Por que o Bantargebang acendeu um alerta global? A resposta veio do espaço: satélites detectaram que o aterro emite 6,3 toneladas de metano por hora, um gás que aquece o planeta com uma força muito superior à do gás carbônico e que coloca o local como o segundo maior emissor mundial desse poluente.
Por que o aterro de Bantargebang se tornou um emissor tão extremo?
A dimensão do problema está diretamente ligada à montanha de resíduos que o local recebe. O TPST Bantargebang processa mais de 7.500 toneladas de lixo por dia, majoritariamente vindas da região metropolitana de Jacarta. A matéria orgânica, que compõe a maior parte desse volume, ao se decompor sem a presença de oxigênio, gera o metano.
A profundidade das pilhas de lixo, que podem chegar a impressionantes 40 metros de altura, cria as condições anaeróbicas ideais para essa produção descontrolada. Sem um sistema de captação eficiente, o gás escapa para a atmosfera de forma contínua, transformando o aterro em uma fonte de poluição de escala comparável a grandes complexos industriais.

Como os cientistas mediram as emissões de metano de Bantargebang?
A denúncia não veio de uma inspeção local, mas de uma varredura orbital. O inventário foi liderado pelo Emmett Institute da UCLA, que utilizou dados públicos do projeto Carbon Mapper. A análise combinou informações de dois instrumentos espaciais de altíssima precisão.
O satélite Tanager-1, da Planet Labs, e o instrumento EMIT, da NASA, instalado na Estação Espacial Internacional, foram capazes de identificar e quantificar plumas de metano invisíveis a olho nu. A pesquisa mapeou quase 3.000 pontos de emissão em mais de 700 locais de resíduos ao redor do mundo, e Bantargebang apareceu com destaque.
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Quanto metano Bantargebang libera e qual o impacto disso?
O número é tão grandioso que os pesquisadores criaram comparações para torná-lo compreensível. Um aterro que libera 5 toneladas de metano por hora, em um ano, contribui para o aquecimento global de forma equivalente a 1 milhão de carros SUV ou uma usina de carvão de 500 megawatts.
Bantargebang supera essa marca. Suas 6,3 toneladas por hora o deixam atrás apenas do aterro de Campo de Mayo, em Buenos Aires, que emite 7,6 toneladas por hora. Para se ter uma ideia, a energia térmica desse volume de gás seria comparável à capacidade de uma grande usina termelétrica, mas sem gerar um único watt de eletricidade.
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Por que o metano é um perigo tão grande para o clima?
O metano pode não ser tão famoso quanto o dióxido de carbono, mas é um adversário climático muito mais potente no curto prazo. Em um período de 20 anos, seu poder de aquecer a atmosfera é mais de 80 vezes maior que o do CO₂. No entanto, sua permanência na atmosfera é bem mais curta, cerca de uma década.
Essa característica cria uma janela de oportunidade: cortar as emissões de metano hoje é a estratégia mais rápida para frear o aumento das temperaturas globais. É por isso que a descoberta em Bantargebang não é apenas um dado negativo, mas um chamado à ação imediata para mitigar as mudanças climáticas.

O que pode ser feito para reduzir as emissões de metano em Bantargebang?
A tecnologia para transformar o problema em solução existe e já é aplicada em outros países. O metano que hoje escapa livremente pode ser captado por meio de dutos perfurados no lixo e direcionado para motores de combustão que geram eletricidade, ou então ser purificado e transformado em biometano para uso veicular.
Especialistas apontam um caminho claro com várias frentes de atuação:
- Instalação de sistemas de captura ativa de gás: redes de dutos e bombas de sucção para coletar o metano antes que ele atinja a atmosfera.
- Redução do descarte de matéria orgânica: separação na origem para compostagem, evitando que resíduos orgânicos cheguem ao aterro.
- Geração de energia no local: construção de uma usina termelétrica a biogás para abastecer a rede elétrica local.
- Fortalecimento da fiscalização ambiental: monitoramento contínuo por satélite e sensores para garantir a eficiência das medidas.
O caso de Bantargebang expõe um desafio que vai além da gestão de resíduos: é uma questão de política climática urgente. A boa notícia é que cada tonelada de metano capturada deixa de aquecer o planeta e ainda pode virar receita com a venda de energia. O custo de não fazer nada, esse sim, é que será pago por todos, com juros climáticos cada vez mais altos.
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