O Retorno às Origens pelo Ideal de Servir

No alto e entre as bandeiras na minha formatura no Colégio Rio BrancoColégio Rio Branco

Foi, seguramente, um dos momentos mais felizes e significativos de minha vida. No dia 15 de abril passado, em São Paulo, tive a elevada satisfação de participar da solenidade festiva do Rotary Club, realizada nas dependências do tradicional e renomado Colégio Rio Branco, cuja mantenedora é a emblemática Fundação dos Rotarianos de São Paulo. Tratou-se de encontro que reuniu lideranças expressivas da vida pública e institucional para celebrar trajetórias que, de modo concreto, fazem a diferença em múltiplas áreas da sociedade. Foi, para mim, motivo de imensa honra ser reconhecido pelos rotarianos ao lado de nomes de grande relevância nacional, como meu querido presidente Michel Temer, em ambiente de elevado espírito cívico e fraternidade rotária. Compartilhei esse momento com outro querido amigo Pedro Campos, jornalista e advogado de reconhecida trajetória, profissional do Grupo Bandeirantes de Comunicação, apresentador de programas emblemáticos do jornalismo nacional, que igualmente recebeu a Medalha em justo reconhecimento à sua magnífica contribuição à sociedade. Momentos como esse reafirmam a centralidade do reconhecimento público às iniciativas e às lideranças comprometidas com o desenvolvimento social, institucional e humano. Mais do que um gesto protocolar, a solenidade revelou a valorização do serviço desinteressado na atuação orientada pelo bem comum, em prol da permanente construção de um mundo melhor. Para mim, contudo, essa oportunidade revestiu-se de significado ainda mais profundo. Foi um verdadeiro retorno às minhas origens. Estudei, ao lado de meus irmãos, no Colégio Rio Branco, onde também estudou minha mãe, que, aliás, estava presente, profundamente emocionada, na solenidade. Ali, nessa instituição de ensino que, à época, representava a mais elevada tradição educacional da elite paulistana sob a égide da Fundação dos Rotarianos, permaneci até concluir o ensino médio, aos 17 anos, quando segui para a Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Quatro décadas depois, regressar àquele ambiente, que foi e sempre será o meu lar, para receber a Medalha Lauro Ribas Braga, representou para mim um reencontro com meu eu, com minha formação, com minhas crenças, valores e princípios, com minha história. Confesso que fiquei profundamente emocionado, tal como minha mãe. Cheguei a embargar a voz, com vontade de chorar, tendo-me contido por estar em público. De fato, esse mergulho nas águas profundas das minhas origens não foi apenas geográfico ou temporal. Foi, sobretudo, espiritual e axiológico. Fui forjado dentro dos ideais rotários à luz da Prova Quádrupla do Rotary International, cujos postulados éticos orientam, até hoje, a minha maneira de pensar, decidir e agir. Cravaram na minha alma, no meu coração e na minha mente o ideal de servir. Aprendi e carrego, para sempre, que servir é infinitamente mais importante e valioso do que receber, ensinamento que se incorporou como princípio estruturante da minha existência. Devo muito ao Rotary Club e aos rotarianos, cuja influência foi decisiva na edificação da minha identidade como pessoa e, por conseguinte, na consolidação do meu compromisso permanente e inquebrantável de servir ao bem comum. Não é à toa que a referida honraria, vinculada ao legado rotário, está oficialmente reconhecida pelo Estado de São Paulo por meio do Decreto nº 45.108, de 18 de agosto de 2000, editado pelo saudoso governador Mário Covas. Cumpre destacar que não se trata de uma medalha criada pelo Estado, mas de distinção instituída no âmbito rotário e posteriormente oficializada como forma de conferir-lhe reconhecimento oficial no sistema estadual de honrarias. Seu mérito é rigoroso e substantivo. Trata-se de distinção que consagra trajetórias pautadas pelo serviço à coletividade, pela ética, pela probidade e pelo compromisso efetivo com a cidadania, daí ser impossível deixar de se emocionar ao recebê-la. Este reconhecimento dirige-se àqueles que, por sua atuação, contribuem para o fortalecimento das instituições e para a construção de uma sociedade mais justa e solidária, em consonância com os ideais do Rotary International. Sob o prisma jurídico-institucional, a medalha reconhece serviços relevantes prestados à coletividade, conduta moral exemplar e atuação alinhada ao interesse público. Sob o aspecto simbólico, valoriza o capital moral do agraciado e distingue aqueles cuja trajetória transcende o interesse individual, irradiando efeitos positivos na comunidade. Assim, confesso publicamente que recebo, profundamente tocado, a Medalha Rotariana, cujo mérito reside na consagração de vidas orientadas pelo serviço ético e pelo compromisso com o bem de todos. Recebê-la, especialmente no espaço que marcou tão profundamente minha vida e aquilo que sou, não foi apenas uma honra. Foi a confirmação de que o caminho por mim trilhado permanece fiel às minhas raízes, firmadas nas crenças, valores e princípios rotários que eternamente orientarão minha atuação. Retornar à própria casa, após quarenta anos, para ser reconhecido pelo serviço prestado à sociedade é experiência que transcende o indivíduo. É, antes e mais importante, a renovação de meu sagrado compromisso de que a verdadeira grandeza, na minha vida, consistirá em permanecer fiel ao ideal de servir. Ricardo Sayeg Jornalista. Advogado. Jurista Imortal da Academia Brasiliense de Direito e da Academia Paulista de Direito. Professor Livre-Docente de Direito da PUC-SP, da UNIRIO e do INSPER. Pós-Doutor em Ciências Sociais e Doutor e Mestre em Direito Comercial, tudo pela PUC-SP. Oficial da Ordem do Rio Branco. Presidente da Comissão de Direito Econômico Humanista do IASP. Presidente da Comissão Nacional Cristã de Direitos Humanos do FENASP. Comandante dos Cavaleiros Templários do Real Arco Guardiões do Graal.

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