
Saiba quais variedades de café têm se adaptado melhor ao Cerrado de Roraima
A cafeicultura em Roraima ganha força ao aproveitar o período de entressafra das principais regiões produtoras do país, o que pode garantir preços mais atrativos no mercado. O setor é impulsionado por pesquisa, tecnologia e pelo cultivo de variedades adaptadas ao clima quente do estado.
A aposta recai sobre o café da espécie Coffea canephora, especialmente o robusta amazônico, como principal alternativa de expansão. O assunto foi destaque no Amazônia Agro deste domingo (3).
O agricultor e produtor de mudas de café Davis Queiroz explicou que essa variedade, desenvolvida pela Embrapa, apresenta bons resultados em estados da região Norte e também se consolida em Roraima.
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A expectativa é que a grande safra aconteça entre os meses de novembro e janeiro. Além do mercado interno, a localização geográfica do estado abre possibilidades de exportação para países vizinhos, como Guiana e Venezuela, considerados potenciais compradores da produção roraimense. A proximidade pode reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade do café produzido na região.
“A nossa produção vai sair num momento em que vai estar em baixa no restante do Brasil. Então o preço aqui em Roraima vai ficar sempre bom pra gente”, explicou Davis Queiroz.
A produção em Roraima também deve seguir o perfil da cafeicultura mundial, baseada em pequenas propriedades e na agricultura familiar.
Segundo Davis, com avanço das áreas plantadas e o apoio técnico de instituições de pesquisa, a expectativa é de crescimento da cafeicultura em Roraima, que já é vista como uma nova fronteira para a produção de café na região Norte.
Condições climáticas favoráveis
A escolha da variedade robusta amazônico está diretamente relacionada às condições climáticas do estado, que tem altas temperaturas e período de estiagem, especialmente nas áreas do lavrado, onde a vegetação é aberta e lembra o cerrado.
Nesse cenário, o cultivo exige manejo adequado, principalmente com o uso de irrigação, considerada essencial para garantir a produtividade. “O café robusta, a grande característica dele é você precisar de uma irrigação. O nosso verão é muito forte”, destacou o produtor.
Apesar dos desafios iniciais, os testes realizados nos últimos anos indicam que a cultura tem boa adaptação na região, especialmente com o uso de clones de alta produtividade. Em áreas experimentais, em Bonfim, produtores estão testando diferentes técnicas de cultivo, adubação e irrigação, transformando o estado em um campo de desenvolvimento para a cafeicultura.
Um dos principais diferenciais de Roraima está no calendário produtivo. Diferente das principais regiões produtoras do país, a colheita local ocorre em um período de menor oferta nacional, o que pode garantir preços mais atrativos.
Café robusta amazônico rpoduzido em Roraima
Raquel Maia/Rede Amazônica
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