
Alcolumbre bate na mesa e fala com líder do governo após finalizar sessão
Durante o processo de votação da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) no plenário do Senado Federal, o clima entre os governistas era de pessimismo. Messias acabou tendo a indicação rejeitada por 42 votos a 34.
O líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), chegou a afirmar que esperava apenas o mínimo necessário para uma vitória apertada.
O cenário traçado por Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso Nacional, era ainda mais negativo. Segundo relatos, o senador dizia não apostar em mais nada e avaliava que o governo contava com apenas 38 votos seguros.
Após o encerramento da votação, reconheceu que o resultado foi pior do que o imaginado inicialmente.
A derrota foi tão ampla que surpreendeu até a oposição. Tradicionalmente, o grupo costuma reunir cerca de 32 votos em votações desse tipo, mas desta vez conseguiu cerca de dez votos a mais, ampliando de forma significativa a vantagem.
Logo após o resultado, senadores oposicionistas passaram a discursar no plenário em tom de vitória. Alguns afirmaram que o placar representava “o fim do Lula 3” e defenderam que ministros do Supremo Tribunal Federal deveriam “entender o recado e baixar a bola”.
Caso contrário, segundo esses parlamentares, poderiam avançar pedidos de impeachment contra integrantes da Corte.
Davi Alcolumbre e o líder do governo no Senado, senador Jaques Wagner (PT-BA) (em pé, à direita).
Ton Molina/Agência Senado
A leitura feita pela oposição é de que, a partir de agora, o governo não teria condições políticas de indicar um novo nome, ao menos até a realização das próximas eleições.
Nos bastidores, oposicionistas também admitiam que o resultado só foi possível graças à atuação intensa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que teria trabalhado fortemente ao longo do dia contra os interesses do governo.
Já o senador Omar Aziz (PSD-AM) afirmou que parlamentares ligados ao segmento evangélico haviam prometido votar com o governo, mas não cumpriram o acordo firmado previamente.
Ao final, a avaliação predominante no Senado foi de que os dois principais derrotados do dia foram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Supremo Tribunal Federal, diante do recado político emitido pelo placar da votação.
