
Previsão é de chuva em boa parte do Brasil nesta segunda-feira (4)
A Paraíba enfrenta uma sequência de fortes chuvas que já provocaram mortes, alagamentos, cheias de rios e milhares de pessoas afetadas em diferentes regiões do estado. Em apenas dois dias, João Pessoa registrou quase 70% da média histórica de chuvas previstas para todo o mês de maio, segundo dados da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec-JP).
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De acordo com o órgão, choveu 196 milímetros em um intervalo de 48 horas, enquanto a média histórica para maio é de 282 milímetros.
O volume elevado em um intervalo tão curto dá a sensação de que o período chuvoso começou antes do esperado. Para entender o fenômeno e o impacto sobre as cidades, o g1 ouviu o professor de climatologia Ranyére Nóbrega, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
Para o climatologista, os impactos da cheia evidenciam problemas estruturais antigos. Ele explica que as cidades cresceram sem planejamento urbano adequado, com ocupação de áreas vulneráveis e outros fatores que ampliam os efeitos das chuvas intensas.
“Fato é que as cidades cresceram e não se prepararam. Há um considerável assoreamento nos rios, falta drenagem adequada, as cidades crescem de forma desordenada. Nas secas havia a dispersão, nas cidades há uma concentração, então a violência do evento acaba sendo muito mais sentida de imediato”, disse.
Segundo o especialista, o evento não representa exatamente um adiantamento do calendário das chuvas, mas sim um comportamento mais intenso do sistema climático que atua sobre o Nordeste.
Impacto da “Zona de Convergência Intertropical”
Santa Rita, na Grande João Pessoa, ficou alagada após chuvas
Karine Tenório/TV Cabo Branco
O professor Ranyére Nóbrega afirma que a atuação mais intensa da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) explica o volume elevado de chuvas registrado na Paraíba nos últimos dias.
“Este ano a Zona de Convergência Intertropical está muito mais ativa do que o normal, então, não foi em si um adiantamento. No final de abril e início de maio já começamos a observar as chuvas no litoral e agreste com mais frequência. A eventualidade foi a intensidade das chuvas, principalmente num curto tempo”, explicou.
🔎 A ZCIT é uma grande banda de nuvens e tempestades que circula a região equatorial do globo. Ela se forma pelo encontro de ventos alísios úmidos dos hemisférios Norte e Sul, que forçam a subida do ar quente e favorecem a formação de nuvens carregadas. Entre fevereiro e maio, é o principal sistema responsável por chuvas intensas no Norte e Nordeste do Brasil.
Nóbrega explica que anos e meses mais chuvosos ou mais secos fazem parte do ciclo natural do clima. O que chama atenção, segundo ele, é que os eventos extremos têm se tornado mais frequentes e intensos, com grandes volumes de chuva concentrados em poucos dias. Esse comportamento está associado ao aquecimento global, afirma o pesquisador.
“Já há indicativos de que esses extremos acontecem por causa do aquecimento global. Extremos cada vez mais frequentes. Isso é preocupante, porque houve um processo de migração do rural para as cidades. As cidades cresceram e não se desenvolveram nem para o clima anterior, quanto mais para estas tendências atuais. (…) Tanto a seca quanto as chuvas afetam os mais vulneráveis, historicamente e atualmente”, disse.
Cheia do Rio Paraíba e falta de preparo das cidades
O nível do Rio Paraíba subiu mais de sete metros na região próxima ao município de Santa Rita, segundo a Defesa Civil, após as fortes chuvas que atingem a Paraíba desde a última sexta-feira (1º). A elevação rápida das águas do rio contribuiu para alagamentos e deixou milhares de pessoas fora de casa.
Desde o início do período chuvoso mais intenso, o estado já contabiliza duas mortes, mais de 3 mil pessoas desalojadas ou desabrigadas e 31 municípios em situação de emergência. Ao todo, 37,4 mil pessoas foram afetadas pelas chuvas em diferentes regiões da Paraíba.
Chuvas na Paraíba devem continuar nos próximos dias, segundo alerta do Inmet
Chuva na Paraíba provoca risco de deslizamento, alagamentos e deixa meio milhão de pessoas sem água
Reprodução/Globo
Para o climatologista, os impactos da cheia evidenciam problemas estruturais antigos. Ele explica que as cidades cresceram sem planejamento urbano adequado, com ocupação de áreas vulneráveis e outros fatores que ampliam os efeitos das chuvas intensas.
“Fato é que as cidades cresceram e não se prepararam. Há um considerável assoreamento nos rios, falta drenagem adequada, as cidades crescem de forma desordenada. Nas secas havia a dispersão, nas cidades há uma concentração, então a violência do evento acaba sendo muito mais sentida de imediato”, disse.
O especialista acrescenta que a configuração da bacia do Rio Paraíba favorece cheias rápidas, o que intensifica os impactos das chuvas em áreas urbanas.
“As nascentes estão localizadas em partes altas do Planalto da Borborema, então a água desce com muita velocidade, o que favorece picos de cheia. Há pouca infiltração porque o solo é rochoso, aumentando o escoamento superficial e fazendo com que o nível dos rios suba muito rápido”, comentou o climatologista.
Medidas de resposta
O governo da Paraíba decretou situação de emergência nas regiões mais afetadas pela chuva
Reprodução/TV Globo
Equipes da Defesa Civil Nacional chegaram à Paraíba no domingo (3) para apoiar os municípios atingidos. Os técnicos orientam as prefeituras sobre o reconhecimento federal de situação de emergência e a solicitação de recursos para assistência humanitária, restabelecimento e reconstrução.
O Ministério Público da Paraíba (MPPB) instituiu um gabinete de crise para coordenar a atuação institucional diante dos impactos das chuvas. A medida foi anunciada pelo procurador-geral de Justiça, Leonardo Quintans, com participação da promotora Cláudia Cabral, coordenadora do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente.
E a Prefeitura de João Pessoa disponibilizou quatro pontos de arrecadação para doações de roupas e colchões para as famílias desabrigadas (confira lista com os locais mais abaixo).
🌦️ Previsão para os próximos dias
Dia de chuva em João Pessoa
Krys Carneiro/G1
As chuvas devem continuar na Paraíba nos próximos dias, mas a tendência é de redução no volume.
Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), esta segunda-feira (4) tem possibilidade moderada de ocorrências hidrogeológicas, como deslizamentos pontuais em encostas, em razão do acumulado de chuva e da previsão de novos episódios, que podem variar de moderados a fortes.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também renovou os alertas de chuvas intensas para municípios do estado. O alerta amarelo, de perigo potencial, é válido até as 10h da quinta-feira (7).
De acordo com o Inmet, nas áreas sob esse nível de alerta, pode chover entre 20 e 30 milímetros por hora ou até 50 milímetros por dia, com ventos entre 40 e 60 quilômetros por hora. O órgão informa que há baixo risco de interrupção no fornecimento de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas.
Decreto de situação de emergência
A Paraíba tem 31 cidades em situação de emergência por conta das fortes chuvas que atingem o estado desde a última sexta-feira (1°), conforme decreto publicado no Diário Oficial do Estado (DOE-PB) (confira a lista completa de cidades abaixo).
Com o decreto, órgãos e entidades da Administração Pública do Estado podem tomar várias medidas emergenciais, como abertura de crédito extraordinário e concessão de auxílio financeiro emergencial às famílias diretamente atingidas pelas chuvas. O decreto, publicado em edição extraordinário do DOE neste domingo (3), tem prazo de 180 dias.
As cidades em situação de emergência estão entre as mais afetadas pelas chuvas.
Cidades em situação de emergência por conta das chuvas na Paraíba:
Alagoa Grande
Alhandra
Areia
Bayeux
Caaporã
Conde
Cruz do Espírito Santo
Gurinhém
Ingá
Itabaiana
Itatuba
João Pessoa
Juripiranga
Pedras de Fogo
Pilar
Pilões
Pitimbu
Riachão do Bacamarte
Rio Tinto
Lagoa Seca
Serra Redonda
Serraria
Massaranduba
Mogeiro
Mulungu
Natuba
Santa Rita
Salgado de São Félix
São José dos Ramos
São Sebastião de Lagoa de Roça
Sapé
🔎Os paraibanos afetados sofreram impactos diretos ou indiretos com as fortes chuvas na região. Muitos ficaram sem água e sem energia nas residências, tiveram as casas invadidas pela água, mas não foi necessário abandonar o imóvel.
Campanhas solidárias
Para ajudar as famílias afetadas, é possível fazer doações de colchões, cobertores, alimentos não perecíveis, agasalhos, roupas e água potável. Confira, abaixo, os pontos de entrega:
Governo do Estado – Casas da Cidadania
Casa da Cidadania de Queimadas
Rua César Ribeiro, S/N – Centro
Casa da Cidadania de Ingá
Rua Presidente João Pessoa, 10-A, Centro
Casa da Cidadania de Partage-CG
Av. Prefeito Severino Bezerra Cabral, 1050 – Catolé
Casa da Cidadania do Citymix-CG
Rua Getúlio Vargas, 574 – Centro
Casa da Cidadania do Valentina-JP
Rua Prof. Emília Alves de Souza, 38
Casa da Cidadania de Alhandra
Rua João Pessoa
Casa da Cidadania de Cabedelo
Rua João Machado, S/N – Centro
Casa da Cidadania de Mangabeira-JP
Rua Elias Pereira de Araújo, S/N
Casa da Cidadania do Bessa-JP
Rua Bacharel José de Oliveira Curchatuz, 850 – Jardim Oceania
Casa da Cidadania de Jaguaribe-JP
Av. Primeiro de Maio, 146
Casa da Cidadania de Conde
Rua Pedro Meneses Florêncio, 100
Casa da Cidadania do Tambiá-JP
Av. Dep. Odon Bezerra, 184 – Centro, Shopping Tambiá – Piso L3
Casa da Cidadania de Manaíra-JP
Av. Flávio Ribeiro Coutinho, 805, 3° piso – Shopping Manaíra
Casa da Cidadania de Bayeux
Av. Liberdade, 3.655 – Sesi – Liber Mall
Casa da Cidadania de Pitimbu
Rua da Saudade
Casa da Cidadania de Sapé
Av. Getúlio Vargas, 165
Casa da Cidadania de Guarabira
Av. Otacílio Lira Cabral, 100, Shopping Cidade Luz – Areia Branca
Casa da Cidadania de Itabaiana
Av. Presidente João Pessoa, 488, Centro
Casa da Cidadania de Mari
Rua Everaldo da Silva Pereira, S/N, Pasto Novo
Casa da Cidadania de Mamanguape
Rua Pres. João Pessoa, S/N – Centro
João Pessoa
Os locais de arrecadação são:
Centro de Cooperação da Cidade, na Avenida João Cirilo da Silva, no Altiplano;
Centro Cultural Tenente Lucena, em Mangabeira;
e os shoppings Mangabeira e Manaíra, com funcionamento das 8h às 17h.
Mortes na Paraíba
Vítimas de choque elétrico em corrida de rua em Guarabira, PB
Montagem/g1
Em Guarabira, duas pessoas morreram vítimas de choque elétrico pouco antes de uma corrida de rua em comemoração ao Dia do Trabalhador.
Quem eram as vítimas de choque elétrico em corrida de rua em Guarabira
Chovia forte em Guarabira no momento do incidente. Testemunhas relataram que o caso pode ter sido provocado por uma descarga elétrica causada por um fio energizado em contato com a água e com a estrutura montada para a corrida.
Os corpos de Washington Gonçalves, de 42 anos e Antônio Felipe da Silva Júnior, de 36 anos, foram sepultados na tarde deste sábado (2).
Duas pessoas morrem eletrocutadas em concentração de corrida, em Guarabira
Demais transtornos na PB
Chuvas provocam destruição e isolam moradores da cidade de Ingá (PB)
Após as fortes chuvas que atingiram a Paraíba, o rio que corta a cidade de Ingá, no Agreste da Paraíba, transbordou e causou a destruição parcial de uma ponte, deixando moradores ilhados na sexta-feira (1º).
A situação mais preocupante é na ponte que faz a conexão entre os dois lados da cidade. Parte da estrutura cedeu e foi levada pela água, e uma grande rachadura apareceu no asfalto, aumentando o risco de um colapso total.
No momento em que a ponte cedeu, um homem chegou a cair no rio e ser arrastado, mas conseguiu ser resgatado. Por causa do risco, a ponte foi interditada para veículos e apenas pedestres podem atravessar com autorização da Defesa Civil. O fechamento deixou um lado da cidade ilhado, onde fica a UPA, que é referência para a região, impedindo o acesso de quem precisa de socorro.
Outros transtornos foram registrados em outras cidades da Paraíba, especialmente nas regiões do Agreste e Litoral. Em Itatuba, uma casa desabou, mas ainda não há informações sobre feridos.
Cratera se abriu na estrada para cidade de Pedras de Fogo
Flávio Fernandes/TV Cabo Branco
Uma das faixas da rodovia PB-032, principal acesso ao município de Pedras de Fogo, na Zona da Mata paraibana, foi totalmente interditada após o aumento de uma cratera que se abriu na via com as fortes chuvas.
A rodovia estava parcialmente interditada desde a última terça-feira (28), quando a cratera se abriu após as fortes chuvas.
Um desvio provisório pela zona rural de Pedras de Fogo estava funcionando desde então, mas na sexta (1°), com rompimento total do trecho que já estava bloqueado, a via foi completamente interditada e o DER também passou a não recomendar o uso do desvio.
Segundo o órgão, obras de reforço de solo estavam sendo realizadas para evitar o agravamento da situação. No entanto, as fortes chuvas que voltaram a atingir a região provocaram o rompimento.
Barragem e barreiros rompem, causam destruição e deixam morador desalojado, no Agreste da PB
Reprodução/Defesa Civil de Lagoa Seca
Uma barragem rompeu e pelo menos outros dois barreiros também cederam na sexta-feira (1º), na zona rural de Lagoa Seca, no Agreste da Paraíba. De acordo com a Defesa Civil do município, uma pessoa precisou ser resgatada.
“Tivemos o rompimento de algumas barragens e pequenos barreiros causando prejuízo e conseguimos resgatar uma pessoa que teve sua casa atingida, com sua integridade física intacta, mas os bens materiais foram todos levados, sendo casa, os móveis, a cisterna dele. Muita destruição”, disse George Neemias, coordenador da Defesa Civil de Lagoa Seca.
Segundo o coordenador, a vítima foi encaminhada para a casa de familiares na região e está bem. O imóvel foi atingido pela água, e o morador perdeu pertences.
A Defesa Civil informou que a barragem que rompeu é de médio porte. Já os demais reservatórios atingidos, quatro barreiros, segundo o órgão, eram de pequeno porte.
Fortes chuvas provocam transtornos em João Pessoa e moradores protestam por infraestrutura
Reprodução/TV Cabo Branco
Moradores do bairro Muçumagro, em João Pessoa, protestaram na sexta-feira (1°) após relatarem transtornos causados pelas chuvas desde a última terça-feira (28). Eles cobram melhorias na infraestrutura da região para evitar enchentes.
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