
Maioria dos pacientes usa bombinha para a asma da forma errada e efeito pode ser anulado; veja como usar
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A asma atinge cerca de 300 milhões de pessoas no mundo e está associada a cerca de mil mortes por dia, sendo um desafio de saúde pública global. No Brasil, são aproximadamente 2,5 mil mortes por ano pela condição. Apesar da existência de tratamento, falhas no uso dos medicamentos comprometem o controle da doença. Um dos principais problemas está na forma de utilização de diferentes dispositivos inalatórios, entre eles as chamadas bombinhas.
Uma revisão sistemática e meta-análise de estudos realizados nos Estados Unidos com adultos com asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) apontou que 87% dos pacientes utilizam incorretamente os dispositivos inalatórios e 77% deles erram em 20% ou mais das etapas de uso do dispositivo. Além disso, apenas 15,5% dos profissionais de saúde dominam plenamente a técnica adequada.
O estudo, publicado na revista científica Journal of the COPD Foundation, aponta ainda que falhas recorrentes em etapas essenciais do uso do inalador comprometem a chegada do medicamento aos pulmões. Entre elas, estão:
Não acoplar o inalador ao espaçador quando necessário
Não expirar completamente antes de usar o dispositivo
Inspirar rápido demais (em vez de lento e profundo)
Não segurar a respiração após a inalação
Não agitar o inalador antes do uso
Alguns desses erros são considerados críticos pelos autores, pois podem praticamente anular o efeito do remédio. E mesmo após décadas de uso desses dispositivos, a taxa de erros permanece alta, sem grandes melhorias ao longo do tempo.
Este cenário fez o Conselho Federal de Farmácia (CFF) iniciar uma campanha no país para ampliar o diagnóstico, melhorar o controle da doença e orientar sobre o uso correto de medicamentos.
A iniciativa, chamada “Respira + Brasil”, começa nesta terça-feira (5), em João Pessoa (PB) e em Belém (PA), e segue até 21 de junho com ações em todo o país. O CFF destaca que falhas no tratamento podem custar vidas e busca, com a campanha, evitar agravamentos e combater mortes evitáveis, além de melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
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Como usar a bombinha corretamente
As diferentes bombinhas disponíveis no mercado podem ser diferentes no tamanho, na cor, na presença do marcador de dose e no formato do bocal. Mas a estrutura da bombinha e a forma de uso são iguais para todos os modelos disponíveis. Confira abaixo dicas do CFF, de como ela deve ser usada:
Retire a tampa da bombinha sem apertar o cilindro metálico
Agite a bombinha com força, no mínimo 5 vezes
Antes de colocar a bombinha na boca, fique de pé ou sentado, com a coluna reta, e solte o máximo de ar que conseguir
A bombinha deverá estar com o frasco metálico virado para cima, em forma de L. Coloque o bocal entre os dentes, sem morder, e feche os lábios ao redor do bocal.
Ao mesmo tempo, pressione uma única vez o frasco metálico e puxe o ar pela boca, de forma lenta e profunda, durante 3 a 5 segundos. Retire a bombinha e mantenha a boca bem fechada para não escapar o medicamento.
Ainda de boca fechada, prenda a respiração por 10 segundos ou pelo tempo que aguentar. Volte a respirar normalmente. Se o médico tiver receitado mais de um jato, aguarde 30 segundos e repita a técnica (passos 2 a 6). Após o uso, recoloque a tampa.
Após o uso da bombinha, escove os dentes e a língua. Encha a boca de água, faça um bochecho, gargareje e cuspa a água.
Como limpar a bombinha
Com marcador de dose: limpe a capa plástica e o interior do bocal com pano ou lenço de papel. Lave a capa plástica somente se a bombinha estiver entupida. Atenção: alguns fabricantes não recomendam lavar a capa plástica. Leia a bula ou converse com o farmacêutico.
Sem marcador de dose: remova o frasco metálico e lave apenas a capa plástica com detergente neutro e água corrente. Espere a capa plástica secar completamente e monte.
Como saber se o medicamento está acabando:
Com marcador de dose: observe o marcador de dose e a quantidade de doses restantes
Sem marcador de dose: quando recomendado pelo fabricante, coloque o frasco metálico em um copo com água. Se o frasco ficar na posição mostrada na figura, é um sinal de que ele pode estar vazio.
Como segurar a bombinha
O paciente pode segurar a bombinha posicionando os dedos de diferentes formas, desde que a bombinha permaneça com o frasco metálico virado para cima (em forma de L) e que o dedo tenha força para pressionar o frasco metálico.
Para facilitar, é recomendado que ela seja encaixada em um aparelho chamado espaçador, que é vendido separadamente nas farmácias ou produzido de forma caseira.
Doença crônica exige controle contínuo
A asma é caracterizada por inflamação crônica das vias aéreas, com sintomas respiratórios e obstrução do fluxo de ar. Embora não tenha cura, pode ser controlada com o tratamento adequado, reduzindo crises e complicações. Ela tem origem multifatorial e pode surgir em qualquer fase da vida.
Entre os tipos de asma, estão:
alérgica
não alérgica
de início na idade adulta;
eosinofílica grave (caracterizada por níveis elevados de eosinófilos — um tipo de célula de defesa do sangue — nas vias respiratórias);
associada à obesidade;
com limitação persistente da função respiratória
outras
No Brasil, aproximadamente 20 milhões de pessoas têm asma. A doença leva a cerca de 350 mil internações por ano no país e a 2.500 mortes por ano.
Campanha vai ensinar o uso correto de dispositivos inalatórios pelo país
A campanha do CFF destaca que “Respirar é automático — até deixar de ser” e busca chamar a atenção para a importância do diagnóstico precoce e do uso correto dos medicamentos antes que a falta de ar se torne uma emergência.
A população terá acesso a serviços gratuitos, como:
atendimento clínico farmacêutico
avaliação da função respiratória
vacinação
e orientações sobre o uso correto de dispositivos inalatórios.
A iniciativa também inclui capacitação de profissionais. Mais de 11 mil farmacêuticos estão matriculados em um curso voltado ao cuidado de pessoas com asma e devem participar das ações em todo o país.
Serviço:
Público-alvo: pessoas com asma ou com sinais e sintomas respiratórios e farmacêuticos
Data: 5 de maio de 2026 (ações até 21 de junho)
João Pessoa (PB): das 9h às 13h, no Parque Solon de Lucena (Lagoa)
Belém (PA): das 8h às 13h, no Mercado de São Brás (Avenida José Bonifácio, s/n, bairro São Brás).
A campanha terá ações também em outras capitais, com endereços ainda a serem confirmados.
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