
17 filhotes de espécie ameaçada de extinção nascem em Foz do Iguaçu
Pesquisadores conseguiram, pela primeira vez na história, a reprodução em cativeiro da perereca-rústica, uma espécie de anfíbio classificada como criticamente em perigo, segundo a Lista da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Esta é a última etapa antes que uma espécie seja considerada extinta na natureza.
O feito ocorreu no Parque das Aves, em Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, onde nasceram 17 filhotes. Segundo o Parque das Aves, a reprodução em cativeiro tem como objetivo assegurar uma população de resgate até que as ameaças a esta espécie diminuam ou cessem.
Hoje, o fator de maior risco para a sobrevivência das pererecas- rústicas é a degradação do habitat natural da espécie.
✅ Siga o g1 Foz do Iguaçu no WhatsApp
A perereca-rústica, endêmica da Mata Atlântica, tem hoje pouquíssimos indivíduos na natureza — cerca de 30, segundo estimativas de pesquisadores do Parque das Aves. Com cerca de 4 centímetros e 5 gramas, os filhotes têm padrões coloração com o corpo verde e barriga e pernas alaranjadas.
Segundo o veterinário Márcio Silva, coordenador de saúde animal do Parque das Aves, cada indivíduo pode ser identificado pelos desenhos únicos no corpo.
“É como uma impressão digital. O padrão de manchas não se repete”, disse.
Perereca-rústica tem o corpo verde e as pernas alaranjadas
Parque das Aves
O trabalho com a espécie começou há quatro anos, em 2022, quando um casal foi resgatado de uma área degradada entre Paraná e Santa Catarina e levado de helicóptero para Foz do Iguaçu. Desde então, os pesquisadores vêm estudando a espécie e tentando reproduzi-la em ambiente controlado.
Leia também:
Consulta no ChatGPT: Família descobre que criança era vítima de abuso sexual após ver pergunta dela para IA
Dentro de potes: Ampolas de tirzepatida são encontradas em carregamento de doce de leite
Ponte de Guaratuba: se estrutura leva a Matinhos, por que ficou conhecida pelo nome de uma cidade só?
Espécie rara e ameaçada
A perereca-rústica foi identificada pela primeira vez em 2008 e reconhecida oficialmente pela ciência em 2014.
Segundo o Parque das Aves, a espécie foi identificada durante uma avaliação de impacto ambiental para a instalação de parques eólicos entre os municípios de Água Doce, em Santa Catarina, e Palmas, no Paraná, região próxima à divisa entre os estados.
Animal tem cerca de quatro centímetros
Gustavo Fonseca
A descoberta dessa espécie, inclusive, chamou a atenção dos pesquisadores.
“Ela é a única registrada para os campos da Mata Atlântica do Sul do Brasil. Isso causou estranhamento no início”, afirmou Elaine Lucas, coordenadora do projeto e responsável pela descoberta.
“Hoje ela ocorre em uma área muito restrita e tem pouquíssimos indivíduos”, explicou o biólogo Richarlyston Brandt Pereira, gerente de manejo do Parque das Aves.
A perereca-rústica vive e se reproduz em áreas de banhado e pequenas poças, na região dos Campos de Altitude, em Santa Catarina.
A população na natureza é pequena, estimada entre 20 e 30 indivíduos.
Reprodução inédita e desafios
Nascimento de 17 novos filhotes é histórico
Gustavo Fonseca
Para viabilizar a reprodução, foi criado um ambiente que simula as condições naturais do ambiente onde vive a espécie, com controle de temperatura, umidade e qualidade da água.
“Estamos aprendendo com a própria espécie. Ela está ensinando como mantê-la e como fazer para que ela se reproduza”, explicou o veterinário Márcio Silva.
Importância para o meio ambiente
Além da preservação da espécie, o trabalho tem impacto direto no equilíbrio ambiental. As pererecas ajudam no controle de insetos e também funcionam como indicadores da qualidade do ambiente.
“A gente está preservando uma espécie, mas também todo o ecossistema em que ela vive”, destacou Elaine.
O objetivo agora é ampliar a população em cativeiro e, no futuro, contribuir para a reintrodução da espécie na natureza.
VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná
Leia mais notícias em g1 Oeste e Sudoeste.
