TCU arquiva caso que liga Nikolas Ferreira a jato de Vorcaro

Deputado Federal Nikolas Ferreira (PL) em jato de Daniel VorcaroReprodução/redes sociais

O Tribunal de Contas da União (TCU) arquivou a investigação sobre voos do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em aeronave ligada ao empresário e dono do Banco Master Daniel Vorcaro durante a campanha de 2022. A decisão retira o caso da Corte e deixa sem resposta, por ora, quem pagou pelas viagens.

O arquivamento foi formalizado em acórdão assinado no final de abril, sob relatoria do ministro do TCU Antonio Anastasia. O tribunal afirma que não há indícios mínimos de uso de recursos públicos federais, condição necessária para abrir investigação.

O TCU não analisa o mérito das suspeitas, apenas define que não é o órgão responsável por esse tipo de apuração. Segundo os ministros, questões sobre financiamento de campanha devem ser tratadas pela Justiça Eleitoral.

A representação havia sido apresentada pelo Ministério Público. O pedido questionava a origem dos recursos usados em deslocamentos de Nikolas em um jato executivo associado a Vorcaro, dono do Banco Master.

O empresário foi preso pela segunda vez em março deste ano. Ele é investigado por fraudes financeiras, ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro.

No acórdão, o TCU sustenta que denúncias precisam apresentar “lastro probatório mínimo”, com indícios concretos de irregularidade envolvendo verba pública. O tribunal diz que esse requisito não foi atendido.

Voos, campanha e articulação política

O caso ganhou repercussão após reportagem do jornal O Globo revelar o uso da aeronave durante o segundo turno da eleição presidencial.

Naquele momento, Nikolas Ferreira atuava na campanha de Jair Bolsonaro (PL), que disputava a reeleição contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Um dos voos ocorreu em 10 de outubro de 2022, com destino a Brasília. O deputado estava com o pastor André Valadão.

A agenda reuniu influenciadores, lideranças religiosas e aliados políticos para definir ações da reta final da campanha.

Dessa articulação surgiu a caravana “Juventude pelo Brasil”. O grupo percorreu ao menos nove estados, com foco no Nordeste, onde Lula havia tido vantagem no primeiro turno.

As viagens ocorreram entre 20 e 28 de outubro. A comitiva utilizou um jato Embraer 505 Phenom 300, com capacidade para até dez passageiros.

A aeronave estava vinculada à empresa Prime You, que tinha Daniel Vorcaro entre os sócios na época.

Registros em redes sociais mostram integrantes do grupo dentro do avião. Dados de rastreamento de voos indicam trajetos compatíveis com compromissos públicos divulgados pela campanha.

Segundo o Estado de Minas, essas informações foram usadas para questionar a origem do custeio das viagens.

Defesa e lacunas

Nikolas Ferreira afirma que não sabia quem era o dono da aeronave. Segundo ele, os deslocamentos ocorreram a convite do pastor Guilherme Batista.

O deputado diz que não teve contato com Daniel Vorcaro. Também afirma que, naquele período, o nome do empresário não era de conhecimento amplo.

O TCU não analisa essas versões. O tribunal não entra na origem do dinheiro nem avalia se houve irregularidade.

Com o arquivamento, seguem abertas questões centrais. Não há definição sobre quem financiou os voos nem se as despesas seguiram as regras eleitorais.

Esses pontos ficam, segundo o próprio tribunal, sob responsabilidade da Justiça Eleitoral.

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