Cientistas identificam na tribo dos Bajau uma adaptação genética que permite mergulhos de longos minutos, expandindo os limites da biologia

Cientistas identificam na tribo dos Bajau uma adaptação genética que permite mergulhos de longos minutos, expandindo os limites da biologia

tribo dos Bajau, que vive na região do Sudeste Asiático (Indonésia, Malásia e Filipinas), é conhecida como os “nômades do mar”. Recentemente, cientistas descobriram que esses pescadores possuem uma adaptação genética única que expande os limites da biologia humana no mergulho livre.

Como a evolução biológica transformou os nômades do mar?

Os membros da tribo passam até 60% de suas jornadas de trabalho submersos, caçando peixes e polvos a dezoito metros de profundidade usando apenas óculos de madeira e pesos de chumbo. A seleção natural ao longo de milhares de anos favoreceu indivíduos capazes de suportar a hipóxia (falta de oxigênio).

Estudos genéticos publicados em revistas científicas globais e repercutidos por instituições de biologia mostraram que a capacidade não é apenas treino físico, mas uma mutação no DNA que alterou permanentemente a anatomia interna desse povo, especificamente no tamanho de um órgão vital.

Cientistas identificam na tribo dos Bajau uma adaptação genética que permite mergulhos de longos minutos, expandindo os limites da biologia
(Imagem ilustrativa)Mutação que gera baços maiores nesses “nômades do mar”, funcionando como um cilindro de oxigênio biológico para apneias profundas

Qual o papel do baço no mergulho em apneia profunda?

A descoberta revelou que o baço dos Bajau é até 50% maior do que o de pessoas de populações vizinhas que não mergulham. O baço funciona como um reservatório de glóbulos vermelhos oxigenados. Durante o mergulho, o órgão se contrai, injetando uma dose extra de oxigênio na corrente sanguínea.

Para entender a vantagem biológica dessa mutação frente a mergulhadores comuns, elaboramos a comparação anatômica abaixo:

Fator Biológico Tribo dos Bajau (Mutação Genética) Ser Humano Comum (Sem treino)
Tamanho do Baço 50% maior (Reservatório extra) Tamanho padrão
Injeção de Glóbulos Alta eficácia (Suporta minutos submerso) Baixa eficácia (Falta de ar rápida)

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Quais os dados sobre a mutação genética identificada?

O estudo isolou o gene PDE10A, que controla o hormônio da tireoide e, consequentemente, o tamanho do baço. Curiosamente, mesmo os membros da tribo que não mergulham possuem o baço aumentado, comprovando que a característica é hereditária e não apenas um efeito do treinamento.

Abaixo, detalhamos as características culturais e biológicas documentadas sobre este grupo único:

  • Tempo de Apneia: Capacidade de prender a respiração por até 13 minutos.

  • Profundidade: Mergulhos rotineiros de até 70 metros sem equipamento de oxigênio.

  • Moradia: Vivem em palafitas sobre o mar ou em barcos tradicionais (lepa-lepa).

  • Alimentação: Dieta quase exclusivamente baseada em frutos do mar e peixes.

Como essa descoberta ajuda a medicina tradicional?

Entender como o corpo humano se adapta à falta de oxigênio (hipóxia aguda) tem implicações diretas na medicina, especialmente no tratamento de pacientes com doenças pulmonares obstrutivas, apneia do sono e complicações cardiovasculares em Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

No Brasil, a pesquisa genética avançada, monitorada por órgãos como a Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM), busca constantemente na natureza e em populações isoladas chaves para tratamentos de condições crônicas que afetam a população urbana.

Para aprofundar seu conhecimento sobre a incrível capacidade de adaptação do corpo humano, selecionamos o conteúdo do canal Você Sabia?. No vídeo a seguir, os apresentadores detalham visualmente a história e a genética fascinante dos Bajaus, um povo nômade do mar conhecido por suas habilidades extremas de mergulho:

Qual o desafio para a sobrevivência cultural da tribo?

Infelizmente, o estilo de vida dos “nômades do mar” está ameaçado. A pesca industrial esgota os recifes onde eles caçam, e as leis governamentais frequentemente os forçam a se estabelecerem em terra firme, marginalizando sua cultura e economia de subsistência.

A biologia da tribo é a prova máxima de que a evolução humana não parou. O mar moldou o DNA deste povo, e proteger a cultura deles é proteger um capítulo vivo da fascinante capacidade de adaptação do corpo humano aos ambientes mais extremos do planeta.

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