
‘Barbie Humana’: Justiça pede exumação do corpo de influenciadora
Um novo laudo da Polícia Técnico-Científica de São Paulo, feito após a exumação do corpo da influenciadora digital conhecida como “Barbie Humana”, concluiu que ela não foi asfixiada, estrangulada nem sofreu violência física.
O exame complementar aponta que a morte de Bárbara Jankavski, ocorrida em novembro de 2025, foi causada por intoxicação por uso de droga, reforçando a conclusão já indicada no primeiro laudo pericial.
O mais recente laudo do Instituto Médico Legal (IML) enfraquece, assim, a suspeita levantada pelos advogados da família, que defendiam a possibilidade de que a influenciadora tivesse sido vítima de um crime, como homicídio.
O novo exame ficou pronto nesta semana e foi encaminhado à Polícia Civil, que segue investigando o caso como morte suspeita.
Segundo a perícia, Bárbara ingeriu cocaína, possivelmente associada ao consumo de bebida alcoólica, o que potencializou os efeitos tóxicos da substância. De acordo com o documento, ela sofreu um infarto fulminante, não resistiu e morreu. A conclusão do segundo laudo é idêntica à do primeiro, que já apontava morte acidental por consumo de droga.
‘Cocaetileno’ e causa da morte
Influencer Bárbara Jankavski Marquez tinha 31 anos e se apresentava como ‘Boneca Desumana’ nas redes sociais
Reprodução/Arquivo pessoal
O IML informa que a causa da morte foi intoxicação por “cocaetileno”, substância produzida pelo organismo quando há uso simultâneo de cocaína e álcool. Segundo os peritos, o “cocaetileno” é mais tóxico ao coração e ao sistema nervoso do que a cocaína isoladamente e pode provocar arritmias, parada cardíaca e morte súbita.
O exame complementar teve como foco a região cervical. Os peritos analisaram o pescoço de forma externa e interna. Apesar de o corpo já estar em estado avançado de decomposição no momento da exumação, os especialistas concluíram que não há evidências compatíveis com morte por asfixia ou estrangulamento.
Investigação e próximos passos
Influencer chamada de ‘Barbie Humana’ é encontrada morta em casa na Zona Oeste de SP
O novo laudo foi encaminhado à Polícia Civil e corrobora o entendimento da investigação do 7º Distrito Policial (DP), Lapa. A delegacia da Zona Oeste já havia relatado o inquérito antes no sentido de que não houve assassinato. A conclusão aponta que Bárbara morreu de forma acidental, após consumir cocaína.
Agora, o Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que assumiu o caso, deve elaborar o relatório final da investigação, que será enviado ao Ministério Público (MP). Caberá à Promotoria decidir se encaminha o caso à Justiça ou se pede o arquivamento do inquérito.
Como, em tese, o exame médico-legal não indica indícios de crime, existe a possibilidade de o caso ser arquivado, a depender da avaliação do MP.
O caso
Os seguidores de Bárbara Jankavski Marquez a chamavam de ‘Barbie Humana’
Reprodução/Arquivo pessoal
Bárbara Jankavski foi encontrada pela Polícia Militar (PM), em 2 de novembro do ano passado, morta, seminua e com manchas no corpo. Ela tinha 31 anos e estava na casa do defensor público Renato de Vitto, de 51 anos, no bairro da Lapa, na Zona Oeste de São Paulo.
Inicialmente, o 7º Distrito Policial (DP), na Lapa, considerou a morte uma fatalidade. No entanto, em dezembro do ano passado, por decisão da Justiça, o caso foi transferido para o DHPP, que passou a apurar se a influenciadora poderia ter sido vítima de algum crime, incluindo homicídio.
Além da mudança de delegacia, a Justiça determinou a exumação do corpo, realizada pelo IML em 3 de fevereiro, no Cemitério da Vila Formosa, na Zona Leste da capital. O objetivo era esclarecer se Bárbara havia sido vítima de asfixia mecânica.
O Ministério Público e os advogados da família levantaram a hipótese de assassinato, citando possíveis sinais de violência, como lesões no olho, pescoço e pernas.
Também pediram que o DHPP investigasse se o defensor público e outras duas pessoas, amigos dele, que estiveram na residência — um homem e uma mulher — teriam algum envolvimento na morte. Até o momento, a polícia não identificou suspeitos de nenhum suposto crime.
Body cams e relatos contraditórios
Câmera corporal de PMs mostra defensor público Renato De Vitto (de camiseta azul) conversando com agentes que foram à casa dele atender ocorrência que envolveu a morte da influencer conhecida como ‘Barbie Humana’
Reprodução
Um laudo do Instituto de Criminalística (IC) sobre as câmeras corporais (body cams) dos PMs que atenderam a ocorrência apontou relatos contraditórios de testemunhas no local, incluindo mudanças de versão ao longo do atendimento médico.
Em um dos registros, um funcionário do Samu diz a um policial que a situação era “bem esquisita” e que “a cada hora a história muda um pouquinho”.
Os vídeos analisados incluem gravações de duas câmeras corporais, com falhas de áudio e interrupções, mas mostram o atendimento inicial. Quando os PMs chegaram, duas ambulâncias do Samu já estavam no local. Um médico informou que a influenciadora estava morta havia cerca de 30 minutos a uma hora. Um dos policiais comenta que o corpo apresentava rigidez cadavérica e menciona “alguns roxos”.
Barbara Jankavski, a ‘Barbie Humana’, morreu na casa do defensor público Renato De Vitto
Reprodução
Segundo o relatório, essas falas refletem a percepção de inconsistências nos relatos apresentados durante o atendimento.
As imagens mostram ainda que Renato de Vitto apresentou versões diferentes sobre os horários e sobre quando teria sido a última interação com a influenciadora. Em momentos distintos, ele afirmou que isso ocorreu entre 19h e 20h, por volta de 21h ou 21h30, ou pouco antes de se deitar, cerca de 21h50.
O defensor público também relatou que Bárbara foi contratada por ele como garota de programa _os dois tiveram relações sexuais. Depois eles consumiram cocaína, cachaça, cerveja e energético. Em seguida, ela dormiu e depois não acordou mais.
Body cams da PM gravaram defensor público Renato De Vitto conversando com agentes sobre a morte da ‘Barbie Humana’ na casa dele em SP
Reprodução
Renato pediu ajuda por telefone ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). E contou que chegou a fazer massagem cardíaca por nove minutos em Bárbara, mas ela não voltou a respirar. Quando a ambulância chegou, foi constatada a morte no local.
Uma outra mulher que estava na residência aparece nas imagens corrigindo ou complementando informações do defensor público, especialmente sobre horários, sintomas e sobre manchas encontradas no tapete do banheiro, que ela atribuiu à menstruação.
O relatório destaca que a análise das câmeras corporais teve como objetivo descrever o que foi registrado, sem atribuir responsabilidade criminal.
O que dizem os advogados
‘Barbie Humana’: Justiça manda caso de influencer à vara responsável por homicídios
Procurado pelo g1, o advogado Átila Machado, que atua na defesa do defensor público, afirmou: “por se tratar de investigação que tramita sob segredo de Justiça, não podemos nos manifestar”.
A reportagem não conseguiu contato com o advogado da família da influenciadora até a última atualização deste texto.
Quem era a ‘Barbie Humana’
Bárbara Jankavski Marquez investiu mais de R$ 300 mil em 27 cirurgias para se parecer com a boneca ‘Barbie’
Reprodução/Arquivo pessoal
Bárbara ficou conhecida nas redes sociais como a “Barbie Humana” por compartilhar conteúdos sobre estética corporal, procedimentos estéticos e aparência inspirada em bonecas. Também usava o apelido de “Boneca Desumana” e somava mais de 400 mil seguidores, considerando Instagram e TikTok.
Segundo a própria influenciadora, ela passou por 27 cirurgias plásticas para se parecer com a boneca Barbie.
