
Veterinária influencer é presa por vender shampoo de cavalo para uso humano em MS
A médica-veterinária e influenciadora Raylane Diba Ferrari, de 29 anos, foi presa nesta segunda-feira (4), em Campo Grande, suspeita de vender xampu de uso veterinário para aplicação em cabelo humano.
Segundo a Polícia Civil, ela fazia propaganda dos produtos nas redes sociais, onde soma mais de 500 mil seguidores. A defesa afirma que Raylane não produzia os xampus e que a atuação dela se limitava à divulgação.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp
A prisão ocorreu no bairro Universitário, onde a investigada mantém um pet shop. De acordo com a polícia, os produtos eram anunciados e vendidos pela internet, com incentivo ao uso em pessoas.
Em um dos vídeos, Raylane afirma ter vendido mais de 20 mil unidades do xampu.
“Vocês concordam comigo que, se eu sou veterinária, eu posso usar produtos veterinários no meu cabelo, né? Ah, não pode? Olhe aqui o tamanho desse meu cabelão. Não pode é ficar careca”, diz Raylane em uma das postagens.
Flagrante de manipulação de produto
Conforme o boletim de ocorrência, um funcionário foi flagrado manipulando o produto no momento da ação policial.
Segundo os agentes, ele adicionava 7 mililitros de um suplemento injetável veterinário ao xampu para cavalos. Depois, o produto era fechado e colocado à venda para uso em humanos.
Raylane chegou ao local após a ação policial e optou por permanecer em silêncio.
No pet shop, foram encontradas caixas já embaladas para envio a diferentes destinatários, que compraram o produto pela internet. Além dos itens para cavalos, a veterinária também divulgava produtos para cães com promessa de recuperar cabelos descoloridos.
A operação contou com equipes da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo (Decon), do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon), do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
O que diz a defesa
A defesa de Raylane Diba Ferrari, Ângelo Lourenço Domingo Bezerra, afirmou que ela não produzia os xampus nem tinha conhecimento técnico sobre a composição ou possíveis riscos dos produtos.
O advogado esclareceu ainda que a atuação da cliente se restringia à divulgação nas redes sociais.
Ainda de acordo com a defesa, a veterinária não tem formação em manipulação de substâncias químicas ou biológicas e não participou da fabricação dos itens.
O advogado disse que não houve intenção de causar prejuízo aos consumidores.
A defesa afirmou que a prática seria semelhante à de outros influenciadores digitais que promovem produtos sem envolvimento na produção.
Sobre o fato de Raylane ser veterinária, o advogado disse que a responsabilidade sobre a indicação correta de uso será apurada pela polícia e analisada pela Justiça.
Por fim, a defesa declarou que não há confirmação da venda de mais de 20 mil unidades, como mencionado em vídeos publicados pela própria investigada.
Risco para a saúde
Segundo a médica dermatologista Eymar Bandeira, produtos veterinários não são testados para uso em humanos.
“A segurança, a absorção e os efeitos colaterais são simplesmente desconhecidos. Eu não digo que são ineficazes, eles são perigosos”, explica.
Eymar explica que o produto pode ter maior concentração de ativos e pH diferente, já que a pele do animal não é igual à humana. Segundo ela, isso pode causar efeito contrário ao esperado.
“Quanto a vitamina A, o excesso leva exatamente ao contrário, a mais queda de cabelo. Existe uma ideia equivocada de que se é forte para o animal, fará mais efeito ainda em humanos, mas não tem nenhuma comprovação cientifica”, finaliza a especialista.
Audiência de custódia
Raylane Diba Ferrari permanece presa e deve passar por audiência de custódia nesta terça-feira (5).
Médica veterinária presa na capital
Veterinária ensinava como usar o shampoo nas redes sociais.
Redes sociais/Reprodução
Veja vídeos de Mato Grosso do Sul
