaca, da Biblioteca Nacional e da Escola Espanhola de Equitação.
- Tiergarten Schönbrunn: o zoológico mais antigo do mundo ainda em funcionamento, fundado em 1752 pela imperatriz Maria Teresa, com mais de 700 espécies.
- Palácio Belvedere: dois palácios barrocos conectados por jardim formal, com a maior coleção mundial de Gustav Klimt e a icônica obra “O Beijo”.
- Ringstrasse: avenida circular do final do século XIX construída onde antes ficavam as muralhas medievais, com o Parlamento, a Câmara Municipal neogótica e a Ópera de Viena.
- MuseumsQuartier: um dos maiores complexos culturais da Europa, com o Museu Leopold (acervo de Egon Schiele), o MUMOK e cafés contemporâneos no centro histórico.
A culinária vienense influenciou as mesas europeias por mais de dois séculos, com receitas codificadas pela corte imperial:
- Wiener Schnitzel: bife empanado de vitela servido com batata, prato emblemático protegido por designação de origem austríaca.
- Sachertorte: torta de chocolate criada em 1832 pelo aprendiz Franz Sacher e servida no Hotel Sacher desde 1876.
- Apfelstrudel: massa folhada artesanal recheada com maçã, canela e passas, servida com creme baunilha em todos os cafés tradicionais.
- Kaiserschmarrn: panqueca grossa rasgada e caramelizada, sobremesa favorita do imperador Francisco José I.
- Café Viennense: tradição reconhecida pela UNESCO em 2011 como Patrimônio Cultural Imaterial, com cafés como o Central, o Sacher e o Demel.
Quem deseja conhecer a capital da Áustria, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Estevam Pelo Mundo, que conta com mais de 222 mil visualizações, onde Estevam Pelo Mundo mostra o que fazer em Viena, desde o Palácio de Schönbrunn até os cafés tradicionais:
Quando visitar a capital imperial?
O clima é continental temperado, com as quatro estações bem definidas. Verões quentes e ensolarados, invernos frios com neve ocasional e meias-estações instáveis com chuvas espalhadas. Veja como o calendário se distribui:
Ápice Cultural / Clássico
Chuva Média
Chuva Média
Chuva MédiaTemperaturas aproximadas com base em registros históricos da estação meteorológica Hohe Warte. Condições podem variar.
O ápice cultural acontece em 31 de dezembro, com o tradicional Ball de Réveillon, e em 1º de janeiro, com o Concerto de Ano-Novo da Filarmônica de Viena, transmitido para mais de 90 países. De junho a agosto, o Summer Night Concert acontece nos jardins de Schönbrunn com entrada gratuita e plateia de 100 mil pessoas. Em maio e junho, os jardins do Belvedere e de Schönbrunn entram em florada plena.
Como chegar a Viena
A capital austríaca é servida pelo Aeroporto Internacional de Viena-Schwechat, a 18 km do centro, com voos diretos para o Brasil via São Paulo pela Lufthansa, Air France e Turkish Airlines. O trajeto até o centro pelo trem CAT (City Airport Train) leva 16 minutos, e o S-Bahn convencional leva 25 minutos por menos da metade do preço.
Quem está em outras capitais europeias chega de trem pela Hauptbahnhof, principal estação ferroviária. O Railjet conecta Munique em 4 horas, Praga em 4h, Budapeste em 2h40 e Bratislava (capital da Eslováquia) em apenas 1 hora. O metrô vienense (U-Bahn) tem 5 linhas e cobre o centro histórico e o Schönbrunn em poucos minutos. O passe diário de transporte público sai por valor inferior a 10 euros e cobre todos os modais.
Conheça a cidade onde Marco Aurélio escreveu suas Meditações
Viena reúne em uma só capital o forte romano onde morreu o último dos cinco bons imperadores, a residência dos Habsburgos com 1.441 quartos, a Catedral gótica de 1137, o zoológico mais antigo do mundo e dois sítios da UNESCO. A capital da Áustria figura entre as cidades mais habitáveis do planeta há quase uma década e segue exportando o som da Filarmônica para todos os continentes em cada Ano-Novo.
Você precisa atravessar a Ringstrasse, ouvir Mozart na Orangerie de Schönbrunn e entender por que essa antiga Vindobona romana virou referência mundial de qualidade de vida e tradição musical.
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