
Mãe denuncia suposto crime de maus-tratos contra filho autista em escola de Uberlândia
TV Integração/Reprodução
A mãe de um menino de 5 anos denunciou crime de maus-tratos que teria sido praticado contra o filho diagnosticado com transtorno do espectro autista (TEA), em uma escola municipal de Uberlândia. O caso veio à tona após a mulher afirmar que gravou áudios dentro da unidade de ensino e procurar a Polícia Militar (PM) e a Secretaria Municipal de Educação (SME).
Segundo a empresária Andréa Soares Borges Araújo, o filho estuda há três anos na Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Professora Veridiana Rodrigues Carneiro, no bairro Mansour. Ela relatou à TV Integração que, após a troca de profissionais na unidade, o comportamento do menino mudou e surgiram suspeitas de que ele estaria sendo isolado do convívio com outras crianças.
A mãe afirmou também que o filho passou a apresentar sinais diferentes no dia a dia. Diante da dificuldade de comunicação da criança, os pais decidiram colocar um gravador de voz na mochila para acompanhar a rotina escolar.
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“Eu fui à escola, conversei com a direção e pedi pra elas registrar em ata essa situação, porque uma criança que precisa de cuidados, a gente entregar o nosso filho nas mãos de pessoas que recebem, que estão recebendo ele de forma negativa, isso já liga uma alerta nos pais, principalmente quando a criança é não verbal. Então, registrei que aquele fato ali estava me incomodando e que eu estava com medo de mandar o meu filho pra escola”, relatou Andréa.
De acordo com a empresária, os áudios captados teriam falas atribuídas a profissionais da escola. Em um dos trechos, há questionamentos sobre a inclusão do aluno. Em outro, a criança teria sido incentivada a reagir a uma situação. Também há gravações em que, segundo a mãe, o menino deveria “ficar preso”.
“A gente colocou por dois dias e eu fiquei o final de semana inteiro escutando essas gravações. Foi muito difícil para mim como mãe escutar tudo aquilo ali porque a gente confia num ambiente que a gente está deixando o nosso filho e eu acho que não é só porque é uma criança atípica. Toda criança merece respeito, ela merece ser acolhida, ela merece ser inclusa das atividades”, comentou emocionada.
Segundo a mãe, o menino ainda é portador da Síndrome de Williams, uma condição rara que envolve diferentes complicações de saúde, como cardiopatia, já tendo passado por cirurgias, incluindo procedimentos como cateterismo e uma operação de peito aberto.
Empresária colocou gravador na mochila do filho para capturar áudios na escola
TV Integração/Reprodução
Família registrou boletim de ocorrência
Após reunirem o material, os pais retiraram a criança da escola e registraram um Boletim de Ocorrência (BO) por suspeita de maus-tratos a menor de 14 anos.
Conforme a PM, os pais relataram que receberam inicialmente uma denúncia anônima sobre a conduta de uma professora, sem identificação. A partir disso, decidiram monitorar a rotina do filho.
Ainda segundo o registro policial, os responsáveis afirmam que os áudios indicariam situações em que a criança teria sido excluída de atividades escolares e impedida de brincar no parquinho como forma de punição.
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Em outro trecho, o menino teria permanecido cercado por cadeiras dentro da sala após derrubar um prato durante a refeição. Há também relato de que uma profissional teria demonstrado desconforto durante a troca de fraldas.
Durante o atendimento da ocorrência, a direção da escola informou à polícia que houve mudanças no quadro de servidores e que a unidade passa por um processo de adaptação.
Uma das educadoras chegou a ser ouvida e negou qualquer privação de atividades à criança e afirmou que os alunos não ficam sozinhos em sala. Outra profissional disse ter tido contato com o aluno apenas uma vez e não constatou irregularidades. A família também procurou a Prefeitura de Uberlândia para entregar as gravações.
A mãe disse para a reportagem que a família enfrentou anos de dedicação e renúncias para cuidar do filho e esperava da escola o mesmo cuidado e respeito, o que, segundo ela, não ocorreu após a troca de profissionais. Ela também faz um alerta a outras famílias para que fiquem atentas a mudanças no comportamento das crianças, que podem indicar que algo não vai bem.
“Infelizmente, tem mães que não têm rede de apoio, não têm muitos recursos, independente se a criança é típica ou atípica, mas vamos falar aqui das crianças atípicas, não verbais, que precisam de pessoas, precisam de voz por elas, então a gente tem que ficar atento a todos os sinais que a criança dá”, finalizou Andréa.
Em nota, a SME informou que já apura o caso. Disse ainda que serão feitas oitivas na escola e coleta de informações para os procedimentos internos.
Leia na íntegra a nota
“A Secretaria Municipal de Educação esclarece que realizou imediatamente o acolhimento da família, iniciando as tratativas para apuração do caso. Informa também que já vai realizar as oitivas junto à escola e coletará tudo o que envolve o caso para fazer os procedimentos internos e o encaminhamento aos órgãos competentes.
A Secretaria destaca que o aluno já está sendo atendido em outra unidade da rede municipal de ensino, garantindo a continuidade dos seus estudos. Reforça também que mantém o Setor de Educação Especial, que promove a atualização constante dos profissionais que atuam nas escolas municipais por meio da Formação Continuada.
A pasta comunica, ainda, que vai reforçar, novamente, todos os protocolos que devem ser adotados nas unidades de ensino da rede municipal e que investigará qualquer indício e toda denúncia de casos semelhantes a esse, em toda a rede municipal.”
Prefeitura de Uberlândia diz que apura denúncia contra profissionais da Emei no bairro Mansour
TV Integração/Reprodução
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