Empresário é condenado por injúria racial após imitar macaco para vizinha no interior de SP


Justiça de Promissão condenou empresário Rodrigo Capelanes pelo crime de injúria racial contra a vizinha Claudete Ferreira de Souza.
Arquivo Pessoal
A Justiça condenou um empresário pelo crime de injúria racial contra sua vizinha, em Promissão (SP). A decisão é do dia 29 de abril.
O caso ocorreu em outubro de 2025, no bairro Conjunto Nosso Teto, após um desentendimento relacionado ao depósito de reciclagens do acusado. Na época, a vítima, Claudete Ferreira de Souza, conversou com o g1 sobre o caso.
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Claudete relatou que, ao passar em frente ao estabelecimento do vizinho, ele passou a imitar um macaco, chacoalhando as mãos e fazendo sons do animal enquanto ria.
Testemunhas confirmaram em juízo terem ouvido os sons de deboche e visto os gestos direcionados à vítima.
Em seu depoimento, a mulher afirmou que o episódio a deixou profundamente abalada e relatou que apresentou dificuldades para dormir e trauma até mesmo ao comprar alimentos que a lembrassem da humilhação sofrida.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, acolhida pela juíza Beatriz Mariani, o réu ofendeu a dignidade da vítima em razão de sua raça e cor (entenda no vídeo no final da reportagem a diferença entre racismo e injúria).
Polícia Civil de Promissão abriu inquérito para investigar caso de injúria racial
Google Maps/reprodução
A defesa do empresário alegou ausência de dolo discriminatório e perseguição por parte da vizinha, que já havia feito denúncias administrativas contra a oficina por questões de limpeza e barulho.
No entanto, a juíza avaliou a versão do réu como “inverossímil” e apontou contradições entre o seu relato e os horários fornecidos por testemunhas e registros de áudio.
Na decisão, a juíza destacou que a intenção de ofender a honra utilizando elementos de cor de pele já configura a intenção da injúria.
Condenação
O réu foi condenado a 2 anos e 4 meses de reclusão em regime aberto, 12 dias de multa e pagamento de dois salários-mínimos à vítima por danos morais.
A pena privativa de liberdade foi substituída por duas restritivas de direitos, transformadas em prestação de serviços à comunidade e prestação pecuniária à vítima. Por ter respondido ao processo em liberdade e não apresentarem novos riscos, o empresário poderá recorrer da decisão fora da prisão.
O g1 entrou em contato com a defesa de Rodrigo Capelanes, que afirmou que irá recorrer contra o resultado da sentença.
Abalo emocional
Em entrevista ao g1 na época em que o caso aconteceu, Claudete Souza desabafou sobre o que sentiu com a injúria.
“O que ele fez comigo não tem lógica, não tem explicação. Só tem mágoa”, relatou . “Estou tomando remédio, calmante, não consigo dormir direito. Estou muito triste e magoada.”
Além disso, a vítima encaminhou o áudio da testemunha relatando que, após os gestos do suspeito, todos ao redor começaram a rir. “De lá para cá está muito difícil. Mexeu muito com a cabeça dela”, diz a testemunha na gravação.
Entenda a diferença entre racismo e injúria racial
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