
Um voo comercial direto entre Estados Unidos e Venezuela voltou a operar na quinta-feira (30), ligando Miami a Caracas pela primeira vez desde 2019. A retomada reduz o tempo de viagem para cerca de três horas e reabre uma rota usada por famílias e empresários, mas com passagens que chegam a US$ 1.700, o equivalente a R$ 8.425 na cotação atual.
A operação foi feita por um jato da American Airlines, com capacidade para 76 passageiros. A empresa prevê ampliar a frequência para dois voos diários a partir de meados de maio, acelerando o fluxo entre os dois países após anos de restrições.
O retorno dos voos ocorre quatro meses depois da ofensiva dos Estados Unidos que resultou na prisão do ex-presidente Nicolás Maduro. Desde então, o governo de Donald Trump passou a negociar acordos com autoridades venezuelanas para reabrir o mercado aéreo e atrair investimentos, principalmente nos setores de petróleo e mineração.
A reativação da rota foi decidida diretamente por Trump, que ordenou a reabertura do espaço aéreo venezuelano no fim de janeiro. O processo levou cerca de três meses, metade do tempo usual para esse tipo de operação internacional.
Passagem cara e barreiras limitam acesso
Apesar da retomada, o acesso segue restrito. O preço das passagens afasta a maioria dos venezuelanos, e há barreiras documentais. Muitos enfrentam passaportes vencidos após anos de falhas nos serviços consulares.
Venezuelanos que vivem nos Estados Unidos sob proteção migratória também evitam viajar. O risco de não conseguir retornar ao país pesa na decisão.
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Autoridades americanas classificaram o voo como sinal de abertura econômica da Venezuela. Representantes venezuelanos falaram em retomada do comércio e do turismo durante cerimônia no aeroporto de Caracas.
A normalização, no entanto, enfrenta resistência. Parte da comunidade venezuelana nos Estados Unidos critica a aproximação enquanto o grupo político ligado a Maduro segue no poder, mesmo após sua saída.
Além disso, o alerta de viagem continua. O Departamento de Estado recomenda cautela e cita risco de crime, sequestros e problemas na rede de saúde em diferentes regiões do país.
