Elevada a vila em 1711 e a 12 km da vizinha mais famosa: a primeira cidade de Minas Gerais que abriga o único órgão alemão de 1701 fora da Europa e a maior mina de ouro aberta à visitação do mundo

Elevada a vila em 1711 e a 12 km da vizinha mais famosa: a primeira cidade de Minas Gerais que abriga o único órgão alemão de 1701 fora da Europa e a maior mina de ouro aberta à visitação do mundo

Há 315 anos, em 8 de abril de 1711, um arraial de bandeirantes às margens de um ribeirão dourado virou a primeira vila da então Capitania de São Paulo e Minas do Ouro. Mariana nasceu antes de Vila Rica e antes da própria Minas Gerais, e até hoje guarda o título de Primaz de Minas.

Como o ouro fundou a primeira capital mineira

Tudo começou em 16 de julho de 1696, quando o bandeirante Salvador Fernandes Furtado de Mendonça e seus companheiros encontraram ouro num pequeno rio que batizaram de Ribeirão Nossa Senhora do Carmo. Conforme registros da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (SECULT), em 1711 foram erigidas as três primeiras vilas mineiras, entre elas a Vila do Ribeirão de Nossa Senhora do Carmo.

O nome atual veio em 1745, quando Dom João V elevou a vila à categoria de cidade e a rebatizou em homenagem à rainha Dona Maria Ana de Áustria. No mesmo ano, a localidade tornou-se sede do primeiro bispado de Minas, criado pela bula papal de Bento XIV. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), durante todo o período colonial Mariana foi a primeira vila, a única cidade e a principal capital de Minas Gerais. O conjunto urbano foi tombado como Monumento Nacional em 1945.

Mariana, Minas Gerais // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

O que visitar na cidade barroca de Aleijadinho e Mestre Athaíde?

O centro histórico cabe num passeio a pé e reúne uma das maiores concentrações de barroco mineiro do Brasil. Veja paradas que resumem 315 anos de arte e ouro:

  • Praça Minas Gerais: única praça do país com duas igrejas barrocas frente a frente, o pelourinho e a antiga Casa de Câmara e Cadeia.
  • Igreja de São Francisco de Assis: tem talhas atribuídas a Aleijadinho e teto pintado por Manuel da Costa Athaíde, sepultado dentro do próprio templo.
  • Catedral Basílica da Sé: abriga o órgão alemão Arp Schnitger, fabricado em 1701 e instalado em 1752, único exemplar fora da Europa, com concertos toda sexta e domingo.
  • Mina da Passagem: maior mina de ouro aberta à visitação no mundo, com 315 metros de extensão e 120 metros de profundidade, onde foram retiradas cerca de 35 toneladas de ouro.
  • Trem Maria Fumaça: viagem de 18 km até Ouro Preto pelos trilhos da antiga estação ferroviária, restaurada em 2006.
  • Igreja de São Pedro dos Clérigos: rara construção barroca com planta elíptica e fachada de arenito, no alto da colina, com vista para a cidade colonial.
Mariana, Minas Gerais // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

Por que a cidade é chamada de Primaz de Minas?

Mariana acumula títulos pioneiros que poucos lugares do Brasil conseguem reunir. Foi a primeira vila (1711), a primeira capital (1712), a primeira cidade (1745) e o primeiro bispado de Minas Gerais. O Dia de Minas, comemorado em 16 de julho, transfere simbolicamente a capital estadual de volta para a cidade-mãe, onde o governador realiza cerimônia oficial na Praça Minas Gerais.

O município ocupa 1.194,208 km² e tem 64.506 habitantes estimados em 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A altitude de 697 metros, o clima ameno e a proximidade com Belo Horizonte (cerca de 110 km) e Ouro Preto (apenas 12 km) fazem da cidade uma parada obrigatória do Circuito do Ouro e da Estrada Real.

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A mesa mineira no berço do barroco

A cozinha de Mariana é mineira raiz, com fogão a lenha, panela de pedra-sabão e ingredientes do sertão. Alguns clássicos para experimentar:

  • Frango com quiabo e angu: prato emblemático servido em restaurantes do centro histórico, regado a caldo grosso e azeite-de-dendê.
  • Tutu de feijão: feijão batido com farinha de mandioca, acompanhado de torresmo, couve refogada e arroz branco.
  • Pão de queijo de tabuleiro: assado em padarias artesanais da Rua Direita, mais úmido e elástico que o industrial.
  • Doce de leite cremoso: produzido nas fazendas da região, herança das antigas cozinheiras escravizadas.
  • Cachaça artesanal: vinda dos alambiques do Quadrilátero Ferrífero, base do tradicional batidinha de jabuticaba.

Quem quer conhecer a charmosa cidade histórica de Mariana (MG), vizinha de Ouro Preto, vai curtir esse vídeo do canal Por onde andei, com Fernanda Götz, onde Fernanda Götz mostra o que fazer na cidade:

Quando ir e como é o clima em Mariana?

O clima é tropical de altitude, com invernos secos e amenos e verões quentes e chuvosos. A média histórica de janeiro chega a passar dos 200 mm de chuva, segundo dados do Climatempo, enquanto julho costuma ficar abaixo dos 30 mm. Veja como cada estação se comporta:



⛱
Verão
Dezembro a Fevereiro
17°C a 29°C

Estação com precipitações frequentes. Busque abrigo e cultura assistindo aos clássicos concertos no órgão da .

☔ CHUVA ALTA

🍂
Outono
Março a Maio
14°C a 26°C

As chuvas diminuem gradualmente. Caminhe pelo centro histórico e explore as galerias subterrâneas da Mina da Passagem.

🌤 CLIMA AMENO

🚂
Inverno
Junho a Agosto
10°C a 24°C

Dias secos e ensolarados dominam a paisagem. Embarque no Trem Maria Fumaça e visite cachoeiras com águas cristalinas.

⭐ MELHOR ÉPOCA

🌸
Primavera
Setembro a Novembro
14°C a 27°C

O calor retorna acompanhado de pancadas de chuva. Participe da tradicional Festa do Dia de Minas nas igrejas barrocas.

🎉 EVENTO FAMOSO



Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Vale a pena conhecer a Primaz de Minas

Mariana é o ponto onde Minas começou: o primeiro pelourinho, a primeira câmara, o primeiro bispado e o primeiro grande tesouro de ouro do Brasil. Caminhar pela Praça Minas Gerais é entender por que essa pequena cidade ainda guarda mais barroco por metro quadrado do que a maioria das capitais.

Você precisa subir até a Catedral da Sé numa sexta de manhã e ouvir o som do órgão de 1701 que atravessou três séculos para continuar tocando.

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