Congresso vota veto de Lula e pode reduzir penas do 8 de janeiro

Tentativa de golpe 8 de janeiroJoédson Alves/Agência Brasil

O Congresso Nacional se reúne nesta quinta-feira (30), nesta manhã, para decidir se mantém ou derruba o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto que altera o cálculo das penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro. A decisão pode reduzir o tempo de prisão e mudar regras de progressão de regime.

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Se o veto cair, condenados poderão pedir revisão das penas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que hoje cumpre 27 anos e três meses de prisão por crimes como tentativa de golpe de Estado e organização criminosa.

O texto foi aprovado pelo Congresso no fim de 2025 e vetado integralmente por Lula em janeiro. Para derrubar o veto, são necessários ao menos 257 votos na Câmara e 41 no Senado. Caso isso ocorra, o Supremo Tribunal Federal (STF) ficará responsável por reavaliar as punições.

A sessão foi convocada pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União), após pressão de parlamentares. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), afirmou que espera a derrubada do veto.

Projeto permite revisão de penas já aplicadas

O projeto trata da dosimetria penal, que define como o juiz calcula a pena com base na gravidade do crime, antecedentes e circunstâncias. A proposta cria critérios mais objetivos e permite reduzir diferenças entre condenações para casos semelhantes.

Na prática, o texto abre caminho para diminuir penas de envolvidos nos atos de 8 de janeiro, inclusive de réus apontados como parte central da articulação. A revisão não é automática. Depende de análise caso a caso pelo Supremo.

Aliados da proposta dizem que as penas atuais são elevadas e precisam de ajuste. O argumento é que o texto não concede anistia nem extingue crimes, apenas altera a forma de cálculo.

Governo aponta risco a punições por crimes contra o Estado

Ao vetar a proposta, Lula afirmou que a redução de penas para crimes contra o Estado democrático pode aumentar a incidência dessas condutas. Na mensagem enviada ao Congresso, o presidente disse que a medida representa retrocesso institucional.

O governo também aponta risco de quebra de princípios como proporcionalidade e igualdade na aplicação das penas. Segundo o texto do veto, a proposta pode comprometer o sistema jurídico.

Os atos de 8 de janeiro de 2023 terminaram com invasão e depredação do Palácio do Planalto, do Congresso e do STF. Houve destruição de patrimônio público e centenas de prisões no mesmo dia.

Se o veto for mantido, as condenações permanecem como estão. Se for derrubado, abre-se a possibilidade de redução das penas já aplicadas e revisão das decisões judiciais.

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